Antidepressivos e Estabilizadores do Humor: Guia Completo
Medicamentos Antidepressivos e Estabilizadores do Humor
Transtorno do humor: alterações drásticas do humor que implicam em grande sofrimento psíquico.
Classificação dos Transtornos do Humor
- Transtornos do humor: Transtorno Depressivo Maior, Transtorno Distímico e Transtorno Depressivo sem outra especificação.
- Transtornos Bipolares: Bipolar 1, Bipolar 2, Transtorno Ciclotímico e Bipolar sem outra especificação.
Histórico e Evolução
Mogens Schou: Responsável pelo primeiro estudo controlado com Lítio, demonstrando suas propriedades terapêuticas como um estabilizador do humor.
Iproniazida: Desenvolvida originalmente para o tratamento da Tuberculose. Na década de 50, foi demonstrado que ela também possui efeitos antidepressivos como um Inibidor da Monoamina Oxidase (IMAO), enzima que metaboliza monoaminas.
Imipramina: Possui estrutura semelhante à Clorpromazina, porém sem efeito antipsicótico. Em 1956, suas propriedades antidepressivas foram demonstradas.
Classes de Medicamentos Antidepressivos
Os medicamentos antidepressivos dividem-se em: Inibidores da MAO (IMAOs), Antidepressivos Tricíclicos (ou de 1ª geração) e Antidepressivos de 2ª geração (ou atípicos, onde se incluem os inibidores seletivos da recaptação de Serotonina, Noradrenalina ou ambas).
1. IMAOs (Inibidores da Monoamina Oxidase)
- IMAOs Irreversíveis: Os primeiros eram irreversíveis; após ligarem-se à enzima, assim permaneciam. A recuperação da atividade enzimática só ocorria após a síntese de novas enzimas. Problema: Substâncias contendo Tiramina (queijos, vinhos e algumas carnes) liberam noradrenalina de seus terminais. Na ausência da MAO, a noradrenalina não metabolizada acarreta ativação exagerada do sistema simpático e consequente aumento da pressão arterial.
- IMAOs A Reversíveis: Como a Moclobemida (Aurorix®). Sua ligação com a MAO-A pode ser rompida, atenuando os efeitos adversos dos IMAOs irreversíveis.
2. Antidepressivos Tricíclicos
Primeira classe de drogas antidepressivas desenvolvidas (ex: Imipramina, Tofranil®). Inibem a recaptação de Noradrenalina, Serotonina e Dopamina (em menor grau). Possuem baixo índice terapêutico; doses elevadas podem ser fatais.
3. Antidepressivos de 2ª Geração
- Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS ou SSRI);
- Inibidores da recaptação de Serotonina e Noradrenalina (inibidores de dupla recaptura);
- Inibidores de recaptação/antagonistas da Serotonina 2;
- Moduladores Serotonérgicos.
ISRS: Inibem seletivamente a recaptação de Serotonina (Ex: Fluoxetina - Prozac®). Não interferem com receptores histamínicos, adrenérgicos ou muscarínicos.
Moduladores Adrenérgicos: Ex: Bupropiona (Zyban®). Atua na inibição da recaptação de Noradrenalina e Dopamina.
Inibidores da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina: Também conhecidos como inibidores de dupla recaptura.
Moduladores Serotonérgicos: Ampliadores da recaptação de Serotonina (representados pela Tianeptina - Stablon®), antagonistas 5-HT2 puros (Ritanserida), agonistas 5-HT1A (Buspar®) e a polifarmácia de molécula única desenvolvida para atuar em mais de um sítio terapêutico.
Farmacocinética dos Antidepressivos
- Possuem metabolismo de 1ª passagem;
- A biodisponibilidade fica em torno de 40-70%;
- Apresentam meia-vida longa, o que permite a utilização em doses únicas;
- Podem produzir interações com outras drogas.
Farmacoterapia do Transtorno Bipolar
Lítio: Cerca de 75% dos pacientes tratados podem apresentar algum efeito adverso, como ganho de peso, problemas cognitivos, tremores, etc. Possui baixo índice terapêutico. Sua absorção ocorre no trato digestivo e a excreção é por via renal.
Outros estabilizadores do humor: Ácido Valpróico e Carbamazepina.
Hipótese Monoaminérgica
Baseia-se na neurotransmissão Noradrenérgica ou Serotonérgica:
- Reserpina: Bloqueava a captação de monoaminas pelas vesículas e acarretava depressão em 20% dos pacientes;
- IMAO: Bloqueia a ação da MAO e promove melhora do humor.
O humor está ligado à neurotransmissão mediada por monoaminas, em especial Noradrenalina e Serotonina.
Problemas com a Hipótese:
- A ação da droga é imediata, mas seu efeito terapêutico demora para ocorrer;
- Drogas que aumentam a quantidade de Noradrenalina ou Serotonina na fenda sináptica nem sempre são eficazes como antidepressivos.
Adendos à Hipótese:
São necessárias ocorrências de alterações plásticas. O neurotransmissor (NT) aumenta na fenda sináptica com a ação das IMAOs, porém os NTs interagem não apenas com receptores pós-sinápticos, mas também com autorreceptores, o que inibe a liberação dos NTs pelo neurônio pré-sináptico. Somente com o tratamento continuado ocorre uma dessensibilização de autorreceptores, levando a um hiperfuncionamento dos sistemas. Este hiperfuncionamento sub-regula receptores pós-sinápticos (serotonérgicos e adrenérgicos), surgindo então o efeito terapêutico.
É possível que os efeitos terapêuticos advenham também da atuação em sistemas de segundo e terceiro mensageiros.
Participação do Eixo HPA e Neurotrofinas
A Hipótese da Diátese-Estresse:
- Diátese: Predisposição genética a um quadro clínico.
- Diátese-Estresse: Fatores ambientais (como traumas na infância) são riscos importantes para o desenvolvimento de transtornos de humor em adultos.
Tanto na ansiedade como na depressão, observa-se hiperatividade do eixo HPA; por isso, as duas condições frequentemente coexistem.
Antidepressivos e Fatores de Crescimento: As Neurotrofinas (ex: BDNF) promovem o crescimento de neurônios imaturos e protegem neurônios maduros. Tanto antidepressivos quanto o eletrochoque aumentam a expressão do RNAm do BDNF.