Vanguardas Europeias e a Trajetória de Lima Barreto
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As Vanguardas Europeias
As vanguardas europeias são os movimentos culturais que começaram na Europa no início do século XX, os quais iniciaram um tempo de ruptura com as estéticas precedentes, como o Simbolismo.
Nesse período, a Europa estava em clima de contentamento diante dos progressos industriais, dos avanços tecnológicos, das descobertas científicas e médicas, como:
- Eletricidade;
- Telefone, rádio e telégrafo;
- Vacina antirrábica;
- Tipos sanguíneos;
- Cinema, RX e submarino;
- Produção do fósforo.
Ao mesmo tempo, a disputa pelos mercados financeiros (fornecedores e compradores) ocasionou a I Guerra Mundial.
O clima estava propício para o surgimento das novas concepções artísticas sobre a realidade. Surgiram inúmeras tendências na arte, principalmente manifestos advindos do contraste social: de um lado a burguesia eufórica pela emergente economia industrial e, de outro lado, a marginalização e descontentamento da classe proletária e a intensificação do desemprego (especialmente após a queda da bolsa de Nova Iorque em 1929).
O Brasil, por sua vez, passou de escravocrata para mão de obra livre, da Monarquia para República.
Os movimentos culturais desse período, responsáveis por uma série de manifestos, são:
- Futurismo;
- Expressionismo;
- Cubismo;
- Dadaísmo;
- Surrealismo.
Estes são chamados de vanguardas europeias. "Vanguardas", por se tratar de movimentos pioneiros da arte e da cultura, e "europeias" por terem origem na Europa.
Lima Barreto
Afonso Henrique de Lima Barreto (1881-1922) foi um escritor e jornalista brasileiro. Filho de pais pobres e mestiços, Joaquim Henriques de Lima Barreto e Amália Augusta, sofreu preconceito em toda sua vida. Logo cedo ficou órfão de mãe.
Lima Barreto estudou no Liceu Popular Niteroiense e concluiu o curso secundário no Colégio Pedro II, local onde estudava a elite literária da época. Sempre com a ajuda de seu padrinho, o Visconde de Ouro Preto, ingressou na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, no curso de Engenharia. Em 1904, foi obrigado a abandonar o curso, pois seu pai havia enlouquecido e o sustento dos três irmãos agora era responsabilidade dele.
Para sustentar a família, empregou-se como escrevente copista na Secretaria de Guerra e, ao mesmo tempo, escrevia para vários jornais do Rio de Janeiro. Ainda estudante, já colaborava para a Revista da Época e para a Quinzena Alegre. Em 1905, passa a escrever no Correio da Manhã, jornal de grande prestígio.
Ao produzir uma literatura inteiramente desvinculada dos padrões e do gosto vigente, recebeu severas críticas dos letrados tradicionais. Explora em suas obras as injustiças sociais e as dificuldades das primeiras décadas da República. Com seu espírito inquieto e rebelde, Lima Barreto entregou-se ao álcool.
Em 1909, Lima Barreto publica o romance "Recordações do Escrivão Isaías Caminha". O texto acompanha a trajetória de um jovem mulato que, vindo do interior, sofre sérios preconceitos raciais. Em 1915, escreve "Triste Fim de Policarpo Quaresma" e, em 1919, escreve "Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá". Esses três romances apresentam nítidos traços autobiográficos.
Com uma linguagem descuidada, suas obras são impregnadas da justa preocupação com os fatos históricos e com os costumes sociais. Lima Barreto torna-se uma espécie de cronista e um caricaturista, vingando-se da hostilidade dos escritores e do público burguês. Poucos aceitam aqueles contos e romances que revelavam a vida cotidiana das classes populares, sem qualquer idealização.