Guia Prático para Reuniões Eficazes e Brainstorming

Língua e literatura10,61 KB

Tipos de Reuniões e Tipologias

  • Comícios (meetings): convocatórias (por exemplo, telemóvel, Facebook, Twitter)
  • Assembleias
  • Grupos de trabalho
  • Reuniões de informação: descendente e ascendente
  • Convocadas pela gerência: o dono da empresa convoca reunião com os trabalhadores
  • Convocadas pelos trabalhadores
  • Informação simples:
    • Ascendente: o grupo de trabalhadores reúne-se em plenário e apresenta as conclusões para propor uma reunião com a entidade patronal.
  • Simpósio: reuniões em torno de um tema, reuniões preliminares, reuniões de comissões de trabalho ou grupos de concertação social.

Tipologia de Reuniões

  • Comícios (reunião em massa)
  • Reuniões de confrontação (diferentes argumentos em confronto)
  • Reuniões de grupo com objetivo de formação
  • Reuniões de grupo de criatividade (brainstorming)
  • Disposição das reuniões

Participação e Dinâmica de Grupo

Numa reunião, importa considerar os seguintes fatores:

  1. Número de participantes
  2. Grau de maturidade do grupo:
    • Etapas do desenvolvimento afetivo
    • Estabelecimento de segurança
    • Estabelecimento da confiança interpessoal
    • Desenvolvimento da participação
    • Estruturação autónoma do grupo
    • Autorregulação do funcionamento
  3. Condições materiais:
    • Preparação da reunião
    • Ambiente
    • Duração
    • Disposição espacial
  4. Moral do grupo:
    • Influência do passado do grupo
    • Influência da imagem futura
    • Influência da situação exterior
  5. Qualidade de condução da reunião:
    • Preocupação em fazer progredir o grupo
    • Ter consciência das próprias atitudes
    • Ter aptidão para mudar de papel quando for preciso

Atitudes Habituais dos Participantes

  1. Medo do grupo:
    • Associado à ideia de uma força que se opõe
    • Associado ao medo do julgamento
    • Inversamente proporcional ao estatuto social
  2. Tendência para o conformismo
  3. Evitação de tensões e falsas ideias sobre o trabalho de grupo
  4. Decréscimo da espontaneidade
  5. Experiência penosa com dificuldades de comunicação

Dificuldades dos Condutores de Reuniões

  1. Preocupação com a racionalização do trabalho
  2. Recurso ao estatuto externo (experiência própria)
  3. Impossibilidade de mudar de papel
  4. Desconfiança face aos grupos em geral, baseada em:
    • O grupo "mata" a personalidade de cada um
    • O grupo elimina a responsabilidade
    • O grupo é estéril
    • O grupo é lento
  5. Recurso a atitudes compensatórias:
    • Sistema de autoridade
    • Persuasão
    • Luta latente contra o grupo
    • Procura de receitas ou técnicas

Preparação do Animador ou Facilitador

  1. Estudo do tema
  2. Determinação dos objetivos
  3. Elaboração do plano:
    • Tipológico
    • Metodológico
    • Cronológico
    • Descritivo
    • Lógico
  4. Escolha da composição do grupo, com base em:
    • Competência sobre os assuntos em agenda
    • Interesse pelo tema
    • Aptidão para o trabalho de grupo
    • Experiências
    • Estrutura organizacional
  5. Escolha do método de animação, que depende de:
    • Composição do grupo
    • Objetivo da reunião
    • Tema
    • Características de personalidade do animador

Dez Técnicas de Sabotagem em Reuniões

Nota: Estas diretrizes ilustram, de forma irónica, comportamentos a evitar para garantir a eficácia de uma reunião.

  1. Faça saber que se sente frustrado, que nunca o consultam e que o irrealismo de muitas decisões não o surpreende.
  2. Se foi convocado para uma reunião, arranje um pretexto válido para não ir. Na falta dele, procure chegar tarde e ter uma boa razão para sair antes de terminar.
  3. Se pedirem a sua opinião durante a reunião, diga que a questão tratada é um falso problema e que não tem nada a dizer, ou ainda que não está pronto a cumprir as ordens que lhe forem dadas.
  4. Se, não obstante, tiver mesmo de dar a sua opinião, comece por dizer que não se pode mudar nada e que o problema é da responsabilidade dos escalões superiores. Formule a proposta mais vaga possível e não se envolva em nada.
  5. Se alguém fizer uma sugestão, corte-lhe a palavra tantas vezes quantas for possível e depois critique-o vivamente.
  6. No caso de muitos participantes concordarem com uma proposta, escolha uma das seguintes reações:
    • Destile algumas propostas sonsas, do género: "Não basta agradar ao fulano para ser eficaz";
    • Diga: "É verdade que o período de validação não está longe...";
    • Estimule os outros participantes ao máximo para serem eles a demolir a proposta;
    • Faça entender, sem o dizer explicitamente, que outrora os chefes sabiam assumir sozinhos as suas responsabilidades, que a adesão se criava sem falatórios e que, de qualquer forma, se podia passar diretamente à ação.
  7. Se, malgrado todos os esforços, for encontrada uma solução, aja de forma a não ter qualquer responsabilidade na sua aplicação. Depois será mais fácil criticar os que trataram disso. A solução pode tornar-se eficaz ou, pelo contrário, inadequada:
    • No primeiro caso, afirme que, ao desempenhar o papel de advogado do diabo, nunca teve dúvidas da sua eficácia.
    • No segundo caso, lembre a todos (mesmo que não o tenha feito) que, se o tivessem ouvido, ter-se-ia evitado o fiasco.
  8. Graças à sua vigilância, nenhum projeto foi elaborado. Sublinhe que isso não o surpreende, pois nada de bom pode sair de um trabalho de grupo e não havia necessidade de ocupar tanto os responsáveis para se chegar ao ponto atual.
  9. Após a reunião, diga novamente a toda a gente que se perdeu tempo, que as pessoas não ousam dizer o que pensam e que você teria dirigido os trabalhos de outra forma e com mais eficácia.
  10. Em consequência disto, não informe os seus subordinados dos resultados da reunião, nunca lhes solicite a opinião ou, para maior segurança, evite pura e simplesmente reuni-los ou conversar com eles. A menos que seja partidário de soluções definitivas; nesse caso, faça reuniões com mais de 20 pessoas e monopolize a palavra durante três quartos do tempo.

Reuniões Criativas e Brainstorming

O termo é equivalente a tempestade cerebral, tempestade de ideias ou chuva de ideias.

Alex F. Osborn (1957): Autor de Applied Imagination (Nova Iorque, Scribner) e considerado o "pai" do brainstorming.

Importância do Brainstorming

Demonstrar o poder criador de um grupo bem conduzido através da interação e da sinergia.

Produção média: 150 a 200 ideias por hora (em grupos de 10 a 12 pessoas).

Condições Fundamentais

Imaginação precisa-se! (pano de fundo)

  • O grupo confronta-se com um problema real que necessita de soluções.
  • O problema tem de ser simples.
  • O problema deve ser claro para todo o grupo.

As Três Fases do Processo

  1. Exposição e apresentação do problema
  2. Tempestade de ideias (etapa produtiva)
  3. Apuramento e seleção

Regras de Ouro

  1. A imaginação é livre: quanto mais livre e audaz, melhor será recebida.
  2. Produzir o máximo de ideias: no mais curto período de tempo (importa mais a quantidade do que a qualidade).
  3. É proibido criticar ou autocriticar-se: não existem ideias absurdas; o espírito crítico paralisa o fluxo criativo.
  4. Ouvir as ideias dos outros: utilizá-las para fazer associações livres e construir novas propostas.

Como Defender um Ponto de Vista Contrário

Apresentamos sete atitudes essenciais para fazer valer a sua perspetiva de forma construtiva:

  1. Mostrar que compreendeu o ponto de vista do interlocutor:

    Reformule ou explicite o pensamento do outro, o seu estado de espírito, experiência e ideias.

  2. Não agredir, não combater nem querer vencer:

    O interlocutor não é um inimigo a combater apenas por pensar de forma diferente. Há uma tendência natural para identificar a pessoa com o seu pensamento.

  3. Apresentar o seu ponto de vista como complementar:

    Substitua expressões como "não estou de acordo" ou "sim, mas" por alternativas de adição:

    • "Pode-se acrescentar a isso que..."
    • "Continuando o que foi dito..."
    • "Na mesma linha..."
    • "Além do que foi dito..."
  4. Apresentar a sua perspetiva sem parecer dono da verdade absoluta:

    Deixe claro que não detém o monopólio da razão e que o interlocutor pode propor outras soluções. Utilize expressões como:

    • "Pode-se questionar se..."
    • "Na maior parte dos casos..."
    • "Por outro lado..."
    • "Analisando as coisas sob outro ângulo..."
  5. Apoiar-se em factos concretos e na experiência:

    Em vez de recorrer a afirmações teóricas, princípios abstratos ou julgamentos categóricos, fundamente a sua argumentação em factos irrefutáveis que forcem à objetividade.

  6. Procurar construir a conclusão em conjunto com o interlocutor:

    Em vez de impor uma conclusão, guie o interlocutor para que ele próprio a alcance. Utilize perguntas reflexivas como: "Não lhe parece que...?"

  7. Apresentar o seu ponto de vista como resposta às expectativas do grupo:

    Adote uma atitude de escuta ativa para identificar essas expectativas. Evidencie a ligação direta entre o seu argumento, os objetivos do interlocutor e o que já foi exposto, destacando a convergência de ideias.

    Expressões úteis:

    • "Como acabaram de referir os dois últimos intervenientes..."
    • "As opiniões expressas convergem no essencial para..."

Baixar

PDF Word HTML