Tipos de memória e esquecimento: declarativa, episódica, semântica e processo dinâmico
Resumo
O texto explica os tipos de memória de longo prazo, distinguindo a memória não declarativa da declarativa e, nesta última, a episódica da semântica. Analisa também a memória como processo ativo e reconstrutivo, e a função essencial do esquecimento, descrevendo o esquecimento regressivo, o motivado (segundo Freud) e o por interferência.
Pontos-chave
- A memória de longo prazo divide-se em não declarativa (saber fazer, automática) e declarativa (conteúdos que podem ser expressos por palavras).
- A memória declarativa inclui a memória episódica (vivências pessoais e autobiográficas) e a memória semântica (conhecimento geral sobre o mundo, sem localização no tempo).
- A memória é um processo ativo e reconstrutivo: pode dar mais relevo a certos dados, distorcê-los ou omiti-los.
- O esquecimento é essencial porque a memória é seletiva e tem capacidade limitada de armazenamento.
- O esquecimento regressivo está associado sobretudo a pessoas idosas, devido à degenerescência dos tecidos cerebrais.
- O esquecimento motivado, segundo Freud, é o recalcamento de conteúdos traumatizantes ou angustiantes, como mecanismo de defesa.
- O esquecimento por interferência ocorre quando aprendizagens posteriores alteram as memórias mais antigas, sem as apagar totalmente.
Tipos de Memória de Longo Prazo: Declarativa e Não Declarativa
A memória a longo prazo retém os materiais durante horas, meses ou toda a vida. Há dois tipos principais de memória a longo prazo: a memória não declarativa e a memória declarativa.
A memória não declarativa é automática e retém informações do tipo "como fazer?". É o exercício e a repetição do conjunto de práticas que tornam a atividade automática. Só conseguimos atingir este tipo de memória através da ação.
A memória declarativa, explícita ou com registo, implica consciência do passado, do tempo, de experiências vividas, de acontecimentos e pessoas. Esta memória lida com conteúdos que podem ser declarados, ou seja, transpostos para palavras. Dentro desta memória, podemos ainda separar a memória episódica da memória semântica:
A memória episódica é constantemente associada à memória autobiográfica, exatamente porque se reporta a lembranças da vida pessoal. Envolve rostos de pessoas, músicas, factos e experiências.
A memória semântica permite identificar objetos e conhecer o significado das palavras. Refere-se ao conhecimento geral sobre o mundo: leis, factos, fórmulas e regras. Não há localização no tempo, nem ligação com qualquer ação ou conhecimento específico.
A Memória como Processo Ativo e Dinâmico
A memória é um processo ativo e dinâmico na medida em que não reproduz fielmente aquilo que armazenou. A memória reconstrói os dados, o que implica que dê mais relevo a uns, distorça outros ou mesmo os omita. Por outro lado, quando os acontecimentos são muito emotivos, a memória deixa escapar pormenores que depois são substituídos ou reconstruídos pelo cérebro.
Memória e Esquecimento: Função e Tipos
A Essencialidade do Esquecimento
A memória é seletiva e limitada na sua capacidade de armazenamento. Por isso, o esquecimento é condição essencial ao normal funcionamento da memória. Podemos definir esquecimento como a incapacidade de recordar, de recuperar dados, informações ou experiências que foram memorizadas no passado. O esquecimento pode ser provisório ou definitivo. Apesar de estar carregado de uma imagem negativa, o esquecimento é essencial. Só continuamos, ao longo de toda a vida, a memorizar informação porque conseguimos esquecer outra. O esquecimento tem uma função seletiva e adaptativa. O esquecimento está, normalmente, mais relacionado com a memória a longo prazo, uma vez que, na memória a curto prazo, o tempo de retenção da informação é demasiado curto: esta ou passa para a memória a longo prazo ou é apagada.
Tipos de Esquecimento: Regressivo, Motivado e Interferência
Existem diferentes tipos de esquecimento:
O esquecimento regressivo acontece quando há dificuldades em apreender novas informações e relembrar conhecimentos, factos, nomes e números recentes. É frequente ocorrer, maioritariamente, em pessoas mais idosas devido à degenerescência dos tecidos cerebrais.
O esquecimento motivado aparece na sequência da teoria do psiquismo humano de Freud. Assim, esquecemos o que, inconscientemente, nos convém esquecer. De forma a assegurar o equilíbrio psicológico, o cérebro tende a esquecer todos os conteúdos que possam ser traumatizantes, dolorosos ou angustiantes, fenómeno a que chamamos recalcamento. Através deste mecanismo de defesa, os conteúdos do inconsciente são impedidos de atingir a consciência, diminuindo a incidência de momentos tensos provocados por conflitos internos.
O esquecimento por interferência das aprendizagens explica-se pela interação das novas memórias com as mais antigas. As memórias mais antigas não desaparecem, mas sofrem alterações por efeito da transferência de aprendizagens e experiências posteriores que as tornam irreconhecíveis.
Baixar
PDF Word HTMLPerguntas frequentes
Qual é a diferença entre memória episódica e memória semântica?
A memória episódica refere-se a lembranças da vida pessoal, como rostos, músicas e experiências vividas. A memória semântica refere-se ao conhecimento geral sobre o mundo, como factos, leis, fórmulas e o significado das palavras, sem ligação a um momento específico.
Porque é que o esquecimento é importante para a memória?
A memória é seletiva e tem capacidade limitada. O esquecimento permite libertar espaço para novas informações, pelo que só continuamos a memorizar porque conseguimos esquecer outra informação.
O que é o esquecimento motivado?
É o esquecimento de conteúdos que, inconscientemente, nos convém esquecer, por serem traumatizantes, dolorosos ou angustiantes. Segundo o texto, este mecanismo de defesa, chamado recalcamento, assegura o equilíbrio psicológico.
Teste-se
Cartões de revisão
Clique em um cartão para ver a resposta.
Teste
Perguntas geradas com IA a partir do documento: verifique as respostas com o texto.