Guia de Infecções Orais: Tuberculose, Candidíase e Herpes

Medicina e ciências da saúde7,02 KB

Tuberculose

Tuberculose: Infecção bacteriana crônica causada pelo agente etiológico Mycobacterium tuberculosis (bacilo de Koch). A transmissão ocorre por gotículas respiratórias em ambientes fechados. Inicialmente atinge os pulmões, mas pode se distribuir para qualquer parte do corpo. Cerca de 1/3 da população mundial está infectada, resultando em quase 2 milhões de óbitos anuais.

  • Tuberculose primária: Primeiro contato com o microrganismo em latência no pulmão (sem manifestação clínica). Fatores de reativação incluem baixa imunidade e estresse.
  • Tuberculose secundária: Ocorre em 5% a 10% dos pacientes, associada à imunossupressão e ao aumento da idade.

Sintomatologia: Febre baixa (final da tarde e início da noite), mal-estar, perda de peso, sudorese noturna e tosse produtiva com secreção. Pode haver hemoptise (presença de sangue no escarro) e tosse com dor. Etimologia: haima (sangue) + ptysis (escarro).

Manifestações orais da tuberculose: Secundárias às lesões pulmonares, são raras e apresentam-se como úlceras na língua (estreitas e profundas) com bordas recortadas.

Tratamento da tuberculose: Realizado com antibioticoterapia e é de notificação compulsória (deve ser comunicado à Vigilância Sanitária para controle). O governo cede a medicação. O tratamento dura 6 meses ininterruptos para garantir a eficácia.

Candidíase

Candidíase: Infecção fúngica oral mais comum no homem, causada pelo agente Candida albicans. Pode fazer parte da flora oral normal, agindo de forma oportunista em casos de baixa imunidade. É um fungo dimórfico (apresenta duas formas), sendo muito comum em bebês e idosos.

Tipos Clínicos de Candidíase

  • Pseudomembranosa (Sapinho): Placas cremosas de cor branca, destacáveis, com mucosa subjacente normal ou eritematosa. Sintomas: sensação de queimação, hálito fétido, gosto amargo ou salgado. Tratamento: antibioticoterapia e hidratação. Pode tornar-se crônica em imunossuprimidos. Locais comuns: mucosa jugal, língua e palato.
  • Candidíase Crônica Hiperplásica: Semelhante à pseudomembranosa, porém a lesão branca não é destacável. É extremamente rasa, idiopática e sem causa aparente.
  • Candidíase Atrófica Crônica: Área avermelhada sob a prótese (mucosa de suporte), comumente associada ao uso de Prótese Parcial Removível (PPR) superior.
  • Glossite Romboidal Mediana (Atrofia Papilar Central): Um subtipo de candidíase de cor vermelha, localizada na linha média do dorso da língua. Associada à imunossupressão ou causas idiopáticas. Tratamento: antifúngico tópico.
  • Queilite Angular: Eritema, fissura, descamação e úlcera no canto do lábio. Muito comum em idosos e usuários de prótese. Geralmente assintomática, pode estar associada a anemia ou deficiência vitamínica.

Paracoccidioidomicose ou Blastomicose Sul-Americana

Comum na América do Sul (Brasil, Colômbia, Venezuela, Uruguai e Argentina) e América Central. Frequente em áreas rurais devido ao hábito de "mascar mato", onde o esporo atinge o pulmão. Não existe contágio interpessoal; a disseminação no solo pode envolver o tatu-de-nove-listras. O pulmão é o sítio inicial.

Manifestações orais: Úlceras moriformes (com aspecto de morango ou amora).

Diagnóstico: Aspecto histológico (Hematoxilina e Eosina) com células gigantes contendo o Paracoccidioides. A coloração de Grocott-Gomori (prata) revela células em formato de "orelha do Mickey". Realizado através de biópsia, testes e projeções.

Herpes Simplex Vírus (HSV)

Contágio: Contato físico, gotículas respiratórias, água contaminada ou objetos inanimados. Cerca de 90% da população está infectada. Causa erupções vesiculares na pele e mucosa. O vírus destrói o epitélio (lise epitelial). O primeiro contato costuma ser assintomático e ocorre geralmente na infância. Após o contato, o vírus entra em latência.

  • Gânglio de Gasser: Local onde o vírus permanece em estado de latência (nervo trigêmeo).
  • Fatores de reativação: Sol (principal), estresse, baixa imunidade, febre, frio, gestação, alergia, menstruação e alterações respiratórias.

Gengivoestomatite Herpética Primária: Mais comum em crianças. Sintomas: febre alta, anorexia, irritabilidade, cefaleia, calafrios, mal-estar e artralgia. As lesões desaparecem em 5 a 7 dias. Gengiva edemaciada e eritematosa (dolorosa e com sangramento). Apresenta linfadenopatia submandibular e cervical. Evolução: múltiplas vesículas → úlceras → pseudomembranas.

Herpes Recorrente: Labial ou intraoral. Apresenta pródromo (prurido e ardência). A forma intraoral acomete apenas mucosa ceratinizada (gengiva inserida e palato duro). Evolução: vesícula → úlcera → crosta (labial) ou pseudomembrana (intraoral). Cicatrização em 1 a 2 semanas. Não se deve atender pacientes com herpes labial ativo para evitar a disseminação. Orientações: evitar sol, contato íntimo e manipulação da área; não remover a crosta, pois ela guia a cicatrização.

Diagnóstico diferencial: Gengivite Ulcerativa Necrosante (GUN), herpangina e estomatite aftosa recidivante.

Tratamento: Antiviral (Aciclovir tópico ou sistêmico) para reduzir a duração. Na Gengivoestomatite Herpética Primária, o tratamento é de suporte: repouso, hidratação e solução isotônica.

Vírus Varicela-Zoster (VZV)

  • Varicela (Catapora): Infecção primária. Transmissão por gotículas ou contato direto com lesões. Comum na infância (5-9 anos). Sintomas: pródromo e exantema pruriginoso no tronco, pescoço e extremidades. Evolução: eritema → vesícula → pústula → úlcera → crosta. Tratamento: suporte e sintomático.
  • Herpes Zoster (Cobreiro): Reativação do VZV. Fatores: idade avançada e imunossupressão. Sintomas: pródromo com dor intensa no dermátomo afetado (pode simular otite, odontalgia, cefaleia ou infarto). Pode deixar cicatrizes. As lesões seguem o trajeto do nervo até a linha média.

Manifestações orais: Semelhantes à varicela, com vesículas branco-opacas (1 a 4 mm) e úlceras rasas. O envolvimento da maxila pode causar necrose dos dentes e necrose óssea significativa.

Tratamento da Zoster: Aciclovir sistêmico oral e analgésicos potentes.

Sinal de Forchheimer: Presente em 20% dos pacientes; pequenas pápulas vermelho-escuro no palato, surgindo simultaneamente às lesões cutâneas. Petéquias palatinas também podem ser observadas.

Baixar

PDF Word HTML