A Influência da Cultura na Formação do Indivíduo

Psicologia e sociologia3,12 KB

Cada indivíduo nasce com um equipamento físico mais ou menos distinto, que crescerá e amadurecerá. Possui a capacidade de aprender, que o distingue de outros animais. Tem impulsos e necessidades – fome e comida, sede e bebida, libido (para empregarmos o termo freudiano) e satisfação sexual, bem como possibilidades de reações emocionais – cólera, medo, amor, ódio. Mas os traços genéticos e as potencialidades individuais só desabrocham e tomam forma no decurso da experiência no meio social.

O indivíduo aprende a satisfazer suas necessidades de forma socialmente aprovada. O que come e com quanta frequência, se toma leite de vaca, leite de cabra ou o fruto da vinha, se tem uma só parceira sexual ou muitas – tudo isso depende da cultura. Suas simpatias e antipatias, esperanças e ambições, interpretações da própria sociedade e do sobrenatural (se vier a acreditar neste último) derivam do mundo social à sua volta. Em suma, ele se torna um ser social à proporção que absorve a cultura, que lhe permite sobreviver e viver em sociedade, orienta-lhe as ações e dá significação à existência.

A Percepção Cultural da Dor

Até experiências ostensivamente "privadas", como a resposta emocional e a percepção, são influenciadas pela cultura por interposição de outras pessoas com as quais interagimos. Num estudo bem feito de pacientes de hospital, por exemplo, Mark Zborowski verificou que membros de vários grupos étnicos reagiam de maneira muito diferente à experiência da dor física:

  • "Velhos norte-americanos": tendiam a manter uma atitude estóica, embora pudessem gritar e gemer – se não estivesse ninguém presente – quando a dor se acentuava.
  • Judeus e italianos: tendiam a mostrar-se "muito emotivos", queixando-se, gemendo e lamentando-se, sem qualquer senso de vergonha.

O italiano, entretanto, quando a dor é aliviada por drogas, "esquece facilmente o sofrimento e manifesta uma disposição feliz e alegre". O judeu, por outro lado, permanecia concentrado na origem de sua dor e, não raro, relutava em tomar drogas analgésicas, temeroso de que elas pudessem disfarçar sintomas importantes.

Comportamento Social e Normas de Grupo

A estreita dependência do indivíduo em relação ao meio social possibilita a explicação de alguns aspectos do comportamento humano sem referências diretas a características psicológicas. Visto que as pessoas tendem a seguir as normas dos grupos a que pertencem, o conhecimento das filiações de grupo de um indivíduo e dos atributos desses grupos bastará, provavelmente, para que se lhe predigam e expliquem as ações.

Pode-se também supor que pessoas que partilham de experiências semelhantes e possuem características sociais comuns procederão, de um modo geral, aproximadamente da mesma maneira em idênticas situações, ainda que seu comportamento não seja prescrito institucionalmente ou que a cultura lhes enseje mais de uma alternativa. Porque seus valores e perspectivas são análogos, tendem a ver o mundo e a reagir a ele de maneira muito parecida.

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