Populismo e Pós-Era Vargas no Brasil
Populismo no Brasil
Com a chegada de imigrantes europeus, a sociedade brasileira começou a se diversificar. Paralelamente, o processo de industrialização impulsionou a rápida expansão das cidades. Isso resultou na origem da camada média e dos setores burgueses, o que levou ao enfraquecimento do poder oligárquico.
Surgiu então o populismo, uma política baseada em lideranças carismáticas que detinham o apoio popular e adotavam medidas nacionalistas. Os líderes populistas formavam governos fortes, com a liderança centralizada no reformista e autoritário. Um exemplo notável de governo populista no Brasil foi o governo de Getúlio Vargas, que permaneceu no poder por 15 anos.
Os governos populistas investiam em indústrias de base e implementavam reformas favoráveis aos trabalhadores, além de tentarem elevar os salários.
O Fim do Estado Novo e Dutra
O Estado Novo foi criado por Vargas. Após seu governo, assumiu Dutra, e posteriormente Vargas retornou ao poder.
Governo de Eurico Gaspar Dutra
No ano de sua eleição, foi promulgada a quinta Carta Magna do país. Esta Constituição afirmava os princípios do federalismo e o equilíbrio entre os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), além de estabelecer eleições diretas para todos os maiores de 18 anos, independentemente de sexo ou condição social.
Dutra reforçou os laços com os EUA, alinhando-se ao discurso anticomunista, e o Brasil ingressou na Organização dos Estados Americanos (OEA), visando ampliar parcerias comerciais e manter a democracia. O Partido Comunista Brasileiro (PCB) foi ilegalizado.
No primeiro ano de mandato, Dutra adotou uma política liberal, estimulando a importação para aquecer o mercado interno. No ano seguinte, começou a restringir as importações, priorizando a compra de maquinário para o avanço da indústria nacional.
O comício na estação da Estrada de Ferro Central do Brasil reuniu 300 mil trabalhadores em apoio a Jango.
Dutra implementou o plano SALTE, cujas letras representam os objetivos: Saúde, ALimentação, Transporte e Energia. Embora não tenha alcançado o sucesso esperado, o plano foi relevante para o crescimento da economia brasileira.
Ele também promoveu um programa de valorização da moeda e aumentou o preço do café.
Apesar de seus esforços, Dutra não conseguiu diminuir o prestígio popular e a força de Getúlio Vargas, que foi eleito nas eleições seguintes pelo PTB, com o apoio do PSD.
Segundo Governo de Getúlio Vargas
Os principais objetivos de Vargas eram reduzir a inflação para baratear os bens de consumo essenciais e aumentar o poder de compra da população, além de estimular a industrialização brasileira. Contudo, a inflação persistiu em crescimento.
Vargas criou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para fomentar o avanço industrial e a Petrobras, uma estatal com monopólio na exploração e refino de petróleo em território nacional.
A UDN (União Democrática Nacional) acusava Vargas de obstruir o desenvolvimento brasileiro ao impedir a plena interação econômica com países capitalistas. Os defensores do nacionalismo de Vargas alegavam que a UDN pretendia facilitar a entrada de capital e tecnologia estrangeira, prejudicando o desenvolvimento autônomo do Brasil.
A oposição a Vargas cresceu rapidamente. A UDN o acusava de planejar um golpe para instaurar um regime comunista. Na imprensa, o antigetulismo ganhou força, e o jornalista Carlos Lacerda denunciava casos de corrupção.
Após o atentado contra Carlos Lacerda, conhecido como Crime da Rua Toneleros, as forças de oposição se uniram e exigiram o afastamento de Getúlio do poder, mesmo com o mentor do atentado nunca tendo sido identificado.
O presidente foi encontrado morto no Palácio do Catete, com um tiro suicida no peito e uma carta testamento. Este evento gerou grandes manifestações populares que se voltaram contra os grupos de oposição a Getúlio.
Sucessão Pós-Vargas
O sucessor de Vargas permaneceu no cargo por pouco mais de 14 meses, assumindo logo após o suicídio e substituindo Vargas até a próxima eleição. Ele baseou seu governo em militares, políticos e empresários que faziam oposição a Getúlio.