H2: A Crise Epistemológica e a Ruptura em Bachelard

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A Crise Epistemológica e a Ruptura em Bachelard

Considerações Finais

Com a chamada crise das epistemologias da modernidade, as ciências humanas se veem desafiadas a adotar novos métodos e a produzir novos conceitos. É importante frisar que essa crise é de grande significância, pois nos remete à averiguação constante do nosso fazer ciência. As rupturas somente surgem nos momentos em que indagamos e questionamos o que está estabelecido, como, por exemplo, no pensamento de Bachelard.

O Fim das Metodologias Universais

Se o padrão metodológico para as ciências não consegue responder a todas as perguntas da época em que estamos vivendo, isso significa que não podemos mais pensar em criar metodologias universais. Precisamos pensar a ciência como parte de uma cultura, a qual está em constante mudança porque é inacabada. Ela deve ser motivada na perspectiva de buscar respostas para o momento, para a época vivida.

Sua responsabilidade é para com o presente, com o intuito de apontar caminhos possíveis de serem desvendados e usufruídos pelo homem, visando diminuir sua miséria humana.

Superando a Disputa Quantitativo vs. Qualitativo

Diante dessas colocações, que jamais querem ser verdades, mas uma fonte de discussão, verificamos que as disputas entre as ciências naturais e humanas, e a polêmica entre quantitativo e qualitativo, perdem seu valor. O objetivo central da ciência não é simplesmente explicar os fenômenos, mas buscar compreender as diferentes necessidades do homem, para assim ajudá-lo a viver melhor em seu contexto.

Essa disputa nos faz perceber a ignorância da mente humana, quando deseja centralizar o poder sob um enfoque dogmático. A questão não é mais desejar construir um produto final ou tornar os conhecimentos como teorias acabadas. Nosso desejo deve ser o de tornar o conhecimento científico um meio pelo qual todo cientista se utiliza para dar continuidade às suas indagações e, assim, produzir novamente a descontinuidade e a ruptura.

Objetividade, Subjetividade e o Rigor Metodológico

Podemos concretizar a elaboração da ciência ao operacionalizar a mediação da razão com o mundo, com as experiências e com o contexto de forma dialética. Assim, a ciência não é somente subjetividade, pois ela necessita pensar, analisar e questionar tudo o que vem do mundo subjetivo para compreender as ações humanas.

Em uma investigação objetiva, a subjetividade não pode ser eliminada radicalmente, mas deve ser pensada e indagada para não se sobrepor à razão.

Portanto, consideramos que as ciências humanas/sociais podem produzir a objetividade, desde que ela não seja entendida sob um enfoque positivista. A objetividade requer um rigor metodológico, mas este deve ser produzido segundo o tempo dos instrumentos e o tempo vivido.

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