Estudos sobre Recursos Hídricos e Qualidade da Água
Reservatório Billings: Apropriação da Água, Conflitos e Gestão
Este trabalho insere-se no debate da problemática ambiental relacionada ao uso dos recursos naturais. A água é considerada escassa, em quantidade e qualidade, e objeto de conflitos que envolvem a sua apropriação e uso para atividades humanas. A partir da noção de valor, apresenta-se como os conflitos estão associados à criação de valor pelos usos da água e à perda de valor pela degradação do espaço. São analisados processos de produção social do espaço na região do Reservatório Billings (1927-2001). A análise explicita que as novas instâncias de gestão — o Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê e o Subcomitê Billings-Tamanduateí — não se constituem, na atualidade, em fórum efetivo de implementação de políticas públicas.
Fármacos em Estação de Tratamento de Esgoto no Centro-Oeste
Os fármacos integram um grupo de contaminantes ambientais encontrados com frequência em águas naturais devido ao descarte de efluentes de estações de tratamento de esgoto (ETE) sem tratamento adequado. Estes compostos representam riscos severos à saúde humana e à biota aquática. O estudo avaliou a presença de compostos farmacológicos em uma ETE em Três Lagoas (MS). A confirmação de cinco fármacos evidenciou a ineficiência do sistema de tratamento, sendo necessário um gerenciamento ordenado das águas residuárias.
Avaliação da Qualidade da Água do Ribeirão dos Müller, Curitiba-PR
O Ribeirão dos Müller, afluente do Rio Barigui, atravessa o Campus da Universidade Positivo e a Cidade Industrial de Curitiba. O objetivo foi avaliar a qualidade das águas e verificar se a situação é compatível com a Classe 3. A análise físico-química e microbiológica de 24 amostras revelou:
- Oxigênio Dissolvido (OD): 1,14 ± 0,94 mg.L⁻¹
- Matéria Orgânica (DQO): 250,82 ± 186,48 mg.L⁻¹
- Metais traços (Chumbo): 1,55 ± 0,04 mg.L⁻¹
- Coliformes: Altas concentrações, com presença de Escherichia coli.
A situação é crítica e ultrapassa os limites do CONAMA 357/05.
Utilização da Cafeína como Indicador de Contaminação
O crescimento demográfico desordenado causa a degradação de ecossistemas aquáticos pelo lançamento de esgotos domésticos. Este estudo monitorou 12 pontos na Bacia do Alto Iguaçu, determinando a concentração de cafeína (0,170 a 22,84 μg.L⁻¹). Concluiu-se que a cafeína é um excelente traçador de atividade antrópica quando combinada com parâmetros como nitrogênio amoniacal, ortofosfato e DBO.