Alvenaria Estrutural: Tipos, Materiais e Técnicas Construtivas

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Alvenaria estrutural: é o processo construtivo no qual os elementos que desempenham a função estrutural são de alvenaria, sendo os mesmos projetados, dimensionados e executados de forma racional.

Alvenaria de vedação ou de fechamento: quando não é dimensionada para resistir aos carregamentos verticais, assim resiste apenas ao seu peso próprio. São utilizadas para fechamento de vãos e delimitação de áreas.

Alvenaria de divisão: painéis executados com blocos ou elementos especiais (drywall - gesso acartonado), para divisão de ambientes, internamente, nas edificações.

Materiais

Tijolos cerâmicos: elementos fabricados por prensagem ou extrusão da argila, que após um processo de pré-secagem natural, passa por um sistema de queima controlado sob alta temperatura, produzindo elementos maciços ou furados com dimensões padronizadas e normatizadas. São tradicionalmente utilizados nas alvenarias de vedação nas construções.

Blocos cerâmicos: utilizados nas alvenarias estruturais.

Blocos de concreto: são elementos produzidos com dimensões de 19x19x39 cm e 15x19x39 cm, vazados, com resistência à compressão de até 30 MPa, assentados com argamassa. São utilizados em sistemas de construção em alvenaria estrutural.

Blocos sílico-calcário: são elementos produzidos com areia e cal virgem endurecidos ao vapor sobre pressão, com as mesmas características dos blocos de concreto.

Propriedades das alvenarias

Regularidade dimensional: blocos regulares permitem assentamento uniforme, além de proporcionar economia de material de assentamento.

Fornecimento/embalagem: a forma de cura e acondicionamento facilitarão a integridade dos blocos e o transporte até os pavimentos, evitando quebras e lascamentos.

Absorção de água: elementos com baixa absorção de água podem comprometer a penetração da nata de cimento nos seus poros, acarretando prejuízo na aderência com a argamassa de assentamento. Produtos sujeitos a grandes retrações de secagem ou que absorvam mais umidade tenderão a surgir nas paredes já acabadas, induzindo maior probabilidade de formação de fissuras e destacamentos.

Tamanho do bloco: está diretamente ligado à capacidade da alvenaria em absorver movimentações oriundas de dilatação térmica e eventuais recalques. Quanto menor o número de juntas, maior o poder de movimentação. Portanto, quanto maior a dimensão dos blocos, menor o número de juntas.

Movimentações térmicas: frente às oscilações da temperatura, as alvenarias terão diferentes comportamentos dependendo do material que compõe os blocos, que apresentarão diferentes variações dimensionais. Esse comportamento pode acarretar destacamento entre alvenaria e estrutura. A cor da pintura externa influencia diretamente a escala dessas movimentações.

Desempenho termo-acústico: dependerá da inércia térmica, que é função da massa da parede e do calor específico do material, e da presença de camadas confinadas de ar.

Estanqueidade: requisito de extrema importância das alvenarias que compõem a fachada de edifícios. A penetração de água tem graves consequências na sanidade e habitabilidade das edificações e na durabilidade dos materiais.

Resistência à compressão das alvenarias

Fatores que intervêm na resistência final de uma parede submetida a esforços de compressão:

  • Resistência dos blocos à compressão;
  • Resistência da argamassa;
  • Geometria dos blocos;
  • Rugosidade superficial e porosidade;
  • Espessura e tipo das juntas;
  • Qualidade da execução.

Grautes: é um concreto fino (microconcreto), formado de cimento, água, agregado miúdo e agregados graúdos de pequena dimensão (até 9,5 mm), devendo apresentar como característica alta fluidez.

Argamassas: é o componente utilizado na ligação entre os blocos, sendo composta de cimento, agregado miúdo, água e cal, sendo que algumas argamassas industrializadas podem apresentar adições para melhorar determinadas propriedades.

Funções: unir as unidades, garantir a vedação, compensar as variações dimensionais das unidades.

Propriedades: retenção d'água, conveniente resistência à compressão, trabalhabilidade.

Detalhes construtivos

  1. Juntas de assentamento;
  2. Juntas de controle;
  3. Encontro entre paredes-amarrações;
  4. Vergas e contravergas;
  5. Ligações com os pilares;
  6. Encunhamentos.

Juntas de assentamento: côncavas e em V são recomendadas. Rebaixadas e planas não recomendadas.

Juntas de controle: são utilizadas a fim de evitar a ocorrência de fissuras e destacamentos provocados por movimentações higrotérmicas dos materiais.

Encontro entre paredes-amarrações: consideram-se alvenarias amarradas as que apresentam juntas verticais descontínuas nos encontros entre as paredes, da seguinte forma: L, T ou cruz. Deve-se evitar juntas aprumadas.

Vergas e contravergas: com a finalidade de absorver tensões que se concentram nos contornos dos vãos (portas e janelas), oriundas de deformações impostas, é necessário prever a execução de vergas, contravergas e cintas de amarração. A verga é o elemento estrutural localizado sobre o vão e a contraverga é o reforço colocado sob a abertura.

Ligações com os pilares: devem ser consideradas as diferentes propriedades térmicas entre o concreto e o material constituinte dos blocos, os gradientes térmicos das fachadas, as dimensões dos painéis e a flexibilidade da estrutura. Podem ser executadas com ferros de espera introduzidos na concretagem do pilar, ou posteriormente, com tela. Pode também ser reforçada com a inserção de tela metálica na argamassa de revestimento.

Encunhamentos: na alvenaria de vedação, durante a cura da argamassa ocorre uma pequena redução de dimensões. Por esse motivo, junto às lajes ou vigas superiores, após um tempo mínimo de 10 dias, deve-se executar o encunhamento, que é realizado com o assentamento na última fiada de tijolos cerâmicos maciços (cozidos) um pouco inclinados com argamassa relativamente fraca.

Alvenaria de vedação com tijolos cerâmicos

Usualmente são empregadas em alvenarias de vedação e, a qualidade está intimamente ligada à qualidade da estrutura, seja em termos de regularidade geométrica ou em termos de comportamento mecânico. Normalmente são apoiadas sobre vigas, lajes ou paredes estruturais. A execução das alvenarias deve seguir rigorosamente as indicações de projeto, traços de argamassa, vãos e demais detalhes.

Espessura das alvenarias: as espessuras são variáveis de acordo com o posicionamento dos tijolos ou blocos:

  • Alvenaria a cutelo: construída no sentido da sua menor espessura.
  • Alvenaria de meia vez (meio tijolo): os tijolos são assentados no sentido longitudinal.
  • Alvenaria de uma vez (um tijolo): os tijolos são assentados no sentido transversal.
  • Alvenaria de uma vez e meia (um tijolo e meio): os tijolos são assentados considerando seus sentidos longitudinais e transversais.

Alvenaria estrutural

A alvenaria estrutural pode ser classificada quanto ao processo construtivo empregado, quanto ao tipo de unidades ou ao material utilizado, da seguinte forma: alvenaria armada, alvenaria não armada e alvenaria parcialmente armada.

Alvenaria estrutural armada: é o processo construtivo em que, por necessidade estrutural, os elementos resistentes (estruturais) possuem uma armadura passiva de aço. Essas armaduras são dispostas nas cavidades dos blocos (pilaretes nos furos dos blocos) que são posteriormente preenchidas com microconcreto (graute).

Alvenaria estrutural não armada: é o processo construtivo em que nos elementos estruturais existem somente armaduras com finalidades construtivas, de modo a prevenir problemas patológicos (fissuras, concentração de tensões, etc.).

Alvenaria estrutural parcialmente armada: é o processo construtivo em que alguns elementos resistentes são projetados com armadura e outros sem armadura. Os pilaretes são executados apenas nas paredes mais carregadas.

As vantagens no seu uso são: redução de custos, menor diversidade de materiais empregados, redução da diversidade de mão de obra especializada, maior rapidez de execução, robustez estrutural.

Argamassas: a argamassa deve ter capacidade de retenção de água suficiente para que, quando em contato com unidades de elevada absorção inicial, não tenha suas funções primárias prejudicadas pela excessiva perda de água para a unidade. É importante também que seja capaz de desenvolver resistência suficiente para absorver os esforços que possam atuar na parede logo após o assentamento.

Os detalhes construtivos mencionados para a alvenaria de vedação também são válidos para a alvenaria estrutural. Além destes, têm-se os que seguem:

  1. Coordenação de projetos;
  2. Coordenação modular;
  3. Embutimento das instalações;
  4. Fixação de caixilhos.

Alvenaria de divisão

É uma ótima solução para alvenaria, principalmente em edificações de grande porte e locais que exigem melhores performances acústicas. O sistema é constituído por perfis de chapas de aço galvanizado, guias e montantes, sobre os quais são fixadas chapas de gesso, criando uma superfície pronta para receber o acabamento final.

São chapas fabricadas industrialmente, mediante um processo de laminação contínua de uma mistura de gesso, água e aditivos entre duas lâminas de cartão.

Locais com grande incidência de umidade (banheiros, cozinhas e lavanderias) é necessário que seja feita uma impermeabilização adequada nos rodapés das paredes com a utilização de mantas (de base asfáltica ou de polímeros modificados com cimento).

Os perfis mais importantes são:

  • Guias: são os perfis fixados no piso e teto, seguem o alinhamento da parede;
  • Montantes: se encaixam nas guias e servem de suporte às placas de gesso, reforço de batentes e outros;
  • Cantoneira: utilizada em cantos vivos, suporte de instalações, etc.

Fixação:

  • Buchas plásticas e parafusos com diâmetro mínimo de 6 mm;
  • Rebites metálicos com diâmetro mínimo de 4 mm;
  • Fixações à base de tiros com pistolas específicas para esta finalidade.

Massa para colagem e juntas: são massas específicas para o acabamento das juntas entre chapas de gesso. Estas massas devem ser utilizadas juntamente com fitas apropriadas. A utilização das massas e fitas de rejunte assegura o acabamento sem trincas.

Fitas: são fitas componentes utilizadas para o acabamento e para melhorar o desempenho do sistema drywall.

Reforços: armários, prateleiras, suportes para TV, têm pesos superiores aos suportados pelas paredes, exigindo reforços que são fixados entre os montantes de aço. Geralmente esses montantes são peças de madeira, acessórios metálicos ou ainda montantes acoplados.

Instalações: não há diferença nas instalações elétricas no sistema drywall; os conduítes são colocados antes do fechamento total da parede; a caixa de passagem e distribuição específicas para drywall possuem presilhas e ficam presas diretamente no painel; são fixadas sobre uma barra instalada entre os montantes.

Sequência de montagem

  1. Marcação;
  2. Fixação das guias;
  3. Colocação dos montantes;
  4. Chapeamento;
  5. Acabamento.

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