Valores Humanos e Comprometimento nas Organizações
Classificado em Psicologia e Sociologia
Escrito em em
com um tamanho de 3,55 KB
Os valores humanos são um construto central na psicologia (ROKEACH, 1973) e têm relevância especial para o entendimento de diversos fenômenos sociopsicológicos (SCHWARTZ, 1994). Suas aplicações para as organizações têm sido demonstradas em diversos estudos (por exemplo, ROS; SCHWARTZ; SURKISS, 2007; SCHWARTZ, 1999; TAMAYO, 1998; TEIXEIRA, 2008).
Tamayo (1998) discute a influência dos valores humanos nas organizações por meio de um modelo teórico, que apresenta uma influência causal que pode ser ilustrada da seguinte forma:
- Valores humanos → Vida organizacional → Valores organizacionais → Imagem da empresa → Comportamento
Segundo esse modelo, o empregado chega à organização com seus valores decorrentes das interações sociais precedentes. No cotidiano profissional, vai tomando conhecimento das tradições e diretrizes gerenciais da organização, observando o comportamento de colegas, chefes e diretores. A vida organizacional informa os valores organizacionais ao empregado, e as interações sociais com colegas e chefes também podem influenciar os valores organizacionais. Esses valores (antigos e/ou modificados) permitem que o empregado crie uma imagem mental da empresa, e essa imagem influencia seus comportamentos, tais como satisfação com o trabalho e comprometimento organizacional.
No Brasil, os estudos de Tamayo e seus colaboradores têm demonstrado o papel importante dos valores para as organizações (TAMAYO, 1998; TAMAYO et al., 2001; TAMAYO; PORTO, 2005). Eles têm utilizado o modelo de valores de Schwartz (1992, 1994; TAMAYO; SCHWARTZ, 1993). Neste artigo, uma nova proposta teórica dos valores humanos, que tem sido desenvolvida no Brasil (GOUVEIA, 2003; GOUVEIA et al., 2008a), será apresentada para a gestão de organizações.
Pensar sobre o comprometimento das pessoas com a organização deixou de ser retórica e passou a ser uma efetiva questão gerencial para lidar com a competitividade e com a capacidade de enfrentar a turbulência do mundo atual. A partir do pós-modernismo, a administração passou a incorporar conceitos como irracionalidade, emoção, subjetividade, cultura, poder, estética e intuição, ou seja, houve um reconhecimento do elemento humano dentro das organizações.
Neste enfoque, o comprometimento aparece também nas organizações como uma forma de se trabalhar o cognitivo e o irracional. É sabido que a condição básica para o sucesso das ações de melhoria da qualidade e produtividade é a conscientização das pessoas; afinal, são elas que fazem os resultados acontecerem. Sem dúvida, o ambiente atual, conturbado por novas tecnologias e expectativas, torna as organizações mais dependentes de seu contingente humano. Elas cada vez mais dependem de seu interesse, sua motivação, responsabilidade, atenção, capacidade e participação.
Os indivíduos não são sujeitos passivos que recebem do meio as influências e não reagem a elas, mas, ao contrário, são sujeitos ativos e, como tal, são agentes e constroem parcialmente o próprio contexto em que agem e se movimentam; este é um dos princípios básicos que orientam toda a construção cognitivista. Este trabalho tem por base a teoria cognitivista, em que o indivíduo é visto como uma pessoa que está sujeita a influências externas e internas e que, ao mesmo tempo, assume uma postura ativa no contexto.