A Primeira Guerra Mundial: Causas e Consequências
Contexto e Rivalidades
A crescente disputa territorial e os diversos nacionalismos contribuíram para o surgimento de rivalidades entre os países capitalistas que, para proteger os interesses das empresas monopolistas, deflagraram um grande conflito — a Primeira Guerra Mundial — que os levou à ruína. Nos EUA, destacavam-se as indústrias química, elétrica e automobilística, enquanto na Alemanha sobressaía a indústria bélica. Alemães e norte-americanos ultrapassaram os ingleses na produção de ferro e aço.
O Papel dos Nacionalismos
A expansão europeia sobre o continente africano e asiático foi incentivada pelos diversos "nacionalismos":
- Pan-eslavismo: política estimulada pela Rússia, que defendia a união de todos os povos de origem eslava, com a intenção de aproveitar-se da fragmentação do Império Austro-Húngaro;
- Pangermanismo: ideal defendido pelos alemães, propõe a formação de um bloco de países germânicos;
- Revanchismo francês: revanche que se desenvolveu quando a França foi derrotada pelas tropas de Bismarck, completando a unificação alemã e incorporando Alsácia-Lorena.
Política de Alianças
Em 1873, Bismarck instalou a Liga dos Três Imperadores (Alemanha, Áustria-Hungria e a Rússia). As divergências entre a Rússia e a Áustria em relação à região dos Balcãs foram ocasionadas porque a Rússia apoiava as minorias eslavas, que desejavam a independência, acabando com essa aliança em 1878. Em 1882, o Segundo Reich firmou a Tríplice Aliança (Itália, Império Austro-Húngaro e Alemanha); a Itália passou para a Tríplice Entente em 1915. A Inglaterra se aproximou da França, formando a Entente Cordiale para que ambas pudessem enfrentar um inimigo comum: o sucesso econômico da Alemanha. A Rússia se juntou à Entente Cordiale, o que originou a Tríplice Entente (Inglaterra, França e Rússia). O posicionamento assumido pela Itália diante dos dois blocos era dúbio.
Questões Geopolíticas
Questão Marroquina: Convenção de Madri. Em 1880, definiu a "política de exploração da região" para o Marrocos, regulando os direitos de exploração da região para os franceses, alemães e britânicos. As ambições francesas e alemãs acabaram por despertar uma acirrada disputa, tornando mais intensas as rivalidades entre os dois países. Em 1904, França e Inglaterra firmaram um acordo pelo qual os franceses reconheciam os interesses ingleses no Egito e, em contrapartida, recebiam o apoio inglês para a dominação francesa sobre o Marrocos.
Questão Balcânica: Pretendendo dominar a região do Mar Negro ao Mar Egeu, passando pelos Balcãs, a Rússia defendia o pan-eslavismo e a independência das minorias nacionais. Seu intento era unificar os povos eslavos balcânicos.
O Estopim do Conflito
A morte do herdeiro do Império Austro-Húngaro (1912): A população, com todas as guerras e nas devidas situações, começa com uma "rebelião" e o herdeiro, querendo acalmá-los e apresentá-los a uma nova política monárquica, viaja para a capital da Bósnia, onde é assassinado por um bósnio, através de um atentado planejado pela organização secreta sérvia Mão Negra, que desejava frustrar o projeto austríaco. O que foi o ponto final para dar início à guerra.
Desenvolvimento do Conflito
Foram duas as fases do conflito:
- Em 1914, houve a guerra de movimentos: estava relacionada ao Plano Schlieffen, que foi uma estratégia ofensiva alemã elaborada em 1905; previa a mobilização de boa parte do exército alemão para invadir o território francês. Com a derrota francesa, os alemães julgavam que estariam livres para enfrentar os russos. Os alemães violaram a neutralidade da Bélgica ao invadirem o seu território, motivo que fez a Inglaterra declarar guerra à Alemanha. A França, beneficiando-se do apoio inglês, salvou-se do violento ataque alemão na Batalha do Marne.
- E, em 1915, a guerra de trincheiras: com o fracasso da guerra de movimento, teve início a guerra de trincheiras. Japão, Itália, Romênia e Grécia entraram no conflito ao lado da Tríplice Entente. Ao lado da Tríplice Aliança, colocaram-se o Império Turco-Otomano e a Bulgária.
- Frente Ocidental: fase das trincheiras.
- Frente Oriental: sequência de vitórias alemãs.
As contínuas derrotas da Rússia culminaram nas revoluções de 1917, que implantaram o regime socialista. Com a entrada do novo governo, oficializa-se a saída dos russos da guerra, com o Tratado de Brest-Litovsk em 1918. Os EUA abasteciam os países da Entente com alimentos e armamentos. A entrada desse país na guerra em 1917 reforçou o bloco liderado pela Inglaterra e pela França. A abundante oferta de novas armas, tanques, navios e aviões de guerra possibilitou aos países da Entente impor sucessivas derrotas aos alemães. A derrota da Alemanha obrigou o Kaiser alemão a ter que renunciar.
Os Tratados de Paz: Semente para a Próxima Guerra
Decisões de pós-guerra: dirigido pelo presidente norte-americano Wilson e os chanceleres George da Inglaterra e Georges da França. As conversações resultaram no Tratado de Versalhes, que considerou a Alemanha culpada pela guerra e criou uma série de determinações que visavam enfraquecê-la e desmilitarizá-la (devolução da Alsácia-Lorena à França). O Tratado de Versalhes também oficializou a criação da Liga das Nações (fórum internacional da paz mundial). Essas pretensões não se concretizaram, pois a Alemanha e a Rússia não participaram da liga, nem mesmo os EUA. Por discordar de muitas das decisões de Versalhes, os norte-americanos assinaram um acordo de paz com a Alemanha, em separado. Em 1919, o Império Austro-Húngaro foi desmembrado pelo Tratado de Saint-Germain. Houve a desintegração territorial dos Impérios Austro-Húngaro, Turco-Otomano e Alemão, que determinou o início da independência de novos Estados. As potências europeias saíram da guerra enfraquecidas; porém, conseguiram manter praticamente intactas suas possessões na África e na Ásia, o que facilitou a recuperação econômica e financeira da França, Inglaterra e EUA. Por outro lado, Alemanha e Itália saíram completamente derrotadas, o que as levou a contestarem o Tratado de Versalhes, reacendendo o sentimento revanchista.