Metafísica: Do Ser à Vontade de Schopenhauer
Ser e Tornar-se
Em sentido restrito, considera-se que a realidade é o que temos como experiência (planetas, átomos, árvores). Em um sentido amplo, é considerada não só a existência material de seres e realidades observáveis pela ciência, mas também as subjetivas que conhecemos intimamente (sentimentos, crenças, ideias). Heráclito de Éfeso acreditava que o segredo da realidade está na evolução eterna, enquanto outros acreditam que a verdadeira realidade é imutável.
Realidade e Aparência
A realidade é o conjunto de todos os seres e objetos que têm existência por si mesmos, independentemente de um sujeito que os perceba. A aparência é como a realidade se manifesta ou aparece para os sujeitos que a percebem.
O Ser e o Nada
O Ser é o que é, o que a realidade existe. O Nada é a negação do ser e, portanto, é o que não existe ou não é real. O nada é uma pseudoideia; de acordo com Henri Bergson, é um termo sem sentido, pois não se pode sequer imaginar ou pensar logicamente, e então só podemos usar a palavra 'nada' na linguagem.
Espiritualismo e Materialismo
- Espiritualismo: Corrente dos pensadores que argumentam que, sob a realidade material em que vivemos, existe uma realidade espiritual que lhe dá sentido.
- Materialismo: Designa os filósofos que negam a existência de realidades de natureza espiritual.
A Dor
A dor física, como no caso de uma dor de dente, inclui sensações variadas em duração e intensidade, mas todas possuem um forte componente físico. A dor espiritual ou vital é uma experiência de sofrimento que pode ser causada por diversos fatores, como a separação.
Características da Dor:
- Dor física: Temporária ou acidental; geralmente provoca lesões físicas; é de natureza física e localizável em uma parte do corpo.
- Dor vital: Pode ser temporária ou acidental, mas geralmente a causa é uma atitude perante a própria vida; não é localizável e não possui natureza física.
Schopenhauer (1788-1860)
Para o filósofo Arthur Schopenhauer, a vida é dor, e esta só pode ser evitada renunciando-se à própria vida. Influenciado pela filosofia kantiana, ele afirma que conhecemos apenas representações da realidade, mas não a realidade em si, que está escondida por trás das aparências. A verdadeira realidade é a Vontade. Esta vontade de viver busca satisfazer todos os nossos desejos, mas o desejo nasce do que não temos, tornando a vida inevitavelmente dolorosa. A satisfação não elimina a dor. A única alternativa é a ascese: a renúncia da vida, o desprezo e a indiferença a tudo.
A Morte
Existem aspectos comuns e específicos sobre a morte:
- Traços comuns: A morte é a perda da vida orgânica, ocorrendo quando os órgãos vitais interrompem suas funções por causas externas ou internas.
- Traços específicos: Em plantas e animais, a morte é um fato biológico; nos seres humanos, é um constituinte do ser, pois o homem é consciente de sua própria morte.
Concepções de Divindade
- Panteísmo: A realidade divina é imanente ao mundo. Acredita-se em um Deus identificado com a unidade de toda a existência (Deus e Natureza são um só), como no Budismo e Hinduísmo.
- Teísmo: A realidade divina é transcendente ao mundo. Acredita-se em um Deus pessoal, criador do universo, com qualidades como bondade, inteligência e poder, que intervém nos eventos (Cristianismo e Judaísmo).
- Deísmo: A realidade divina é transcendente, mas não intervém no mundo. Deus é a causa e o fundamento do mundo, mas não é um deus pessoal nem revela qualidades morais (Voltaire, Toland).
A Existência do Mal no Mundo
Segundo Leibniz, o mal no mundo é o necessário para se obter um bem maior. O mundo em que vivemos é o melhor dos mundos possíveis, mas não se pode alcançar este ideal sem o mal, à custa das restrições do entendimento humano e da imperfeição da ação humana.