Ditadura e Sociedade: Memória e Resistência

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No texto Ditadura e Sociedade: as reconstruções da memória, Daniela Aarão Reis aponta uma síntese da ditadura, onde, apesar dos movimentos contra o regime, a população só começou a mostrar de forma explícita o seu papel quando, animados pela vitória contra a tentativa de golpe em 1961, desencadearam-se em todo o país movimentos sociais populares:

  • Camponeses;
  • Trabalhadores urbanos (principalmente do setor público e das empresas estatais);
  • Estudantes, etc.

Manifestações, comícios, invasões de terra — ações antes não vistas na história republicana brasileira — no intuito de melhores condições de vida, de trabalho e maior participação política. Estes movimentos radicalizaram, empolgando crescentes setores sociais a partir de 1963, quando Jango recuperou os plenos poderes presidenciais. Considerando as elites e classes dominantes, que não pareciam sensíveis às classes populares, multiplicaram-se organizações políticas claramente definidas pelo enfrentamento revolucionário. Apareciam no cenário com um peso desproporcional ao número efetivo de militantes, pressionando as forças políticas mais tradicionais a também radicalizarem suas posições.

Enquanto durou a Ditadura Militar, tentaram cultivar a memória do golpe como uma "intervenção salvadora", em defesa da democracia, contra a "baderna" e a corrupção, mobilizando grandes meios de propaganda e educação. Entretanto, progressivamente, na medida em que a ditadura foi se tornando impopular, tornou-se insustentável a versão em que a ditadura seria a salvação da democracia. A perda da popularidade e dificuldades econômicas desgastavam o poder; instalaram o Ato Institucional nº 5 (AI-5) e começaram os Anos de Chumbo.

Ao mesmo tempo, o país vivia o Milagre Econômico, gerando contentamento e euforia potencializados pela conquista do tricampeonato mundial de futebol e pela recuperação da autoestima nacional. O regime voltava a legitimar-se: quem não estivesse gostando que se retirasse do país ("Brasil: ame-o ou deixe-o") ou então que enfrentasse a forte repressão e tortura política, executada pelos serviços de inteligência das Forças Armadas, centralizadas pelo governo e financiadas e apoiadas pelos expoentes do grande capitalismo nacional (exposto no filme O Cidadão Boilesen).

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