Heráclito, Parmênides e a Filosofia Humanista

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O Pensamento de Heráclito e a Dialética do Devir

Qualquer certeza racional não prevê nenhuma informação nova ao conhecimento; ela encontra uma impossibilidade lógica, já que há apenas o Ser-pensamento de Heráclito. Personagem sombrio, enigmático, misantropo e socialmente problemático, ele nos convida a conhecer o pensamento anterior, seja de um matemático ou de um físico. Segundo ele, a tarefa do sábio é revelar os segredos da realidade e encontrar sua verdade. Ele propõe uma primeira causa para a geração e corrupção das coisas e afirma que a realidade — a fonte de informação utilizada — tem duas manifestações:

  • Os sentidos: permitem conhecer as mudanças das coisas, que correm como um fluxo de águas de um rio.
  • A razão: pela qual, apesar das mudanças, percebe-se algo que dura.

A arché é entendida em termos de oposição e luta dos contrários, de afirmação e negação em constante mutação. Isso é representado por duas imagens principais:

  1. Para o mundo físico: a imagem do fogo como uma imagem funcional. O fogo não é um processo constante; possui ciclos de crescimento e declínio.
  2. Para o mundo social humano: a imagem da guerra, algo simultaneamente destrutivo e construtor.

A luta universal e eterna dos contrários é o arquétipo da realidade. O que permanece nas mudanças não é um elemento material, mas a capacidade que a realidade tem de mudar. O universo é regido dialeticamente por uma razão ou logos, que mantém o equilíbrio do universo como cosmos, funcionando como a lei que leva à ordem universal em meio a todo o dualismo conflitante existente.

4. Consequências do Pensamento de Parmênides

  1. Parmênides, com o seu pensamento, deriva de uma aporia eleata (nomeada pela escola a que pertence), uma vez que estabelece uma ciência perfeita, mas que, para todos os efeitos práticos, é inútil.
  2. Ninguém após ele ousará apelar a um único elemento a partir do qual se possa explicar a mudança e a pluralidade. Isso resultou no pensamento pluralista, diante da impossibilidade de explicar como o múltiplo emerge.
  3. Começa a desacreditar os filósofos naturais.

1. A Mudança na Filosofia Humanista do Século V a.C.

Explicação e justificação dos diversos fatores contextuais (político, social, intelectual, cultural, histórico, etc.)

1. Históricos e políticos: É o chamado Século de Péricles. Com ele, as reformas políticas que tinham começado anos antes nas colônias cristalizam-se em uma transformação política que dará caminho à democracia e, com ela, à abolição dos privilégios dos antigos aristocratas e oligarcas. O surgimento da mudança democrática conheceu seu esplendor, mas também a sua decadência.

Atenas teve que enfrentar inimigos internos e externos:

  • Inimigos externos: Esparta logo se tornou suspeita; os aristocratas espartanos temiam perder seus privilégios. Logo sentiram desapontamento pelo fato de Péricles concentrar cada vez mais poder, graças às contribuições da Liga de Delos (formada para impedir os persas). Grande parte dos recursos coletados foi dedicada à reconstrução de Atenas e da Acrópole. A tensão rompeu definitivamente com a Guerra do Peloponeso, uma guerra civil que terminou com a derrota de Atenas. Durante esse tempo, Atenas também sofreu com a devastação da peste e tentativas de golpe contínuas.
  • Inimigos internos da democracia: Os aristocratas, embora tivessem admitido reformas no princípio democrático como forma de recompensar o trabalho do povo nas Guerras Médicas, logo começaram suas críticas ao novo sistema político e, em várias ocasiões, tentaram recuperar o poder. Logo após a guerra, instituiu-se o Governo dos Trinta Tiranos, que foi tão sanguinário que apenas um ano depois Trasíbulo conseguiu restaurar a democracia.