Vanguardas europeias: movimentos, características e impacto
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Vanguarda europeia: vanguardista e experimental, as vanguardas romperam violentamente com a estética anterior e propuseram uma arte diferente, original e radical. Esses movimentos foram apresentados como alternativas juvenis, rompendo com o passado de forma desafiante e provocadora. Apareceram como uma revolução estética, anti‑realista e antisentimental. Sua maior conquista foi a imposição da liberdade total do artista, um legado que beneficiou toda a arte do nosso século. As vanguardas mais importantes são: Futurismo, Cubismo, Dadaísmo, Expressionismo e Surrealismo, surgidas em torno da Primeira Guerra Mundial e com grande êxito nos anos vinte. Todas compartilham um conjunto de traços vanguardistas, rigorosamente analisados por Ortega y Gasset em seu ensaio A Desumanização da Arte.
Características das vanguardas
- Ruptura com a estética anterior, ou seja, com o Simbolismo e o Modernismo.
- Antisentimentalismo: os movimentos vanguardistas acreditavam que a arte deveria ser algo independente do sentimentalismo humano.
- Antitradicionalismo na concepção da obra, quebrando sua estrutura habitual.
- Provocação por meio do jogo e do humor.
- Admiravam a técnica, a velocidade e, em geral, tudo o que se relacionava diretamente com o mundo moderno.
- Criação de novas realidades, distantes das imagens habituais, usando elementos incomuns que não remetem a referências identificáveis, destinados a produzir choque e espanto no leitor.
- Experimento total: mistura de vários materiais, incorporação de um novo léxico, uso simultâneo de diferentes fontes, onomatopeias, regime especial dos versos que formam imagens visuais, etc.
- Universalismo: as vanguardas surgiram simultaneamente em toda a Europa.
- Velocidade com que ocorreram: quase todos os movimentos vanguardistas apareceram num curto espaço de tempo, em cerca de quinze anos, e praticamente desapareceram perto do fim dos anos vinte, quando a política e as circunstâncias sociais levaram a uma arte mais humana.
Futurismo
Futurismo: surgiu na Itália, sob a direção do escritor Filippo Tommaso Marinetti. Desde sua criação proclamava o antipasadismo, ou seja, a ruptura radical com o passado, e elogiava o esplendor geométrico do mundo, as máquinas da civilização e as realizações técnicas. É anti‑romântico, banindo os sentimentos humanos como questão de arte: o sofrimento humano não é mais importante do que sentir uma lâmpada em curto (de Marinetti). Seus escritos buscavam a beleza das máquinas e a emoção da velocidade. O futurismo ofereceu novos temas para a literatura: o automóvel, os aviões, as fábricas, o cinema, o desporto, a violência... Na linguagem, excluíam‑se adjetivos, pontuação e sintaxe para obter ligações dinâmicas e velocidade.
Cubismo
Cubismo: originalmente um movimento pictórico, defendia a independência total da arte e a reorganização da realidade através de planos bidimensionais, sem relação aparente entre eles, misturando elementos diferentes na técnica da colagem. Inclui o cubismo literário e autores como Guillaume Apollinaire, com os caligramas ou poemas em que os versos eram distribuídos tipograficamente para formar imagens visuais.
Dadaísmo
Dadaísmo: talvez o movimento mais radical e destrutivo. O nome, escolhido aleatoriamente, surgiu ao abrir um dicionário com uma faca, como o balbuciar de uma criança: não significava nada. Foi fundado durante a guerra. O Dada era contra tudo; era a negação absoluta, incluindo a arte e a literatura, e o próprio Dada e suas criações. Contra a razão, promovia a fantasia, o absurdo, a criação de um discurso incoerente sem pretensão de ser arte. Os artistas dadaístas opunham‑se a qualquer convenção e pediam a destruição dos padrões artísticos, a incoerência e o valor da intuição inconsciente. A partir de 1919, quando se estabeleceu em Paris, o movimento perdeu força, mas alguns de seus componentes prepararam a revolução surrealista.
Expressionismo
Expressionismo: apresenta‑se com traços diferentes dos demais e uma maior duração e amplitude. Desenvolveu‑se em países de língua alemã, tendo surgido como corrente pictórica por volta de 1905 e depois estendido‑se à literatura. Para o expressionismo, a literatura deve ser reflexo das tensões espirituais interiores e uma arma de combate contra a sociedade. Assim, o tom de seus escritos é pessimista, assombrado e rebelde, abordando aspectos sórdidos da pobreza espiritual do homem e das multidões urbanas.
Surrealismo
Surrealismo: o movimento vanguardista mais revolucionário e de maior alcance. Influenciado pelas teorias da psicanálise de Freud e por leituras marxistas, seu caráter revolucionário revela‑se no desejo de transformar a vida humana: a vida verdadeira estaria oculta e não deve ser esmagada; é preciso descobri‑la e desfrutá‑la até alcançar a liberdade absoluta. O caminho para isso seria liberar os impulsos reprimidos do subconsciente e libertar‑se da escravidão imposta pela sociedade burguesa. Da mesma forma, a criação artística devia ser libertada. Entre as técnicas utilizadas, a mais famosa é a escrita automática: o escritor transcreve tudo o que surge na mente sem passar pela censura da moral, da lógica ou da estética. Assim, procura‑se captar o mundo dos sonhos, onde o inconsciente se manifesta numa linguagem de imagens sugestivas, emocionais e ilógicas. O surrealismo enriqueceu a língua com novas associações e metáforas ilógicas, recuperou entusiasmo e paixão, e deixou marca profunda na arte do século XX e em vários poetas da Geração de 27.