A Bíblia: Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade

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1. A Bíblia
A Bíblia é uma biblioteca de livros composta por cerca de 72 obras escritas por diversos autores, em diferentes lugares e culturas. Levou pelo menos 10 séculos para ser escrita, refletindo variados estilos de vida. A primeira impressão de um livro foi a da Bíblia, com cerca de 100 cópias na Alemanha. É o livro mais vendido e continua sendo o mais importante para muitas pessoas.

Originalmente escrita em três idiomas, foi necessário traduzi-la para a plena compreensão de leitores de outros lugares com linguagens diferentes; ela já foi traduzida mais de 400 vezes. A Paixão de Cristo é um tema recorrente em filmes dramáticos, desenhos animados e outras mídias. A Bíblia utiliza muitas metáforas, tratando da sabedoria, da dor e até do amor erótico e sensual. A Bíblia vem do povo, nasceu em uma comunidade e a ela pertence.

2. Quando surge a comunidade deste livro
Começa a ser escrita durante o período no deserto. Longe de seus antepassados, sem falar a língua original ou praticar seus costumes, surgiu a ideia de recolher memórias, grandes figuras históricas, hinos e salmos. Para eles, possuir esses escritos era como ter a história de seu povo e sua própria constituição. Desde que este livro surgiu, o mundo judaico atribuiu grande importância à cultura e à escola; na Bíblia, a palavra é fundamental, pois pode carregar múltiplos significados.

Gêneros literários utilizados na Bíblia

Para compreender um texto, deve-se considerar o gênero literário, pois cada um possui características próprias. É preciso ter em mente quem o escreveu e o contexto da época. Na Bíblia, encontramos diversos gêneros:

  • Gênero Midrash ou Midráshico: Midrash significa "escavar", implicando que, ao escavar, busca-se algo profundo. Nessas histórias, os protagonistas são geralmente homens, mas também há mulheres. Os personagens podem ser baseados em figuras reais ou simbólicas. Apresenta a vida como um exemplo de modelo.
  • Gênero Narrativo: Possui subgêneros como as parábolas (histórias curtas com moral), os épicos (sobre o passado heróico e tradição oral), as crônicas (dados históricos) e o gênero histórico (vida de pessoas e eventos reais).
  • Estilo Epistolar: Um tipo muito pessoal, semelhante a cartas.
  • Mitos: Histórias antigas que expressam a condição humana; embora alguns pensem ser algo falso, nada está mais longe da verdade.

Materiais e autores da Bíblia: Inspiração e revelação

1. Materiais

  • Pedra: Material comum (ex: as Tábuas de Moisés).
  • Estelas: Colunas de pedras esculpidas.
  • Óstraca: Escrita em argila ou conchas.
  • Couro: Mais portátil que a pedra.
  • Papiro: Folhas vegetais secas para escrita.
  • Rolo de papel/pergaminho: Escrito em ambos os lados, feito de peles de ovelhas ou vacas.
  • Pergaminho: Pele de cordeiro recém-nascido. Uma edição de 100 exemplares exigia cerca de 5.000 peles.
  • Papel: Usado a partir de 1455 com o surgimento da imprensa.

Os instrumentos dependiam do material: ponteiros e talhadeiras para pedra; canas, penas e gravetos para outros materiais. As tintas eram feitas de terra, folhas secas e resíduos de óleo. O papel da mesa servia para escrever e pintar, sendo essencial para compor o rolo.

2. Línguas em que a Bíblia foi escrita

Hebraico: A maior parte do Antigo Testamento, sem vogais, com 22 consoantes, lido da direita para a esquerda. Valoriza o concreto e é um sinal de identidade.

Aramaico: Mistura do hebraico com outras línguas, ainda falada na Síria. Foi a língua oficial do Império Persa. Letras possuem valores numéricos comparativos.

Grego: Língua do Novo Testamento, de caráter filosófico. A Bíblia foi traduzida para 1.600 idiomas e dialetos (como o Quíchua). A primeira tradução importante foi a Septuaginta (dos 70), feita em Alexandria. Outra versão crucial foi a Vulgata em Latim (século V). Destaca-se também a Bíblia Poliglota de Alcalá de Henares (6 volumes) e a de San Luis em Toledo (3 volumes, em latim com iluminuras em ouro). A Bíblia foi traduzida para o espanhol na Idade de Ouro.

3. Autoria e inspiração

Moisés é atribuído como autor dos primeiros cinco livros; Salomão e Davi (Salmos) também são autores destacados. No Novo Testamento, temos Paulo, João, Mateus, Marcos e Lucas. O autor principal é o Espírito, que inspira os autores secundários sem anular sua humanidade. A inspiração é vista como uma "impressão digital" divina.

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