Guia Técnico de Manometria Esofágica

Medicina e ciências da saúde4,01 KB

Manometria Esofágica: Equipamentos e Metodologia

Materiais Necessários: Detector de deglutições; gel anestésico (lidocaína a 2%, seringas, fita adesiva, desinfetantes).

1. Cateter de Pressão

Tubo longo e flexível, introduzido no esôfago do doente via nasal:

  • a) Perfusão: Acoplado a transdutores externos de pressão.
    • i) Arndorfer: 8 tubos capilares unidos à volta de um tubo central mais largo e revestidos por uma superfície -> 1/4-estômago (1cm); 4-5 (estômago) (2); 5-8 (corpo esôfago) (5).
    • ii) Cateter Dent-Sleeve: Tem uma fina membrana de 6 cm na extremidade distal, permitindo equalizar a pressão ao longo desse segmento; interesse na medição prolongada dos esfíncteres, não sendo esta afetada por deslocamentos do cateter.

    Vantagens: Transdutores externos e bomba de perfusão têm manutenção simples e raramente partem; preço acessível. Desvantagens: Somente para estudos estacionários; obriga a que o doente esteja na posição de decúbito supino; resposta mais lenta.

  • b) Solid-state: Os microtransdutores fazem parte do cateter.

    Vantagens: Não obriga à posição supino; permite estudos ambulatoriais; tempo de resposta é mais rápido do que o de perfusão, sendo melhor para o estudo do EES (Esfíncter Esofágico Superior). Desvantagens: Caro; frágil; sensível à temperatura.

2. Sistema de Infusão

Cateter constituído por vários tubos capilares continuamente perfundidos com água destilada a uma taxa constante (0,5-0,6 ml/min) por uma bomba de baixa compliance.

3. Requisitos Essenciais do Material

  • Pelo menos 4 sensores de pressão a serem utilizados simultaneamente;
  • Ter um sensor extra para a deglutição ou marcador de eventos seria o ideal;
  • A medida de pressão deve estar numa escala de 50-100 mmHg, permitindo que chegue pelo menos até aos 400 mmHg.

4. Utilização e Indicações

  • Estudo da disfagia sem causa orgânica;
  • DRGE (Doença do Refluxo Gastroesofágico), antes da colocação da sonda de pHmetria;
  • Avaliação pré-operatória;
  • Estudo da dor torácica não cardíaca;
  • Estudo do envolvimento esofágico em determinadas doenças envolvendo outros órgãos ou sistemas (alterações de motilidade secundárias, não específicas e primárias como acalásia, Nut/Quebra-nozes, EED e EEI hipertensivo).

5. Metodologia de Estudo

Estudo da motilidade do corpo: Deglutições de 5-10 ml de água, espaçadas 20-30s (desde a última deglutição); assinalar as deglutições e os artefatos; insistir com o doente para não tossir, engolir ou falar entre as deglutições.

Estudo do EEI (Esfíncter Esofágico Inferior): Colocar o cateter na posição adequada (4 canais distais devem estar no estômago).

  • Técnica do station pull-through: Ir retirando o cateter 0,5-1 cm de cada vez com pausas de 3-5 ciclos respiratórios; passar os 4 canais até ao esôfago; pedir ao doente para não engolir durante esta fase.
  • Quando o canal mais proximal atinge o bordo inferior do EEI, há um aumento de pressão (de pelo menos 2 mmHg).
  • Bordo distal do EEI: Enquanto se retira o cateter, encontra-se o Ponto de Inversão Respiratória (PIR), que é a transição entre a cavidade abdominal e a torácica.
  • À medida que os canais passam o bordo proximal do EEI, a pressão desce abaixo da linha de base gástrica.
  • O comprimento total do EEI é definido como a distância em cm entre o primeiro aumento de pressão (>2 mmHg) em relação à linha de base gástrica até à sua descida abaixo desta linha.
  • Comprimento intra-abdominal: PIR-BD; na inspiração intratorácica ocorre deflexão negativa (-) e na intra-abdominal deflexão positiva (+).

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