Glicogenólise e Gliconeogênese: Mecanismos e Regulação da Glicemia
Resumo
O documento descreve a glicogenólise, a degradação do glicogênio para liberar glicose, e a gliconeogênese, a síntese de nova glicose. Explica as enzimas envolvidas, as diferenças entre músculo e fígado, as etapas irreversíveis e os mecanismos de regulação hormonal da glicemia.
Pontos-chave
- A glicogênio fosforilase quebra ligações alfa 1,4 do glicogênio e libera glicose-1-fosfato, que a fosfoglicomutase converte em glicose-6-fosfato.
- A enzima desramificadora quebra as ramificações alfa 1,6 do glicogênio.
- No fígado, a glicose-6-fosfatase retira o fosfato da G6P, liberando glicose livre no sangue; o músculo não possui esta enzima.
- As etapas irreversíveis da gliconeogênese são a conversão de piruvato em fosfoenolpiruvato via oxaloacetato, a desfosforilação da frutose-1,6-bifosfato e a desfosforilação da G6P.
- A insulina promove a síntese de glicogênio e reduz a glicemia, enquanto o glucagon ativa a glicogenólise e a gliconeogênese para elevá-la.
- O cortisol aumenta a gliconeogênese em situações de estresse.
Glicogenólise: 1. Degradação do glicogênio para liberar glicose; 2. Trabalho muscular; 3. Glicose usada para ATP e contração muscular; 4. Repouso ou jejum; 5. Manutenção da glicemia. Enzima desramificadora quebra ligações alfa 1,6 (mais difícil de quebrar, então a enzima desramificadora vai quebrar o glicogênio em várias glicoses para ser mais difícil de degradá-lo). Forma uma cadeia linear de glicose. Glicogênio fosforilase (regulador da via) quebra ligações alfa 1,4 (cadeias lineares) e libera glicose-1-fosfato. Fosfoglicomutase atua transformando G1P em G6P (precisa se transformar para trabalhar no sítio que ela deseja - músculo ou tecidos extra-hepáticos) → G6P vai atuar nos músculos. Glicose-6-fosfatase (ocorre somente no fígado) retira o grupamento 6 fosfato e deixa apenas a glicose livre no sangue.
Diferença de degradação do glicogênio no músculo e no fígado (glicogenólise):
- No músculo: 1. Fornecer glicose para a produção de energia durante contrações musculares, especialmente durante exercícios intensos; 2. Regulada localmente e é ativada pela demanda por energia dentro das próprias células musculares; 3. A enzima envolvida na glicogenólise muscular é a glicogênio fosforilase, que catalisa a quebra do glicogênio em moléculas de glicose-1-fosfato; 4. Glicose-1-fosfato resultante é convertida em glicose-6-fosfato pela enzima fosfoglicomutase; 5. Glicose-6-fosfato pode ser metabolizada para fornecer energia através da via da glicólise ou ser liberada diretamente para a corrente sanguínea para ser utilizada por outros tecidos.
- No fígado: 1. O fígado atua como uma central de regulação do metabolismo de glicose no corpo, mantendo os níveis de glicose sanguínea dentro de limites normais; 2. Regulada principalmente por hormônios, como o glucagon e a insulina, que são liberados em resposta a baixos ou altos níveis de glicemia; 3. A enzima chave na glicogenólise hepática é a glicogênio fosforilase; 4. No entanto, ao contrário do músculo, o fígado expressa uma enzima adicional chamada glicose-6-fosfatase, que converte glicose-6-fosfato em glicose livre; 5. Essa glicose livre é liberada no sangue para fornecer energia para outros tecidos ou manter os níveis normais de glicose no sangue durante períodos de jejum ou exercício prolongado.
Reações e enzimas envolvidas na glicogenólise:
Dentro da célula formando longa cadeia de glicos. A glicose não-redutora será fosforilada pela enzima glicogênio fosforilase.
- Glicogênio fosforilase: adiciona um fosfato no carbono 1, mas ela só consegue clivar as ligações alfa 1,4;
- Enzima desramificadora: desfaz a ramificação do glicogênio, liberando glicose por hidrólise;
- Enzima fosfoglicomutase: transforma glicose-1-fosfato em glicose-6-fosfato, fosforilando o carbono 6 e desfosforilando o carbono 1. Glicose vai para o processo de glicólise (quebra).
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Gliconeogênese: Formação de nova glicose.
Etapas irreversíveis: 1. Conversão de piruvato em fosfoenolpiruvato via oxaloacetato; 2. Desfosforilação da frutose-1,6-bifosfato em frutose-6-fosfato pela frutose-1,6-bifosfatase; 3. Desfosforilação da G6P pela glicose-6-fosfatase.
Formas de regulação:
- Por enzimas: I. A piruvato-carboxilase (que converte piruvato em oxaloacetato) é ativada com o acúmulo de acetil-CoA; II. A piruvato cinase (que converte fosfoenolpiruvato em piruvato) é inibida pela fosforilação gerada pelo glucagon; III. A glicocinase é inibida pelo aumento de frutose-6-fosfato.
- Pela Frutose-2,6-bifosfato: I. Regulador alostérico que ativa a PFK1 e inativa a frutose-1,6-bifosfatase; II. A enzima PFK2 cinase transforma a frutose-6-fosfato em frutose-2,6-bifosfato (que ativa a PFK1); III. O glucagon fosforila a PFK2 cinase (inativando-a) e reduz a quantidade de frutose-2,6-bifosfato. Assim, inativa a PFK1 e ativa a frutose-1,6-bifosfatase.
Cascata de sinais reguladores de glicemia:
Glicemia alta: → insulina → proteína G ativa → adenilato ciclase + ATP = AMP cíclico → ativa a PKA → ativa fosfatase → tira o fosfato do glicogênio sintase e da fosforilase → reduz glicose/glicemia = glicogênio.
Glicemia baixa: → glucagon → proteína G ativa → adenilato ciclase + ATP = AMP cíclico → PKA → ativa fosforilase → aumenta glicogenólise → glicose-1-fosfato → glicose no sangue → aumenta glicemia.
Regulação da glicemia:
Glicemia: concentração de glicose no sangue.
Fontes de glicose: 1. Dieta (ocorre depois de um aumento da glicemia após refeições); 2. Glicogenólise (degradação do glicogênio após um período de jejum, porque a glicemia fica mais baixa); 3. Gliconeogênese (síntese de glicose pelo fígado); 4. Ciclo de Cori (opera durante um exercício intenso, quando o metabolismo aeróbico não provê a energia necessária. O lactato é conduzido via corrente sanguínea para o fígado, onde é reconvertido pela lactato desidrogenase a piruvato e transformado em glicose pela gliconeogênese); 5. Ciclo da glicose-alanina.
Regulação hormonal da glicemia: Insulina ativa a síntese de glicogênio, aminoácidos e lipídios, além do ciclo de Krebs; Glucagon ativa a degradação de glicogênio, aminoácidos e lipídios e síntese de nova glicose (não tem atuação no músculo e tecido adiposo); Cortisol aumenta a gliconeogênese, liberação de ácidos graxos e degradação de proteínas (atua no músculo, fígado e tecido adiposo). → Presente no estresse.
Jejum de noite: glicogenólise e gliconeogênese; Jejum prolongado: gliconeogênese; Estresse: cortisol ativa a gliconeogênese; Diabetes: ausência de insulina ou falha nos receptores → glicogenólise e gliconeogênese.
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Qual a diferença entre glicogenólise muscular e hepática?
No músculo, a glicose-6-fosfato é usada para energia nas próprias células. No fígado, a glicose-6-fosfatase converte a G6P em glicose livre, que é liberada no sangue para manter a glicemia.
Qual hormônio ativa a glicogenólise quando a glicemia está baixa?
O glucagon. Ele ativa a proteína G, a adenilato ciclase e a PKA, que ativa a fosforilase e aumenta a glicogenólise e a glicemia.
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