Governo Collor: Planos Econômicos e Abertura de Mercado
Críticas ao Bloqueio de Ativos
- O bloqueio foi considerado uma inadmissível intervenção estatal;
- Retirada da confiança dos investidores;
- Prejudicava até mesmo pequenos poupadores;
- Desestruturação do sistema produtivo:
- Semiparalisia na produção, demissões, férias coletivas e redução de salários.
Afonso Pastore: O bloqueio dos ativos monetários se restringia ao ESTOQUE de moeda indexado, mas não eliminava seu FLUXO.
- É o fluxo de moeda que gera inflação, não o seu estoque;
- A inflação cai inicialmente, mas logo volta a crescer;
- Adota-se a devolução da liquidez por meio das "torneirinhas" do BACEN, o que leva a uma grande expansão da liquidez (60%) nos meses posteriores;
- Resulta no aumento da inflação e em uma grande retração do PIB.
Privatização e Abertura Econômica
- Política Industrial e de Comércio Exterior (PICE):
- Crença de que a privatização traria aumento da competição e da eficiência;
- Fim do incentivo às exportações.
- Plano Nacional de Desestatização (PND):
- Criado para reduzir a dívida pública;
- Utiliza Cruzados Novos bloqueados para o processo de privatização.
- Governos Collor e Itamar: Realização de 33 privatizações de empresas federais;
- Setores principais: siderurgia, petroquímica e fertilizantes.
CESPE: Uma maior ênfase na abertura econômica do comércio internacional brasileiro e no processo de privatização de empresas estatais, durante o governo Collor, representou significativa mudança em relação às políticas implementadas na década anterior.
Dificuldades em Privatizar:
- Empresas públicas em má situação financeira;
- Resistência do público;
- Alguns setores (elétrico, jazidas minerais) impedidos de serem vendidos a estrangeiros pela CF/88.
Plano Collor II (1991)
- Implementado ainda sob a gestão de Zélia Cardoso de Mello;
- Considerado um plano heterodoxo;
- Controle da inflação através de:
- Racionalização dos gastos nas administrações públicas;
- Corte de despesas;
- Aceleração da indústria.
- Visa eliminar o overnight:
- Extinção do BTN (Bônus do Tesouro Nacional);
- Criação do Fundo de Aplicações Financeiras (FAF);
- Rendimento pela Taxa Referencial (TR): introduz um elemento forward looking para a indexação;
- Em vez de basear-se na inflação passada, a TR embutia as expectativas da inflação futura, criando o neogradualismo.
- O neogradualismo não funciona.
Plano Nada
- Substituição de Zélia por Marcílio Moreira Marques;
- Retorno à ortodoxia;
- Combate gradualista à inflação por meio de maior controle do fluxo de caixa do governo e dos meios de pagamento;
- Forte restrição ao crédito.
Grande entrada de capital externo e aumento das reservas por:
- Manutenção da taxa de câmbio real;
- Altas taxas de juros;
- Abertura comercial;
- Excesso de liquidez internacional;
- Recessão em 1992 sem reduzir a inflação;
- Aumento da dívida pública;
- Escândalos políticos que redundam no impeachment inviabilizam qualquer ação econômica.
Resumo do Governo Collor
- Reformas propostas: Ruptura com o modelo de crescimento com elevada participação do Estado e proteção tarifária;
- Abertura comercial e financeira;
- Início das privatizações;
- Política industrial fica abaixo do estimado;
- Planos Collor I e II fracassam em eliminar a inflação;
- Recessão e perda de credibilidade no exterior;
- Novo diagnóstico da inflação: O malogro dos choques anti-inflacionários anteriores devia-se à elevada e crescente liquidez dos haveres financeiros não monetários.
- A moeda inflacionária e os juros altos inviabilizavam as políticas monetária, fiscal e cambial;
- Urgência em romper com a indexação da economia.
Consenso de Washington
Lista uma série de reformas a serem adotadas por países periféricos para terem crescimento autossustentado. Visa assegurar a ampla liberalização comercial e financeira e a forte redução do Estado na economia.
- Disciplina fiscal: Não se poderia gastar mais do que se arrecadava;
- Livre comércio: Somente ele aumentaria o nível de bem-estar;
- Livre mobilidade de capitais: Devem migrar para onde forem necessários;
- Privatização: O Estado deve reduzir o seu tamanho, focando somente em sua atividade-fim (promoção da desestatização);
- Reforma das leis trabalhistas: Flexibilização da legislação para que o nível de emprego aumentasse;
- Combate à inflação: O foco central da política econômica.
Plano Brady:
- Renegociação da dívida externa com o compromisso de adoção da agenda do Consenso de Washington;
- Troca da dívida soberana por bônus de emissão do governo do país devedor;
- Altera as condições de liquidez para os países signatários (Brasil só completa a negociação em 1994).
Plano Collor I (1990) - Plano Brasil Novo
- Plano híbrido (ortodoxo e heterodoxo);
- Reintrodução do Cruzeiro;
- Novo congelamento de preços de bens e serviços (embora desrespeitados, pouco caracterizando o plano).
Mudanças na Política Comercial Exterior:
- Adoção do câmbio livre;
- Liberalização da política de importações (redução de tarifa de 40% para 20%);
- Extinção dos regimes especiais de importação (exceto Zona Franca de Manaus e bens de informática);
- Fim de importantes controles quantitativos de importação.
Medidas Fiscais e Administrativas:
- Aumento da arrecadação: Novos impostos, aumento do IPI e IOF, e combate à sonegação;
- Redução do número de ministérios (Fusão: Fazenda + Planejamento = Ministério da Economia sob a Ministra Zélia Cardoso de Mello).
Área Financeira: SEQUESTRO DE LIQUIDEZ
- Grande âncora do plano;
- Todas as aplicações que ultrapassassem o limite de US$ 1.200 foram bloqueadas por 18 meses;
- O governo devolveria os Cruzados Novos bloqueados, transformados em Cruzeiros, em 12 prestações a partir do final de 1991, com correção monetária e juros de 6%;
- Pretendia-se usar esses recursos nas privatizações.