Gestão de Contas a Receber e de Estoques
Gestão de Contas a Receber
As contas a receber representam os direitos de crédito decorrentes de faturas ou outros títulos que a empresa tem a recolher, garantindo a entrada de recursos financeiros no caixa da organização.
É na gestão de contas a receber que definimos a margem ideal para realizar essa operação financeira de forma saudável.
Diretrizes para a Política de Faturamento
- A empresa deve enviar as faturas e a prestação de contas aos clientes no dia útil seguinte ao encerramento do período.
- Vendas em grandes volumes devem ser faturadas imediatamente.
- O faturamento deve ser emitido assim que o pedido for processado, evitando a liberação de mercadorias sem a devida documentação.
- O faturamento de serviços deve ser realizado de forma antecipada.
- Deve-se adotar uma política específica e criteriosa para a concessão de créditos promocionais.
Diretrizes para a Política de Cobrança
- O departamento de Contas a Receber (CR) deve manter um relatório de aging (idade dos saldos) atualizado para identificar clientes inadimplentes ou de alto risco.
- O índice de atraso aceitável deve ser balizado pelos valores médios praticados no setor.
- Ao menor sinal de instabilidade financeira de um cliente, as ações de cobrança devem ser iniciadas imediatamente.
Os 5 Cs do Crédito
- Caráter: a reputação e o compromisso moral do cliente em honrar suas obrigações financeiras.
- Capacidade: a aptidão financeira para cumprir os compromissos com base no fluxo de caixa e renda atual.
- Capital: a solidez financeira medida pelo patrimônio líquido e ativos existentes.
- Garantia: os ativos oferecidos como salvaguarda para recuperar o crédito em caso de inadimplência.
- Condições: a análise do cenário econômico geral e das tendências do setor de atuação.
Parâmetros da Política de Crédito
- A concessão de crédito deve avaliar rigorosamente a liquidez e o nível de endividamento do cliente.
- Análise do histórico de endividamento e comportamento de pagamento.
- Avaliação de referências comerciais e dados de mercado.
- Monitoramento das condições macroeconômicas do país.
As diretrizes acima servem para regular a política de cobrança e devem ser adaptadas à realidade de cada empresa. Após estruturar essa política, o passo fundamental é manter um controle rigoroso e contínuo da carteira de clientes.
Gestão de Estoque (Inventário)
O estoque (ou inventário) representa o conjunto de mercadorias, matérias-primas ou produtos que a empresa possui armazenados para viabilizar sua operação.
As decisões estratégicas sobre o estoque devem focar no retorno financeiro gerado, considerando que:
- Estoque em excesso representa capital de giro imobilizado (dinheiro parado).
- É fundamental planejar e otimizar o espaço físico destinado ao armazenamento.
- O estoque é um ativo de menor liquidez imediata, exigindo esforço de vendas para se converter em caixa.
Os 3 Tipos Principais de Estoque
- Matérias-primas e Insumos: materiais que entram no processo produtivo.
- Produtos em Processo: itens em fase de fabricação.
- Produtos Acabados: mercadorias prontas para a comercialização.
Atribuições do CFO na Gestão de Estoques
O Diretor Financeiro (CFO) deve desempenhar um papel ativo nas seguintes atividades:
- Avaliar a adequação do estoque de matérias-primas com base na demanda de produção projetada, capacidade operacional e fatores sazonais.
- Prever oscilações de preços de insumos para realizar compras estratégicas e econômicas.
- Liquidar produtos de baixo giro para reduzir custos de armazenagem e otimizar o fluxo de caixa.
- Evitar o acúmulo excessivo de estoque, minimizando custos de manutenção e de oportunidade.
- Reduzir os níveis de estoque em períodos de crise de liquidez ou dificuldades de financiamento.
- Manter estoques de segurança para mitigar o risco de perda de vendas por falta de insumos.
- Revisar rigorosamente a quantidade e a qualidade das mercadorias recebidas.
- Controlar pedidos pendentes para evitar excessos quando houver sobra de estoque.
- Avaliar constantemente a eficiência dos processos de compras e controle de estoque.
- Monitorar de perto a movimentação física no armazém e o acesso de pessoal autorizado.
- Minimizar o lead time (tempo de espera) nos processos de aquisição e distribuição.
- Analisar o ciclo operacional (tempo decorrido entre a entrada de matéria-prima e a entrega do produto acabado).
- Avaliar os índices de perdas, obsolescência e deterioração de materiais.
- Utilizar sistemas de gestão integrados (ERPs) e ferramentas de pesquisa operacional para um controle preciso.
- Gerenciar os riscos associados a materiais especiais (perecíveis, especializados, inflamáveis ou químicos).
- Equilibrar o conflito clássico entre os custos de manutenção de estoque e os benefícios de ter o produto disponível para venda.
Custos de Manutenção e Pedido de Estoque
- Custos de armazenagem física.
- Manuseio, movimentação e seguros.
- Impostos e taxas sobre a propriedade.
- Perdas por desvalorização (imparidade).
- Obsolescência tecnológica ou comercial.
- Roubos, furtos e extravios.
- Custo de oportunidade do capital investido.