Gestão de Crises, Desastres e Apoio às Vítimas

Formação e orientação para o trabalho6,64 KB

1. Definições de Itens

  • A) Crise: Circunstâncias frágeis e perturbadas em que uma fonte interna ou externa quebra o equilíbrio e a normalidade de um sistema, promovendo a desorganização.
  • B) Acidentes: Quando os indivíduos afetados por um sinistro são um segmento da população facilmente delimitado por uma variável nominal: ocupantes de um carro, público de um show ou inquilinos de um edifício. Nestas situações, a população está fora dos efeitos do clima ou da catástrofe; a vida quotidiana da comunidade não é alterada e os sistemas de resposta e apoio aos atingidos estão disponíveis para agir.
  • C) Desastres: Quando todas as pessoas, indiscriminadamente, são afetadas por fatos infelizes e a vida social cotidiana é interrompida (ex: vazamento radioativo, nuvem tóxica, inundações). No desastre, os sistemas de resposta institucional, públicos e privados, podem tornar-se insuficientes para ajudar as populações afetadas.
  • D) Catástrofe: Situação onde um fenômeno inesperado e lamentável afeta a comunidade como um todo, incluindo os sistemas de resposta institucional (ex: terremoto de grau elevado, explosão nuclear, tsunamis, furacões). Na tragédia, os indivíduos afetados podem não ter apoio institucional imediato e enfrentarão as consequências com suas próprias forças.
  • E) Calamidade: Quando uma catástrofe ou desastre ocorre por repetição, prolongamento ou devido aos seus efeitos, cujas consequências se estendem insidiosamente ao longo do tempo histórico.

2. Fases de uma Emergência

  • A. Fase de Impacto: Ocorre durante e imediatamente após o impacto. As emoções são fortes e diretas. O altruísmo manifesta-se enquanto cada um tenta salvar a si mesmo e aos outros. Os recursos principais são familiares, vizinhos e grupos de resgate.
  • B. Fase de Lua de Mel: Dura cerca de seis meses após o desastre. Os sobreviventes sentem que superaram a experiência. Governos prometem ajuda e assistência. Os recursos principais são grupos comunitários e de assistência pós-emergência.
  • C. Fase de Decepção: Duração de dois meses a dois ou três anos. Surgem raiva, ressentimento e amargura se as promessas não forem cumpridas. Organizações locais podem enfraquecer, causando perda do sentido de comunidade e foco em assuntos pessoais.
  • D. Fase de Reconstrução: Sobreviventes assumem responsabilidade pessoal gradualmente. Pode durar anos. Novas construções e programas restauram as crenças da comunidade. Se não concluída, problemas emocionais podem tornar-se intensos.

E. Reações em Emergências ou Catástrofes

  1. Fase de Shock (Choque): Duração de algumas horas a uma semana.
    • Reações emocionais: Tristeza, raiva, choro, descrença e negação.
    • Reações cognitivas: Capacidade limitada de pensamento, entorpecimento emocional, atenção e memória prejudicadas, afetando a tomada de decisão.
    • Reações motoras: Hiperatividade extrema ou hipoatividade.
  2. Fase de Reação: De alguns dias a várias semanas.
    • Reações emocionais fortes: Culpa, ódio.
    • Reações de esquiva: Em relação a todos os aspectos da situação.
    • Reações fisiológicas: Ansiedade mantida, dores de cabeça, problemas de sono e alimentação devido à tensão. Pode afetar o sistema de valores e gerar uma visão de mundo negativa.
  3. Fase de Normalização: O indivíduo supera a situação adquirindo ou fortalecendo estratégias de enfrentamento. Em outros casos, pode haver interferência na vida social e profissional, gerando transtornos psicopatológicos.

3. Classificação das Vítimas

  • A. Vítimas Principais: Expostas diretamente ao desastre, com grave risco de vida, integridade física e prejuízos materiais.
  • B. Vítimas Secundárias: Familiares ou pessoas ligadas emocionalmente às vítimas principais, expressando reações de culpa e tristeza severa.

Âmbito das Emergências:

  • Vítimas de Primeira Ordem: Diretamente expostas ao perigo e à quebra da ordem.
  • Vítimas de Segunda Ordem: Família e pessoas próximas que podem ter reações de culpa.
  • Vítimas de Terceira Ordem: Profissionais de ajuda (policiais, bombeiros, médicos, psicólogos, voluntários).
  • Vítimas de Quarta Ordem: Responsáveis pelo cuidado da comunidade além da área de impacto.
  • Vítimas de Quinta Ordem: Indivíduos que perdem o controle perto do impacto e mostram patologia subjacente ou preocupação com o macabro.
  • Vítimas de Sexta Ordem: Inclui quem não era primário nem secundário, mas expressou premonições; famílias de profissionais de terceira ordem; e profissionais cuja competência é afetada pela forte demanda, risco de identificação emocional ou desejo dramático de utilidade.

4. Etapas de Intervenção

  1. Hospitais de Referência: Apoio aos feridos e parentes; coordenação de informações; acompanhamento para localizar vítimas; apoio em casos críticos e cirúrgicos; acompanhamento em casas funerárias para óbitos hospitalares.
  2. Pavilhões Desportivos (Acolhimento): Coordenação inter-agências; acolhimento e escolta de familiares; apoio psicológico durante percursos forenses; atenção a crianças, idosos e imigrantes; gestão de objetos pessoais e preservação da privacidade.
  3. Serviços Funerários: Coordenação de suporte; acolhimento na escolha de caixões; informações sobre serviços; facilitação da despedida; canalização para apoio psicológico; cuidados de saúde e administração de medicamentos para crises de ansiedade; distribuição de folhetos informativos.
  4. Cemitérios: Coordenação com equipes forenses para identificação; assistência à família com privacidade; recepção e acompanhamento em reuniões forenses; auxílio em procedimentos funerários e apoio médico.
  5. Instituto Anatômico Forense: Informação sobre a derivação para órgãos autorizados e cemitérios; acompanhamento de familiares para áreas de descanso e apoio médico.

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