A Descrição: Estruturas, Tipos e Técnicas de Texto
O Texto Descritivo: Estruturas e Características
A descrição é a representação verbal de pessoas, objetos, momentos e sentimentos, utilizada diariamente com diferentes fins.
Definição e Diferenças entre Narração e Descrição
A descrição comunica uma imagem da realidade. Ela explica algo geralmente externo, enquanto a narrativa relata eventos e ações. Ambas são frequentemente combinadas na produção de atividades literárias.
Importância Didática e Formação Linguística
1. Comunicação e Representação da Realidade
Descrever é assumir a realidade dos fatos, reorganizá-los e transmiti-los. Não se comunica a realidade em si, mas a sua imagem. O estilo e a forma são definitivos na comunicação. O educador deve propor exercícios frequentes de narração e descrição, pois isso formará a sensibilidade do aluno.
2. Contribuições para a Formação Linguística
É importante realçar o estilo e as imagens usadas no texto para a formação linguística do aluno. O texto escrito, apresentado ao aluno, desempenha duas funções para o desenvolvimento da linguagem escrita:
- Tradução linguística: ampliando seu campo semântico.
- Assimilação de fragmentos de linguagem: de outros, aumentando seus recursos expressivos.
Descrição Indicativa (Objetiva)
O objetivo é listar com precisão as características que definem o objeto descrito. Requer:
- Uso de vocabulário técnico.
- Adjetivos e verbos especificados.
- Predominância do presente do indicativo (valor intemporal).
É predominante em textos referenciais e científicos.
Descrição Conotativa (Subjetiva)
Expressa a atitude subjetiva do autor e o que o tema sugere. Requer:
- Uso de léxico poético.
- Adjetivos explicativos, epítetos, comparações e metáforas.
- Predominância do presente e imperfeito do indicativo.
É o recurso predominante em textos poéticos, artísticos e literários.
Técnica Descritiva: Estática e Dinâmica
A descrição geralmente é estática, em contraste com a narrativa, que é dinâmica. Na descrição essencialmente estática, a realidade e o ponto de observação permanecem imóveis. Para que a descrição seja dinâmica, deve-se descrever a realidade como um conjunto de ações. O escritor, por vezes, adota um ponto de vista cinematográfico.
Descrição do Mundo Animado e Inanimado
Descrição do Mundo Inanimado
Devem-se destacar os aspectos mais surpreendentes e característicos do objeto descrito. Recursos frequentemente usados incluem:
- Personificação (encarnação).
- Identificação do proprietário.
- Comparações.
Descrição do Mundo Animado
1. A Topografia
É a descrição de uma paisagem, compreendida não só como um conjunto natural, mas também como objetos de produção humana. A formulação linguística da topografia é repleta de substantivos concretos e nomes de lugares, adjetivos especificadores e não apresenta progressão temporal no relato.
Em estado puro, torna-se um relatório técnico de um geógrafo, com pouca projeção do olhar de quem vê. O mais comum é que a escolha das cores e dos volumes seja consistente com a pintura da época. Se o objeto de descrição for tratado como um sinal de uma cultura, os conceitos se aproximam da psicologia social ou etnografia. Raramente aparece sem algumas destas variantes. Não é estranha a inclusão de opiniões pessoais que o observador pode usar para enquadrar os personagens em ação.
2. A Cronografia
Consiste na descrição de uma época ou cultura a partir dos elementos físicos e espirituais que a caracterizam, em detrimento de outras épocas (anterior ou posterior). Usam-se frequentemente objetos, costumes e eventos de grande impacto social para a variedade descritiva. Estudos históricos baseados nesta técnica descritiva tornaram-se moda recentemente. A cronografia ajuda o leitor a se aproximar do tempo descrito.
3. Descrição de Animais
Se a descrição for ajustada ao interesse científico, organizamos os dados sobre o animal de acordo com as características da espécie a que pertence, indo do geral para o específico. Se a descrição for mais livre, podemos destacar as características que mais atraem a nossa atenção: o tamanho, a cor, o olhar (feroz ou inofensivo), etc.
Descrição de Pessoas: O Retrato Físico e Psicológico
O Retrato: A Prosopografia e a Etopeia
O retrato é a descrição de uma pessoa, seja em suas características físicas (prosopografia) ou morais/psicológicas (etopeia). Muitas vezes, o retrato combina a descrição física e moral, intercalando a imagem física, a mente, as características do corpo e o vestuário.
Durante a Idade Média, estabeleceu-se uma ordem fixa para o retrato do corpo que evoluiu, mas hoje raramente se segue essa ordem natural fixa. Os escritores tendem a negligenciar este sistema mecânico, introduzindo fortes variações, misturando características do corpo com os trajes, buscando novos detalhes, apresentando traços de caráter, etc. Num retrato moderno, combinam-se unitariamente características físicas e espirituais de diferentes ordens.
Sugestão para o estudante: Se o objetivo é criar um retrato, deve-se selecionar e definir as características essenciais (agrupando-as por semelhança) e tentar misturar detalhes do vestuário e do corpo com traços de caráter, buscando estabelecer relações entre eles.
O Autorretrato
Refere-se ao retrato que um escritor faz de si mesmo. Amplia a estilística com a especulação.
A Caricatura
Temos uma caricatura quando os traços do retrato são exagerados ou ridicularizados, resultando numa deformação dos elementos reais.
O Esperpento
O esperpento é atingido quando a distorção da realidade chega ao absurdo. O conceito grotesco surge em 1920 com Luzes da Boêmia de Valle-Inclán, mas traços podem ser encontrados em obras anteriores. Valle-Inclán escreve: "há uma maneira de ver o mundo artístico ou estético, que é ver o mundo a partir de um plano superior e considerar os personagens da trama como inferiores ao autor, com uma pitada de ironia."
O esperpento tem raízes em Cervantes e Quevedo e está relacionado ao Expressionismo pictórico e literário, Futurismo italiano, Dada, Apollinaire, Pirandello, Kafka, etc. A linguagem utilizada é violenta, mordaz e sarcástica. A técnica possui dois significados:
- O escárnio aparente e a caricatura da realidade.
- O sentido profundo, cheio de crítica e sátira, que muitas vezes veicula uma lição moral real, mas sem pregação tediosa.
Alguns procedimentos para alcançar este objetivo são:
- A apresentação do extraordinário como ordinário e plausível.
- A pomposidade manifestada na animalização ou qualificação.
- A bonequização (marionetes, fantoches).
Descrição de Sentimentos
A descrição de sentimentos é complexa devido à natureza abstrata da atitude da alma. Por isso, são usados recursos expressivos como alegorias (machadianas, por exemplo). A lírica domina a arte desta descrição.
A Descrição na Novela
A descrição representa objetos simultâneos e justapostos no espaço. A narrativa, no entanto, restaura a sequência temporal dos fatos. O romancista, ao descrever, seleciona: espaço, luz e o olhar que condiciona a narração. Descrever é ritmar.
O fim da descrição nos romances (paisagem, naturalista, pastoral, etc.) é a identificação com o humor e o neoplatonismo. A descrição e o "espaço narrativo" passaram por muitas vicissitudes:
- Século XVII: Características gerais reduzidas.
- Séculos XVIII e XIX: Adquire grande importância. Devido ao Naturalismo, a descrição do espaço é detalhada.
- Fim do Século XIX: Reação que levou a parar de tratar a paisagem por si mesma.
- Século XX: Mostra o espaço circundante através dos olhos de um personagem ou narrador.
A Descrição do Espaço e o Ritmo Narrativo
A descrição pode ser usada para criar um ritmo na narrativa: a atenção ao meio ambiente serve como refúgio após uma passagem de ação, ou como antecipação ansiosa quando interrompe a narrativa de forma crítica. A descrição é um recurso que determina campos semânticos, o uso de certos personagens, cenas estereotipadas e traços psicológicos.
A descrição envolve o olhar de um personagem, o que exige a introdução de um personagem diante do objeto. A descrição provoca gradualmente uma reação em cadeia dentro da narrativa e afeta toda a economia da narrativa. É, portanto, um elemento mais ou menos parasitário adicionado.
Estilística Descritiva e a Paisagem
A primeira condição da arte descritiva é a riqueza figurativa. Isso significa animar objetos inanimados, para proporcionar uma sensação plástica, seja na paisagem ou no retrato. Para pintar a realidade, existem dois métodos: observação direta e indireta. A melhor descrição é aquela que produz a sensação mais forte. Deve-se evitar os dois extremos: a vulgaridade e o excesso de fantasia.
Os Componentes Estéticos da Paisagem
Os componentes estéticos da paisagem são: luz, cor, grandeza, figura, movimento e vida. Para o homem moderno, a Natureza (através do campo, mar ou céu) é principalmente paisagem. Os padrões de beleza atuais estão principalmente na área da cor ou da forma. Para os antigos, era o tipo de estrutura artificial da Natureza. É importante especular sobre isso.