Perspectivas Filosóficas: Homem, Ética e Existência
O Humanismo de Sartre e o Existencialismo
O humanismo de Sartre está localizado em uma tradição filosófica conhecida como existencialismo. Parte da premissa da ausência de Deus: não há nenhuma instância que busque construir um homem em sua referência moral. Como consequência, há uma falta de moralidade pré-definida quanto ao respeito humano; a vida humana não possui nenhum significado inerente, resultando na alegação de que a vida é um absurdo e o homem é impotente. O ser humano não é definido por uma essência, mas sua existência significa que não há natureza humana a priori, nem critérios objetivos e universais. O homem está condenado a ser livre e, em desacordo com sua existência, deve se encarregar de sua própria vida. O ser humano é consciente dessa liberdade; esta é uma subjetividade aberta.
Immanuel Kant e o Iluminismo
No Século XVIII, a Era do Iluminismo representou um momento de grande confiança no progresso humano e na capacidade do homem para construir um futuro melhor através da razão (o otimismo antropológico). Os seres humanos têm uma dimensão natural e estão sujeitos às leis da natureza (objeto entre objetos), mas o ser humano também é considerado um sujeito, um agente intencional. Localizado no coração da filosofia kantiana, há três questões fundamentais:
- O que posso saber? (Pensar)
- O que devo fazer? (Querer)
- O que posso esperar? (Sentir)
Estas três questões são resumidas em: O que é o Homem? (Antropologia filosófica). Kant considera o ser humano como um fim em si mesmo.
O Anti-humanismo
O anti-humanismo baseia-se em três pontos principais:
- Dúvida sobre a existência de uma essência humana livre e autoconsciente.
- Foco da análise sobre os processos que constroem o ser humano, para além de sua vontade e consciência.
- A visão psicanalítica: o estado inconsciente constitui a subjetividade humana de forma mais decisiva do que a consciência.
Teorias Contratualistas Clássicas
- a) Todos os seres humanos nascem livres e senhores de si mesmos.
- b) A lei é comum a todos e não muda de acordo com a classe social.
- c) A soberania reside no povo.
Dois conceitos fundamentais:
- Estado de Natureza: O estado anterior à sociedade civil.
- Status (Estado): Uma união estável e duradoura dos indivíduos com as instituições.
A passagem entre esses estados ocorre através do contrato social, quando seres humanos decidem criar instituições e leis que garantam estabilidade e segurança.
Ética Cristã Tomista (Tomás de Aquino)
Sua ética possui um caráter teleológico (finalista). Como Deus é a perfeição suprema, Aquino acredita que a ação humana deve ser orientada para a sua busca. Ele afirma que a virtude deve ser aprimorada para permitir que o homem encontre a felicidade interior. Fazer o bem traz felicidade. O objetivo final do homem é a felicidade.
Éticas Materiais: Eudemonismo e Hedonismo
O Eudemonismo (Teoria da Felicidade) apresenta diferentes perspectivas:
- Sofistas: Defendiam o relativismo moral; os valores não eram sujeitos a critérios universais.
- Sócrates: Considerava a existência de conceitos moralmente válidos para todos. Através do intelectualismo moral, pregava que conhecer a virtude leva à sua prática e à sabedoria. Sua posição busca a felicidade (eudaimonia).
- Platão: Apresenta o mito de Eros, o "daimon" entre o divino e o humano. A felicidade é a suprema recompensa da virtude orientada ao bem.
- Aristóteles: Afirma que todos os homens tendem à felicidade. Descreveu o processo interno através de duas virtudes:
- Intelectuais: Sabedoria e prudência (origem na inteligência).
- Éticas: Fortaleza, temperança e modéstia (adquiridas pelo costume).
O Hedonismo define o prazer como o objetivo final (ausência de dor). Não é mais feliz quem mais tem, mas quem menos deseja. O desejo contínuo produz infelicidade.
O Epicurismo identifica três medos humanos:
- Destino: O que acontece no futuro.
- Morte: Enquanto estamos vivos, ela não está presente.
- Deus: O temor de um ser poderoso que limita a ação.
Para Epicuro, o prazer é a Ataraxia (ausência de dor e ansiedade), enfatizando prazeres moderados e a amizade.
O Estoicismo (Grécia e Sêneca) busca a autarquia (autossuficiência) e o controle racional sobre as paixões para alcançar a serenidade.
Existencialismo e a Construção do Sentido
No existencialismo, não existem objetivos morais definidos a priori. O homem deve assumir a responsabilidade por sua própria vida e construir um projeto pessoal para dar sentido à sua existência.