Gestão de Contas a Receber e de Estoques

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Gestão de Contas a Receber

As contas a receber representam os direitos de crédito decorrentes de faturas ou outros títulos que a empresa tem a recolher, garantindo a entrada de recursos financeiros no caixa da organização.

É na gestão de contas a receber que definimos a margem ideal para realizar essa operação financeira de forma saudável.

Diretrizes para a Política de Faturamento

  1. A empresa deve enviar as faturas e a prestação de contas aos clientes no dia útil seguinte ao encerramento do período.
  2. Vendas em grandes volumes devem ser faturadas imediatamente.
  3. O faturamento deve ser emitido assim que o pedido for processado, evitando a liberação de mercadorias sem a devida documentação.
  4. O faturamento de serviços deve ser realizado de forma antecipada.
  5. Deve-se adotar uma política específica e criteriosa para a concessão de créditos promocionais.

Diretrizes para a Política de Cobrança

  1. O departamento de Contas a Receber (CR) deve manter um relatório de aging (idade dos saldos) atualizado para identificar clientes inadimplentes ou de alto risco.
  2. O índice de atraso aceitável deve ser balizado pelos valores médios praticados no setor.
  3. Ao menor sinal de instabilidade financeira de um cliente, as ações de cobrança devem ser iniciadas imediatamente.

Os 5 Cs do Crédito

  1. Caráter: a reputação e o compromisso moral do cliente em honrar suas obrigações financeiras.
  2. Capacidade: a aptidão financeira para cumprir os compromissos com base no fluxo de caixa e renda atual.
  3. Capital: a solidez financeira medida pelo patrimônio líquido e ativos existentes.
  4. Garantia: os ativos oferecidos como salvaguarda para recuperar o crédito em caso de inadimplência.
  5. Condições: a análise do cenário econômico geral e das tendências do setor de atuação.

Parâmetros da Política de Crédito

  • A concessão de crédito deve avaliar rigorosamente a liquidez e o nível de endividamento do cliente.
  • Análise do histórico de endividamento e comportamento de pagamento.
  • Avaliação de referências comerciais e dados de mercado.
  • Monitoramento das condições macroeconômicas do país.

As diretrizes acima servem para regular a política de cobrança e devem ser adaptadas à realidade de cada empresa. Após estruturar essa política, o passo fundamental é manter um controle rigoroso e contínuo da carteira de clientes.

Gestão de Estoque (Inventário)

O estoque (ou inventário) representa o conjunto de mercadorias, matérias-primas ou produtos que a empresa possui armazenados para viabilizar sua operação.

As decisões estratégicas sobre o estoque devem focar no retorno financeiro gerado, considerando que:

  1. Estoque em excesso representa capital de giro imobilizado (dinheiro parado).
  2. É fundamental planejar e otimizar o espaço físico destinado ao armazenamento.
  3. O estoque é um ativo de menor liquidez imediata, exigindo esforço de vendas para se converter em caixa.

Os 3 Tipos Principais de Estoque

  1. Matérias-primas e Insumos: materiais que entram no processo produtivo.
  2. Produtos em Processo: itens em fase de fabricação.
  3. Produtos Acabados: mercadorias prontas para a comercialização.

Atribuições do CFO na Gestão de Estoques

O Diretor Financeiro (CFO) deve desempenhar um papel ativo nas seguintes atividades:

  1. Avaliar a adequação do estoque de matérias-primas com base na demanda de produção projetada, capacidade operacional e fatores sazonais.
  2. Prever oscilações de preços de insumos para realizar compras estratégicas e econômicas.
  3. Liquidar produtos de baixo giro para reduzir custos de armazenagem e otimizar o fluxo de caixa.
  4. Evitar o acúmulo excessivo de estoque, minimizando custos de manutenção e de oportunidade.
  5. Reduzir os níveis de estoque em períodos de crise de liquidez ou dificuldades de financiamento.
  6. Manter estoques de segurança para mitigar o risco de perda de vendas por falta de insumos.
  7. Revisar rigorosamente a quantidade e a qualidade das mercadorias recebidas.
  8. Controlar pedidos pendentes para evitar excessos quando houver sobra de estoque.
  9. Avaliar constantemente a eficiência dos processos de compras e controle de estoque.
  10. Monitorar de perto a movimentação física no armazém e o acesso de pessoal autorizado.
  11. Minimizar o lead time (tempo de espera) nos processos de aquisição e distribuição.
  12. Analisar o ciclo operacional (tempo decorrido entre a entrada de matéria-prima e a entrega do produto acabado).
  13. Avaliar os índices de perdas, obsolescência e deterioração de materiais.
  14. Utilizar sistemas de gestão integrados (ERPs) e ferramentas de pesquisa operacional para um controle preciso.
  15. Gerenciar os riscos associados a materiais especiais (perecíveis, especializados, inflamáveis ou químicos).
  16. Equilibrar o conflito clássico entre os custos de manutenção de estoque e os benefícios de ter o produto disponível para venda.

Custos de Manutenção e Pedido de Estoque

  1. Custos de armazenagem física.
  2. Manuseio, movimentação e seguros.
  3. Impostos e taxas sobre a propriedade.
  4. Perdas por desvalorização (imparidade).
  5. Obsolescência tecnológica ou comercial.
  6. Roubos, furtos e extravios.
  7. Custo de oportunidade do capital investido.

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