Perspectiva Popular (a ideia de que a filosofia é para o homem comum):
A filosofia é frequentemente considerada como um conhecimento antigo e esotérico. No entanto, a filosofia é um conhecimento atemporal e universal.
Alguns consideram a filosofia como uma forma específica de vida, caracterizada pela serenidade diante das adversidades. Mas essa maneira de ser ou de viver não define a filosofia como tal, mas sim uma escola filosófica específica: o estoicismo.
Muitos desprezam a filosofia como um conhecimento sem utilidade aparente e desacreditam o discurso filosófico, considerando-o uma "confusão" que poucos conseguem decifrar. Contudo, a filosofia não é uma atividade trivial, frívola ou inútil.
A filosofia é o amor (desejo, apetite ou ânsia) pela sabedoria ou verdade. O desejo de alcançar aquilo que não se possui.
Esse desejo de saber é algo inerente ao ser humano e, portanto, falamos da filosofia como uma necessidade, e não um hobby ou capricho.
Isso implica a necessidade de reconhecer a própria ignorância (como diz Platão, é óbvio que aquele que sabe, ou pensa que sabe, não procura saber ou investigar, pois alega já estar na posse da verdade ou do conhecimento).
Aristóteles: "O amante do mito é, de certa forma, um filósofo, pois o mito é composto de maravilhas, e a maravilha sempre foi a causa pela qual os homens começaram a filosofar."
O mito cumpre a mesma necessidade que a filosofia: dar sentido ao mundo. As perguntas são as mesmas. As respostas, no entanto, são substancialmente diferentes.
MITO
Explica o natural recorrendo ao sobrenatural.
O que acontece é contingente.
A autoridade da tradição é a única garantia.
A filosofia decorre da conjugação de dois fatores: um sentimento ou emoção (a admiração que a ordem universal produz) e uma convicção (a crença de que essa ordem se deve a leis).
FILOSOFIA
Explica o natural a partir dele mesmo.
Há uma necessidade de lei universal.
Aposta na autoridade da Razão.
A filosofia é definida como:
Ciência (aderindo ao significado original do termo grego, *episteme*):
* Características que definem a concepção grega de ciência:
A ciência, no tempo de Aristóteles, é eminentemente teórica, sem propósito prático.
Para ser científica, uma explicação deve ser racional e apoiada por argumentos racionais.
Consequências: A ciência, ou filosofia, pode ser considerada um conhecimento baseado em razões, em contraste com o mito (opinião infundada).
Racional (pois se submete às leis da lógica e da argumentação racional).
Teórica ou especulativa (pois reflete sobre questões que estão além da experiência).
Universal (porque seu objeto de estudo é a realidade ou o ser, e não uma parte da realidade ou um tipo específico de ser).
Radical (pois vai à raiz das coisas, às causas primeiras).
Dessacralizadora (porque busca uma compreensão racional dos fenômenos religiosos).
Normativa (em sua dimensão prática, convida a uma vida que adere à verdade).