Alberto Caeiro: O Mestre do Sensacionismo em Fernando Pessoa

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O pensamento de Alberto Caeiro sublima o real numa atitude panteísta — doutrina filosófica que defende que tudo é Deus, considerando a Natureza e o Universo divinos. Nesta visão, ao divinizar as coisas e a Natureza, Caeiro desvaloriza a importância do tempo.

O Mestre dos Heterónimos

Caeiro é o mestre de todos os sujeitos poéticos pessoanos, sendo o único que atinge a paz, a tranquilidade e a serenidade através da recusa do pensamento e da valorização do sentir. Em Caeiro, encontramos a inocência e a constante novidade das coisas. Com a intelectualidade do olhar, liberta-se dos preconceitos, recusando a metafísica, o misticismo e o sentimentalismo. Os seus ensinamentos, ao trazerem o ser humano ao quotidiano e à simplicidade da Natureza, e ao encarnarem a essência do sensacionismo, tornam-no mestre de Fernando Pessoa ortónimo e dos seus heterónimos.

A Relação com os Outros Heterónimos

  • Fernando Pessoa (Ortónimo): Descrê da possibilidade de compreender o mundo pelo conhecimento. Contudo, enquanto Caeiro aceita tacitamente a realidade, o ortónimo dececiona-se e experimenta o desespero, tentando eliminar a "dor de pensar".
  • Álvaro de Campos: Procura aplicar a lição sensacionista ao mundo da máquina. Contudo, ao não conseguir acompanhar a pressa mecanicista e a desordem das sensações, sente uma desumanização e frustração, carecendo da tranquilidade típica de Caeiro.
  • Ricardo Reis: Adquiriu a lição do paganismo e reflete sobre a brevidade da vida, consciente de que tudo é efémero. Enquanto Caeiro vê o mundo sem necessidade de explicações, Reis procura vivenciar poeticamente um sensacionismo de caráter reflexivo, com a emoção controlada pela razão.

Como afirmou Fernando Pessoa: “Pus no Caeiro todo o meu poder de despersonalização dramática, pus em Ricardo Reis toda a minha disciplina mental, pus em Álvaro de Campos toda a emoção que não dou nem a mim nem à minha vida.”