Defesa criminal por estelionato: erro de tipo e cheque sem fundos (Súmula 246 STF)
Resumo
O documento apresenta uma peça de defesa preliminar em processo por estelionato (art. 171, §2º, VI, do Código Penal), na qual se sustenta a tese de erro de tipo (art. 20 do CP) em razão da ausência de dolo na emissão de cheque sem fundos. Também invoca a Súmula 246 do STF, segundo a qual não se configura o crime sem comprovação de fraude. O estudante verá como se estrutura a argumentação defensiva e como se datam as peças no prazo processual.
Pontos-chave
- O estelionato previsto no art. 171, §2º, VI, do CP não admite a modalidade culposa.
- O erro de tipo (art. 20 do CP) exclui o dolo e torna o fato atípico.
- Segundo a Súmula 246 do STF, comprovado não ter havido fraude, não se configura o crime de emissão de cheque sem fundos.
- A reparação imediata do cheque, com quitação ao título, é usada como prova de boa-fé.
- A peça defensiva é elaborada e datada no último dia do prazo processual.
Contexto Processual
Datando a peça no último dia do prazo.
O Promotor ofereceu a denúncia em face de Maria e Pedro como incursos no Artigo 171, parágrafo 2º, inciso VI, do Código Penal. O juiz recebeu a denúncia e os réus foram citados no dia de hoje (06/10/2015). Elabore medida cabível, datando a peça no último dia do prazo.
II - Dos Fundamentos Jurídicos
Preliminares
Do Erro de Tipo
Excelência, a acusação não pode prosperar, haja vista que a conduta não condiz com o delito previsto no Art. 171, §2º, VI, do CP, devido à inexistência de dolo na conduta praticada por Maria e nem Pedro. Isso pelo fato de ter emitido o cheque sem o conhecimento de que havia fundos na conta conjunta do casal e, tão logo tomou conhecimento de que o cheque fora devolvido por falta de fundos, imediatamente foi à loja e efetuou o pagamento, resgatando o título.
A conduta de Maria se enquadra no previsto no Artigo 20 do Código Penal (Erro de Tipo), pois, excluindo-se o dolo, também se esvazia o conteúdo punível da conduta e, consequentemente, o fato passa a ser atípico, não devendo a denunciada responder pelo crime de estelionato. Cabe também elucidar que o tipo penal de estelionato não prevê a conduta na modalidade culposa.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula 246, pacificou o entendimento de que “comprovado não ter havido fraude, não se configura o crime de emissão de cheque sem fundos”. Assim, conforme foi descrito anteriormente, não houve a vontade por parte de Maria em emitir um cheque sem fundos. O que de fato ocorreu foi um desencontro de informações entre a emissão da cártula e o saque do dinheiro pelo seu marido. Fato este que não configurou fraude, pelo fato de Maria não ter a intenção de frustrar o pagamento e, logo que descobriu que o cheque estava sem fundos, agindo de boa-fé, voluntária e imediatamente foi à loja e deu regular quitação ao título de crédito, recolhendo-o e retirando-o de circulação. Conduta essa que prova que Maria e Pedro não cometeram crime, apenas houve a necessidade de retirada urgente do dinheiro da conta conjunta.
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O estelionato na modalidade culposa é punível?
Não. Segundo o texto, o tipo penal de estelionato não prevê a conduta na modalidade culposa, por isso a ausência de dolo afasta o crime.
O que diz a Súmula 246 do STF?
Ela afirma que, comprovado não ter havido fraude, não se configura o crime de emissão de cheque sem fundos.
Quais são os efeitos do erro de tipo segundo o texto?
Excluindo-se o dolo, esvazia-se o conteúdo punível da conduta e o fato passa a ser atípico.
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