A Vita Activa de Hannah Arendt: Esferas Pública e Privada
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A Vita Activa de Hannah Arendt
Segundo Hannah Arendt, a sentença Vita Activa designa três atividades humanas fundamentais: labor, trabalho e ação. Elas são fundamentais porque cada uma corresponde a uma das condições básicas mediante as quais a vida foi dada ao homem na Terra.
- Labor: Atividade correspondente ao processo biológico do corpo humano. Sua condição de existência é a própria vida.
- Trabalho: Atividade correspondente ao artificialismo humano, produzindo um mundo sintético de coisas. Sua circunstância humana é a mundanidade.
- Ação: Única atividade exercida entre os homens sem intervenção de fatores externos, correspondendo à multiplicidade.
A Vita Activa tem raízes num mundo de homens ou de coisas feitas por eles. Todas as atividades são condicionadas pelo fato de que os homens vivem juntos, mas a ação é a única que não pode ser imaginada fora da associação humana.
A Exclusividade da Ação
Só a ação é regalia exclusiva do homem; nem um animal nem um deus é apto para a ação, que depende inteiramente da estável comparência de outros.
A Polis e a Esfera Pública
Na polis, a ação e o discurso tornaram-se atividades independentes. O ser político significava que tudo era deliberado mediante palavras e persuasão, e não através da força. A distinção entre a vida privada (família) e a vida pública (política) foi fundamental na antiguidade.
No mundo moderno, essa linha divisória tornou-se difusa, pois vemos comunidades políticas como uma família cujos afazeres devem ser atendidos por uma gestão doméstica nacional. Contudo, na Grécia clássica, a santidade do lar era respeitada não pelo conceito moderno de propriedade privada, mas porque, sem um local próprio, o homem não poderia participar dos afazeres do mundo.
Liberdade e Igualdade
A polis era a esfera da liberdade, onde a vitória sobre as necessidades da vida familiar constituía a condição natural para a participação política. Diferente da família, que era o núcleo da desigualdade, a polis conhecia apenas iguais. Ser livre significava não estar sujeito às necessidades da vida nem ao comando de outrem, movendo-se em uma esfera sem governo ou governados.
No mundo moderno, as esferas social e política diferem menos, tratando a política como uma função da sociedade, onde a ação, o discurso e o pensamento são vistos como superestruturas assentadas no interesse social.