Giardíase, Malária e Doença de Chagas — Guia
Giardíase (Giardose, Lamblíase)
Giardíase (também denominada giardose ou lamblíase) é uma infecção intestinal causada pelo protozoário flagelado Giardia lamblia.
Profilaxia
A profilaxia inclui higiene pessoal e higiene dos alimentos, saneamento básico e a fervura ou filtração da água, visto que a água é o principal veículo da Giardia. A cloração da água não inativa completamente os cistos.
Patogenia e sintomas
A giardíase causa diarreia associada à má absorção intestinal, cólicas abdominais, náuseas e vômitos.
Diagnóstico laboratorial
O diagnóstico é feito por exame direto das fezes. Em amostras frescas, pode-se observar ao microscópio os trofozoítas movendo-se ativamente. Uma pessoa contaminada, assintomática ou não, elimina o protozoário pelas fezes.
Prevenção
O melhor meio de evitar esta infecção é a adoção de medidas preventivas, como:
- ingerir somente água filtrada ou fervida;
- implementar saneamento básico adequado;
- lavar bem as mãos após utilizar o banheiro;
- lavar em água corrente e higienizar frutas, legumes e verduras.
Tratamento
O tratamento é feito com medicamentos derivados das nitroimidazólicas, como metronidazol, tinidazol e ornidazol.
Epidemiologia
Tem distribuição mundial e afeta principalmente crianças de 8 meses a 12 anos. Prevalece em locais com baixas condições socioeconômicas. O cisto pode resistir até dois meses no meio exterior úmido.
Ciclo biológico
A infecção se dá pela ingestão de alimentos ou água contaminados por cistos maduros, ou por contato direto. Após a ingestão, o ciclo ocorre com a instalação do protozoário no intestino delgado, onde a forma ativa é chamada de trofozoíta. O indivíduo fica suscetível e elimina fezes contaminadas, reiniciando o ciclo.
Malária — Agente, Sintomas e Tratamento
A malária é causada por protozoários do gênero Plasmodium. Existem quatro principais agentes etiológicos clássicos:
- P. falciparum: associada à chamada terçã maligna;
- P. malariae: quartã (ciclo de ~72 horas);
- P. vivax: terçã benigna (ciclo de ~48 horas);
- P. ovale: terçã benigna (ciclo de ~48 horas).
Temperatura, umidade e chuva influenciam a ocorrência da malária. A doença ocorre em regiões tropicais e subtropicais, onde o mosquito Anopheles consegue sobreviver e multiplicar-se, permitindo que o parasita complete seu ciclo de crescimento no vetor (período de incubação extrínseco).
O que é?
Malária é uma doença infecciosa febril aguda transmitida pela picada da fêmea do mosquito Anopheles infectada por Plasmodium.
Microrganismo envolvido
Protozoários do gênero Plasmodium. No Brasil, as espécies mais associadas à malária em humanos são P. vivax, P. falciparum e P. malariae.
Quais os sintomas?
Os sintomas mais comuns incluem:
- calafrios;
- febre alta (no início contínua e depois com frequência típica de ciclos de 48 ou 72 horas, dependendo da espécie);
- dores de cabeça e musculares;
- taquicardia;
- aumento do baço;
- por vezes, delírios.
Como se transmite?
O protozoário é transmitido ao homem pelo sangue, geralmente através da picada da fêmea do mosquito Anopheles infectada por Plasmodium. Mais raramente, pode ocorrer por outros meios que coloquem sangue de pessoa infectada em contato com o de outra sadia, como:
- compartilhamento de seringas (consumidores de drogas);
- transfusão de sangue;
- transmissão de mãe para feto durante a gravidez.
Como tratar?
Entre os medicamentos utilizados destacam-se:
- Quinina — age sobre trofozoítos, esquizontes e merozoítos.
- Amino-4-quinolonas (Cloroquina, Amodiaquina, Camoquina) — agem sobre as formas sanguíneas, exceto gametócitos de P. falciparum.
- Pirimidina (pirimetamina) — age sobre formas hepáticas e sanguíneas.
- Sulfonamida (Fansulf) — observa-se que P. falciparum costuma apresentar resistência à cloroquina em muitas áreas.
Como se prevenir?
Medidas de prevenção incluem:
- uso de mosquiteiros, impregnados ou não com inseticidas;
- uso de roupas que protejam pernas e braços;
- telas em portas e janelas e uso de repelentes;
- drenagem e pequenas obras de saneamento para eliminação de criadouros do vetor;
- aterro, limpeza das margens dos criadouros e melhoramento da moradia e das condições de trabalho.
Situações epidemiológicas
- Malária holoendêmica: índice de esplenomegalia em crianças é alto (mais de 75% das crianças entre 2 e 10 anos apresentam esplenomegalia); índice baixo nos adultos.
- Malária hiperendêmica: índice esplênico maior que 50% nas crianças e elevado também nos adultos.
- Malária mesoendêmica: índice infantil entre 11% e 50%.
- Malária hipoendêmica: índice infantil menor que 10%.
Doença de Chagas — Transmissão e Tratamento
O Mal de Chagas é uma doença que pode ser crônica e levar à morte; era considerada controlada em várias regiões do Brasil. O inseto conhecido como barbeiro é o vetor do protozoário causador da doença, o Trypanosoma cruzi. À noite, o barbeiro pica as vítimas e deixa suas fezes ao lado da ferida; ao coçar, ocorre a forma de contaminação mais conhecida.
Fase aguda
Após cerca de cinco dias, em média, da contaminação, inicia-se a fase aguda da doença. O infectado pode apresentar náuseas, febre alta, aumento dos gânglios, diarreia, indisposição e aumento do fígado e do baço. Nessa fase, o diagnóstico é feito com base na suspeita clínica e em exames que indiquem a presença do protozoário no sangue.
Fase crônica
A fase crônica manifesta-se, em muitos casos, entre 20 e 30 anos após a contaminação e pode causar acometimento cardíaco com insuficiência cardíaca.
Como se adquire?
Através da entrada do Trypanosoma no sangue humano a partir do ferimento decorrente da picada por triatomíneos (popularmente chamados barbeiros ou chupões). Esses triatomíneos alimentam-se de sangue e contaminam-se com o parasita ao sugar sangue de mamíferos infectados (reservatórios naturais) ou de humanos contaminados. No tubo digestivo do barbeiro, o parasita é eliminado nas fezes junto ao ponto da picada, contaminando a vítima quando esta coça ou manipula a área.
Outras formas de transmissão incluem a via intrauterina (gestantes contaminadas), transfusões sanguíneas e acidentes com instrumentos perfurocortantes em laboratórios por profissionais de saúde; estas últimas são bem mais raras.
Tratamento
A medicação utilizada no nosso meio é o benznidazol, que apresenta toxicidade, sobretudo pelo tempo de tratamento (que pode durar de três a quatro meses). Seu uso tem benefício comprovado na fase aguda. Na fase crônica, o tratamento é direcionado às manifestações clínicas. A diminuição da capacidade de trabalho do coração é tratada conforme os protocolos para insuficiência cardíaca de outras causas, podendo, em alguns casos, chegar à necessidade de transplante.