Wittgenstein: Linguagem, Lógica e o Místico no Tractatus

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LINGUAGEM, MUNDO E SIGNIFICADO

O objetivo do Tractatus é estabelecer o papel e o uso legítimo da linguagem. A linguagem só pode descrever os fatos. Por isso, há muitos aspectos da vida, tão essenciais como aqueles relacionados aos valores morais, artísticos ou até mesmo a lógica, que estão além das possibilidades expressivas da linguagem. Estes aspectos do místico são inefáveis. O autor defende a Teoria da Imagem do Significado: Wittgenstein considera a linguagem como um intermediário entre o pensamento e a realidade. A linguagem é a manifestação do pensamento (o *traje*) e apenas os pensamentos são expressos pela linguagem. Falar e pensar são quase o mesmo, embora a linguagem não possa transmitir todos os pensamentos, mas apenas aqueles que se relacionam com o mundo e o descrevem. Considera a proposição como a unidade fundamental de sentido.

Segundo esta teoria, uma proposição é uma representação ou figura da própria realidade, é como pintar um quadro: a função da linguagem é representativa e visa reproduzir a realidade. A comparação entre a proposição e a representação é que a linguagem, assim como a pintura, é composta de elementos simples ou atômicos. A posição de cada elemento e sua relação com os outros elementos têm uma influência crítica na forma de uma pintura, assim como numa proposição. Se numa sentença houver a mudança dos nomes de lugares que aparecem, o seu significado é completamente diferente. O autor usa a teoria para resolver o problema do significado. Se a linguagem faz sentido, é porque ela compartilha o mesmo componente lógico da realidade, que Wittgenstein chama de ***forma lógica***. A ***forma lógica*** é a relação entre os elementos que podem ocorrer na realidade e que pode ser reproduzida pela linguagem; é o conjunto de possíveis relações entre diferentes elementos efetivamente suportados e refletidos na linguagem.

O elemento comum entre a declaração e a realidade é a forma lógica. Sem uma lógica comum entre o pensamento e a realidade, a linguagem não poderia transmitir um significado. Uma declaração *não* faz sentido quando se refere a objetos e relações que não são possíveis na realidade, isto é, ao descrever algo logicamente impossível. A afirmação é significativa se for uma possibilidade que suporta a forma lógica. Além disso, as frases que têm significado se dividem: elas se transformam em verdadeiras ou falsas. Uma frase pode transmitir um significado para o ouvinte, mesmo sendo falsa.

Um ***estado de coisas*** é composto de objetos e seus relacionamentos, e é uma das possibilidades oferecidas pela realidade. O estado de coisas compartilha a mesma forma lógica que uma proposição elementar. Os ***objetos da realidade*** correspondem aos itens listados na figura ou representação e são os nomes da proposição. Um ***fato*** é um estado de coisas que realmente aconteceu e que corresponde a uma representação. Os estados de coisas são a realidade potencial de relação entre diferentes objetos, e os fatos são a realização de uma dessas possibilidades. Uma proposição só tem sentido quando representa uma situação que pode ocorrer na realidade.

***O que é dito*** é uma frase que serve para representar uma realidade. Qualquer objeto real pode ser dito através da linguagem. ***O que é mostrado*** não é um objeto real, mas é o que permite à linguagem referir-se a objetos reais e ter significado. Numa frase com significado, *diz-se* algo sobre o mundo: ela tem uma forma lógica comum com a realidade. A lógica, no entanto, não se *diz*, porque não é um objeto do mundo, mas ***é a*** linguagem de cada proposição. Ele também garante que os seres humanos só poderiam descrever o que está fora da lógica da linguagem. A linguagem, ao tentar representar a si mesma, é autorrepresentativa. Wittgenstein distingue ainda mais entre o que pode e o que não pode ser dito.

Esses limites são determinados pela noção de ***forma lógica*** e pela diferença entre ***dizer*** e ***mostrar***. A forma lógica estabelece limites, porque a linguagem não pode ser usada para se referir a um estado de coisas que não é possível na realidade. Por exemplo, a metafísica tradicional ultrapassa os limites marcados pela linguagem ao fazer referência a entidades não observáveis, como a alma. Tradicionalmente, as afirmações filosóficas representavam algo logicamente impossível, criando *pseudoproposições* que estão enraizadas num mau uso da linguagem. A diferença entre *dizer* e *mostrar* evidencia também os limites da linguagem. O que é *mostrado* (como a lógica, a ética, a estética, etc.) é a base da vida, mas a linguagem é incapaz de o descrever: é o ***místico***. A lógica ou a ética dizem respeito aos aspectos que a linguagem apenas *mostra*, e não *diz*. O Tractatus de Wittgenstein termina dizendo: "O que não se pode falar, deve-se calar." Ele não pretende menosprezar estes aspectos da vida; no entanto, diz ele, são os mais importantes. Mas, para ele, *o místico é o que pode ser exibido, mas não se pode dizer*. Como os problemas fundamentais da vida não podem ser estabelecidos sem incorrer em desvios de linguagem, nem são pensáveis, estes problemas simplesmente desaparecem pela impossibilidade de tal (só podem ser mostrados). Portanto, o que não está no mundo, não podemos dizer nada. A referência a isto só é possível através de pseudoproposições.

CONTEXTO HISTÓRICO E FILOSÓFICO

Este é um excerto do Tractatus Logico-Philosophicus, uma das obras mais importantes de Ludwig Wittgenstein. É um trabalho sobre o significado, que visa estabelecer os limites do significado, separando o que é verdadeiro e o que não pode ser dito. É usual distinguir dois períodos no pensamento desse filósofo, chamados de "Primeiro Wittgenstein" e "Segundo Wittgenstein". Embora existam diferenças importantes entre as duas fases de sua filosofia, existem vários elementos comuns, como o interesse pela linguagem e a valorização do trabalho principal da filosofia. A obra principal do "Primeiro W" é o Tractatus..., e do "Segundo" são os Livros Azul e Castanho e as Investigações Filosóficas.

Ludwig Wittgenstein (LW) nasceu na Áustria em 1889. Cresceu num lar que proporcionava um ambiente artístico e intelectual intenso e excepcional. O filósofo começou seus estudos de engenharia na Universidade de Berlim e continuou em Manchester, dedicando-se à investigação aeronáutica durante vários anos. Após ler Russell, seus interesses passaram para os problemas dos fundamentos da matemática e, consequentemente, para a lógica e a filosofia. A partir de 1912, continuou seus estudos em Cambridge, onde mais tarde foi nomeado professor. Morreu de câncer em Cambridge em 1951. Muitos autores influenciaram seu pensamento, incluindo Frege (considerado um dos fundadores da lógica, da matemática e da filosofia da linguagem moderna) e Russell (que tem uma teoria denotativa que em parte vem de Hume). Wittgenstein aceita esta teoria, mas a torna mais complexa.

Wittgenstein foi um filósofo muito importante durante o século XX. Sua obra mais importante começou a criar uma escola, mas sua relação com a filosofia e os círculos acadêmicos foi sempre instável e perturbada, tal como a sua própria vida. A exigência de dois períodos no pensamento de Ludwig criou duas correntes independentes na filosofia inglesa. A época em que o filósofo viveu, do final do século XIX ao século XX, foi caracterizada por avanços na medicina, teologia e ciência em geral, o fim da escravidão nos países desenvolvidos e a libertação das mulheres na maioria dos países, mas também pela crise e pelo despotismo humano, causando efeitos como guerras, genocídio, exclusão social e política, desemprego e pobreza.

RESUMO: O CONCEITO DE DIZER E MOSTRAR

Este fragmento pertence a uma das obras mais importantes de Wittgenstein, o Tractatus Logico-Philosophicus. O tema principal deste texto mostra-nos os limites da linguagem: o que pode ser dito e que, para além destes limites, é um encontro com o inexplicável. Primeiro, ele diz que a linguagem descreve o mundo e que só podemos fazer perguntas que podemos responder, e que devemos hesitar em perguntar o que não podemos. A segunda parte fala sobre os problemas vitais que estão além da linguagem e, portanto, das perguntas e respostas.

A Noção de Dizer e Mostrar

Uma proposição só tem sentido quando representa uma situação que pode ocorrer na realidade. ***O que é dito*** é uma frase que serve para representar uma realidade. Qualquer objeto real pode ser dito através da linguagem. ***O que é mostrado*** não é um objeto real, mas é o que permite à linguagem referir-se a objetos reais e ter significado. Numa frase, *diz-se* algo significativo a respeito do mundo: ela tem uma forma lógica comum com a realidade. A lógica, no entanto, não se *diz*, porque não é um objeto do mundo, mas ***é a*** linguagem de cada proposição. Ele também garante que os seres humanos só poderiam descrever o que está fora da lógica da linguagem. A linguagem, ao tentar representar a si mesma, é autorrepresentativa. Wittgenstein distingue ainda mais entre o que pode e o que não pode ser dito. Esses limites são determinados pela noção de ***forma lógica*** e pela diferença entre ***dizer*** e ***mostrar***. A forma lógica estabelece limites, porque a linguagem não pode ser usada para se referir a um estado de coisas que não é possível na realidade. Por exemplo, a metafísica tradicional ultrapassa os limites marcados pela linguagem ao fazer referência a entidades não observáveis, como a alma. Tradicionalmente, as afirmações filosóficas representavam algo logicamente impossível, criando *pseudoproposições* que estão enraizadas num mau uso da linguagem. A diferença entre *dizer* e *mostrar* evidencia também os limites da linguagem. O que é *mostrado* (como a lógica, a ética, a estética, etc.) é a base da vida, mas a linguagem é incapaz de o descrever: é o ***místico***. A lógica ou a ética dizem respeito aos aspectos que a linguagem apenas *mostra*, e não *diz*.

CRÍTICA AO USO DA LINGUAGEM NA FILOSOFIA

A consequência lógica da teoria da linguagem defendida por Wittgenstein no seu Tractatus (isto é, a correspondência entre a linguagem e o mundo, em que o primeiro deve corresponder aos estados de coisas no segundo) é a crítica aprofundada à forma como a linguagem tem sido usada na filosofia tradicional. Tudo o que pode ser dito claramente pertence à ciência natural (o conjunto de proposições verdadeiras sobre estados de coisas atuais). O que dizer, então, do resto da atividade da linguagem? A ética, por exemplo, fala do bem e do mal; a metafísica, do ser e do não-ser; a estética, da beleza e da feiura; a teologia, do sagrado e do sublime, e assim por diante. O que fazer com todos os discursos que tratam do sentido da vida e tantas outras coisas sobre as quais nunca podem ser relevantes estados de coisas no mundo? Nunca se terá um fato real (cientificamente descritível) a respeito de Deus, da bondade ou da beleza. Mesmo na análise de um Velázquez, não encontramos propriedades físico-químicas dos componentes que se apliquem à beleza. São condenados os disparates da "linguagem" que viola os limites do mundo, referindo-se a algo que parece estar fora do "mundo", algo que não é de todo uma coisa do mundo. Assim, a ética e a estética caem no absurdo quando se tenta dizer algo, confundindo o bom, o belo ou o sublime com um objeto ou estado de coisas.

O papel da filosofia é ser uma análise crítica da linguagem que nos cure das nossas reivindicações tradicionais de dizer o que não pode ser dito (que proposições podem ser construídas que podem ser verdadeiras ou falsas sobre objetos no mundo) e, nessa medida, cura-nos do absurdo e do disparate a que podem levar as nossas declarações metafísicas. A aspiração com que termina o Tractatus ("O que não se pode falar, deve-se calar") foi interpretada pelos membros do Círculo de Viena, em sentido restrito, como condenando as pretensões de seriedade de qualquer discurso fora das ciências. Mas o próprio Wittgenstein admitiu, em seu segundo período, outras linguagens legítimas diferentes das ciências naturais. Nessas obras, Wittgenstein distancia-se desses intérpretes do Tractatus. O objetivo do Tractatus é estabelecer a função e o uso legítimo da linguagem. A linguagem só pode descrever os fatos, por isso há muitos aspectos da vida que estão além das possibilidades expressivas da linguagem. O autor chamava estes aspectos indizíveis de ***místico***. Wittgenstein considera a linguagem como um intermediário entre o pensamento e a realidade: a linguagem é a manifestação de pensamentos, e estes só se manifestam através da linguagem. Falar e pensar são praticamente os mesmos, embora a linguagem não permita transmitir todos os pensamentos, mas apenas aqueles que se relacionam com o mundo e o descrevem. A linguagem é composta por elementos mais simples. A posição de cada elemento tem uma influência determinante, pois pode mudar o significado da oração. O autor usa isto para resolver o problema do significado. Se a linguagem faz sentido, é porque ela compartilha o mesmo componente lógico da realidade, que Wittgenstein chama de ***forma lógica***.

RESUMO: FILOSOFIA E O CONCEITO DE CIÊNCIA

Este fragmento pertence a uma das obras mais importantes de Wittgenstein, o Tractatus Logico-Philosophicus. O tema principal do texto é saber qual o método correto da filosofia. Primeiro, afirma que o método não diria nada mais do que o que se pode dizer. Em segundo lugar, podemos dizer o que a filosofia diz, que é comparável à teoria de referência da linguagem. Também nos diz que o mundo consiste em fatos. Tudo o que não é fato não tem valor. O que importa é o que não pode ser encontrado, que deve ser silenciado porque não está escrito. Então, é preciso superar essas proposições para ver o mundo corretamente.

CIÊNCIA E O INDIZÍVEL

A consequência lógica das teorias da linguagem defendidas por Wittgenstein no seu Tractatus é uma crítica profunda à forma como tem sido usada na filosofia tradicional. Tudo o que pode ser dito claramente pertence à ciência natural. A ética fala do bem e do mal, a metafísica do ser e do não-ser, a estética da beleza e da feiura, a teologia do sagrado e do sublime, etc. Nunca se terá um fato real a respeito de Deus, da bondade ou da beleza. Portanto, seria condenar o absurdo da "linguagem" que viola os limites do mundo, referindo-se a algo que parece estar fora do mundo, algo que não é de todo uma coisa do mundo. Consequentemente, a ética e a estética caem no absurdo quando se tenta dizer algo, confundindo o bom, o belo ou o sublime com um objeto ou estado de coisas. A função da filosofia como uma análise crítica da linguagem consiste em curar-nos das nossas reivindicações tradicionais sobre aquilo que não pode ser dito. A declaração com que o Tractatus termina ("Do que não se pode falar, é preciso ficar em silêncio") foi interpretada pelos membros do Círculo de Viena como uma condenação das pretensões de seriedade fora das ciências. Nessas obras, Wittgenstein distancia-se dessas interpretações de si mesmo como o autor do Tractatus.

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