Brasil Colônia: Economia, Administração e Mão de Obra
Brasil Colônia: América Portuguesa
No início, Portugal demonstrou pouco interesse pelo Brasil, motivado por:
- Aparentemente, a existência de apenas florestas.
- O foco nos lucros obtidos com o comércio no Oriente.
Pau-Brasil
O Pau-Brasil foi a primeira atividade econômica, caracterizada por:
- Prática predatória.
- Não provocou povoamento significativo.
- Feitorias: Espécie de depósitos.
- Estanco: Concessão dada pela Coroa Portuguesa a algumas pessoas para a extração do pau-brasil.
- O Pau-Brasil era um monopólio da Coroa Portuguesa, mas a França praticava contrabando.
- Escambo: Troca de mão de obra indígena (não escrava) por quinquilharias.
Período Colonial (1530-1822)
O interesse português se intensificou a partir de 1530 devido a:
- Prejuízos crescentes com o comércio no Oriente.
- Necessidade de uma nova fonte de renda.
- Pressão de potências europeias que invadiam o território (Portugal precisava povoar para garantir a posse).
Economia Colonial (de Exploração)
A economia era integrada ao sistema capitalista, caracterizada por:
- Latifúndios.
- Mão de obra escrava.
- Economia voltada para o mercado externo (a colônia servia como economia complementar: mercado produtor para a metrópole e consumidor de manufaturas).
A especialização econômica baseava-se em Monocultura, Escravos e Latifúndios (MEL).
Escolha da Cana-de-Açúcar como Principal Produto
Motivos:
- Era rara na Europa.
- Clima e solo favoráveis.
- Mão de obra em abundância.
1. Produção em Larga Escala
Grande quantidade para abastecer o mercado interno (a colônia era complementar).
2. Grandes Propriedades: Capitanias Hereditárias
O território foi dividido em 15 capitanias (poder político descentralizado), administradas por 12 Capitães Donatários (C.D.). As capitanias pertenciam ao rei; o Capitão Donatário arcava com todos os ônus (gastos) e se beneficiava.
Direitos do C.D.:
- Autonomia administrativa.
- Recebimento de taxas.
- Distribuição de terras (Sesmarias).
- Nomeação de funcionários.
- Justiça.
Deveres do C.D.:
- Povoamento.
- Defesa do território.
- Produção.
Sesmarias: Latifúndios distribuídos pelo C.D.
Fracasso das Capitanias
Razões:
- Desinteresse de alguns C.D's.
- Distância da metrópole.
- Ataques indígenas.
Únicas que deram certo:
- Pernambuco (Duarte Coelho).
- São Vicente (Martin Afonso de Sousa) – produção diversificada.
Governo Geral (Início em 1548)
Estabelecido para centralizar a administração e coordenar as ações dos C.D's.
Funções:
- Combater ataques indígenas e piratas.
- Incentivar os engenhos.
- Proibir a escravidão indígena.
Auxiliares: Ouvidor Mor (justiça), Provedor Mor (finanças), Capitão Mor (defesa).
Os Três Primeiros Governadores
- Tomé de Souza: Primeiro governador; organizou o Brasil, implementou as funções do G.G. e escolheu Salvador como capital por sua localização central.
- Duarte da Costa: Desorganizou; o Brasil foi invadido pelos franceses no Rio de Janeiro.
- Mem de Sá: Reorganizou; com seu irmão Estácio de Sá, expulsou os franceses.
Cada cidade possuía uma Câmara Municipal, responsável pela administração local, dominada pelos homens bons (latifundiários).
1580-1640: União Ibérica (Portugal-Espanha)
Monocultura: Especialização da produção de cana nos engenhos, cujo dono era o senhor de engenho.
Após um longo período de plantio contínuo, a qualidade e quantidade da terra diminuíram. Foi necessário aumentar a produção, retirando a produção de subsistência e o gado. Com isso, houve ultrapassagem do Tratado de Tordesilhas.
Questões Territoriais Pós-União Ibérica
- 1580: Início da União Ibérica.
- 1640: Fim da União Ibérica.
- Colônia do Sacramento (Uruguai): Tratado de Madri (1750) definiu que a Espanha ficaria com a Colônia do Sacramento e Portugal com os Sete Povos das Missões.
- Tratado de Santo Ildefonso (1777): Espanha ficou com C.S. e 7 P.M.; Portugal ficou com R.S. e S.C.
- Tratado de Badajoz (1801): Retorno ao estabelecido no Tratado de Madri.
Mercado Interno
Portugal não investia no mercado interno brasileiro porque o povo daqui era um grande consumidor de produtos europeus.
Atividades Complementares:
- Pecuária: Abastecimento da colônia, transporte e subprodutos (couro, carne). Desvantagens: pouco capital, grandes propriedades, técnicas rudimentares. Mão de obra livre (vaqueiro) e assalariada. Regiões: interior do Nordeste, Norte e Sul.
- Drogas do Sertão: Canela, cacau, ervas (incluindo maconha, segundo o texto original), temperos e remédios.
- Entradas (governo) e Bandeiras (particulares): Promoveram a interiorização do Brasil. Bandeiras focavam em: prospecção (busca de metais preciosos) e apresamento (busca de mão de obra indígena). Sertanismo de contrato visava capturar índios fugitivos e quilombolas.
Produtos para o mercado interno/externo: tabaco, aguardente, mandioca, drogas do sertão e cana.
Justificativa da Mão de Obra
Indígena (Não preferida)
Motivos para não ser usada:
- Os índios possuíam alma e deveriam ser catequizados.
- Eram considerados preguiçosos.
- Eram protegidos pelos jesuítas; leis proibiam sua escravidão, embora fossem utilizados.
Dificuldades com a mão de obra indígena:
- Produziam apenas o necessário.
- Resistência ao trabalho.
- Guerras.
- Baixa resistência a doenças.
- Dificuldade no “prendimento”.
- Fugas, pois conheciam o território.
Negra (Preferida)
Motivos para ser usada:
- Existência do tráfico negreiro.
- A crença de que os negros não possuíam “alma”.
Mão de Obra Escrava
As condições de sobrevivência eram péssimas. O navio negreiro (tumbeiro) tinha teto baixo, os escravos eram acorrentados, com alimentação precária, fazendo suas necessidades no próprio local.
Os escravos eram utilizados em todas as atividades. O escravo de ganho trabalhava no que queria, mas metade de seu pagamento ia para o dono.
Formas de Resistência (Nunca aceitaram passivamente): Revoltas organizadas, mutilações, assassinatos, suicídios e abortos.