Doença de Chagas: Causas, Sintomas e Tratamento
Doença de Chagas: O que é?
Agente Etiológico: Trypanosoma cruzi
- Gênero: Trypanosoma
- Espécie: Trypanosoma cruzi
Formas Evolutivas do Parasita
- No hospedeiro vertebrado: Amastigota (dentro das células, como macrófagos) e Tripomastigota (no sangue).
- No vetor (hospedeiro invertebrado): Epimastigota (intestino, fezes e urina) e Tripomastigota metacíclico (urina e fezes).
Vetores e Transmissão
Vetores do Trypanosoma cruzi
O vetor, ou hospedeiro invertebrado, são os triatomíneos (conhecidos como "barbeiros").
- Gêneros principais: Triatoma, Panstrongylus e Rhodnius.
- Habitat: Comum em casas de pau a pique, com o inseto possuindo hábito noturno.
Formas de Transmissão
- Vetorial: Através das fezes do inseto "barbeiro".
- Transfusional: Por transfusão de sangue contaminado.
- Congênita: Da mãe para o feto.
- Oral: Ingestão de alimentos contaminados, como suco de açaí e caldo de cana.
- Acidental: Em laboratórios.
- Transplante de órgãos.
Trypanosoma cruzi em Alimentos
- Não previne: Resfriamento ou congelamento. O parasita sobrevive por 24h em leite ou caldo de cana em temperatura ambiente.
- Previne: Cocção acima de 45°C, pasteurização e liofilização.
Ciclo Biológico e Patogenia
O ciclo biológico do T. cruzi é heteroxeno, envolvendo hospedeiros vertebrados e invertebrados.
Processos Patológicos
O parasita induz uma resposta inflamatória, lesões celulares e fibrose, que ocorrem principalmente no coração, sistema digestório e sistema nervoso.
Fase Aguda (Parasitemia Elevada)
Pode ser assintomática ou sintomática, com um período de incubação de até 3 semanas.
- Sinais de inoculação: Sinal de Romanã (inchaço nos olhos) e Chagoma de Inoculação (lesão na pele).
- Sintomas comuns: Febre, náuseas, mal-estar, alterações cardíacas (arritmia por lesões no sistema condutor) e resposta imune elevada.
Fase Crônica
Pode ser assintomática (indeterminada) ou sintomática.
- Fase Crônica Indeterminada: Dura de 10 a 20 anos. Os exames sorológicos são positivos, mas o eletrocardiograma é normal e o parasitismo é escasso.
- Fase Crônica Sintomática:
- Cardíaca: Inflamação crônica, miocitólise e fibrose levam à cardiopatia crônica, insuficiência cardíaca, cardiomegalia e risco de morte súbita.
- Digestória: Destruição de neurônios do plexo mioentérico causa dificuldade no trânsito de alimentos (megaesôfago) e acúmulo de fezes (megacólon).
- Nervosa: Pode causar granulomas no cérebro e meningoencefalite.
Estatísticas da Evolução da Doença
- 60% a 70% dos infectados permanecem assintomáticos (forma indeterminada).
- 20% a 30% desenvolvem a forma cardíaca.
- 8% a 10% desenvolvem dilatação do esôfago ou cólon.
- 3% apresentam acometimento do sistema nervoso.
Diagnóstico
Diagnóstico Parasitológico
- Fase Aguda (Métodos Diretos): Exame a fresco, gota espessa.
- Fase Crônica (Métodos Indiretos): Xenodiagnóstico, hemocultura, inoculação em animais (camundongos), PCR (Biologia Molecular).
Imunodiagnóstico
Baseia-se na detecção de anticorpos.
- ELISA
- Imunofluorescência Indireta
Profilaxia e Tratamento
Profilaxia (Prevenção)
- Combate ao vetor nas residências.
- Melhoria das habitações.
- Educação sanitária.
- Controle rigoroso na transfusão de sangue.
Tratamento
- Suporte: Alimentação leve, líquida, de fácil ingestão, assimilação e excreção.
- Fármacos: Benzonidazol e Nifurtimox.