A Dúvida – Ao filósofo exige-se que duvide de tudo aquilo que é assumido como uma verdade adquirida. Ao duvidar, este distancia-se das coisas, quebrando, desta forma, a sua relação de familiaridade com elas. O que era natural torna-se problemático. O que então emerge é uma dimensão inquietante de insatisfação e problematização. A reflexão começa exatamente a partir do exame daquilo que se pensa ser verdadeiro. Se nunca duvidarmos de nada, nunca saberemos o fundamento daquilo em que acreditamos, mas também jamais pensaremos pela nossa própria cabeça.
O Rigor – O questionamento radical que anima o verdadeiro filósofo não é mais do que um ato preparatório para fundar um novo saber sobre bases mais sólidas. A crítica filosófica é, por isso, radical; não admite compromissos com as ambiguidades, as ideias contraditórias ou os termos imprecisos.
A Insatisfação – A filosofia revela-se uma desilusão para quem quiser encontrar nela respostas para as suas inquietações. O que o aprendiz de filósofo encontra na filosofia são perguntas, problemas e incitamentos para que não confie em nenhuma autoridade exterior à sua razão, para que duvide das aparências e do senso comum. A única "receita" que os filósofos lhe dão é que faça da procura do saber um modo de vida. Não se satisfaça com nenhuma conclusão; queira saber sempre mais e mais.
Distinguir Filosofia Espontânea e Sistematizada
A filosofia espontânea é comum a todos nós, pois todos refletimos sobre problemas que a vida nos coloca e alguns deles são de natureza filosófica. É uma filosofia amadora expressa em ditados populares, crenças e ideologias... É uma reflexão pouco rigorosa e pouco profunda, mas faz parte das experiências do dia a dia do homem.
A filosofia sistematizada procura ser coerente, rigorosa, organizada e crítica. Trata-se de um filosofar técnico que cabe aos filósofos profissionais.
Características do Saber Filosófico
Radicalidade – A atitude filosófica implica ir à raiz das questões, não se satisfazendo com respostas parciais e superficiais. A cada resposta surge uma nova pergunta.
Historicidade – As filosofias sofrem a influência do seu tempo e da sua época; contribuem também para as transformações sociais e não descartam o conhecimento desenvolvido ao longo da história, servem-se dele.
Universalidade – A filosofia estuda a totalidade do real e pode ser exercida por qualquer pessoa. As questões abordadas pela filosofia são de interesse de todos os seres humanos.
Autonomia – A filosofia é capaz de pensar por si mesma, tornando-se independente da ciência, do senso comum e da religião.