Respostas à Crise Econômica e Modelos de Desenvolvimento
Respostas à Crise
No início, quase todos os países adotaram políticas de austeridade visando melhorar a rentabilidade através da redução da produção, da venda de excedentes e dos salários. O objetivo era reduzir os custos de produção e as despesas financeiras, restringindo o crédito. Acreditava-se que esta estratégia permitiria a sobrevivência das empresas mais eficientes e a manutenção do défice orçamental do Estado. Contudo, esta estratégia aprofundou a crise ao incentivar o baixo consumo e transferir os efeitos da crise para os trabalhadores, enquanto o equilíbrio do orçamento público era mantido por subvenções e ajuda a empresas afetadas, gerando uma diminuição das receitas públicas devido à contração da renda e do consumo.
Esta estratégia deflacionária foi um fracasso. Cada país optou por políticas econômicas heterodoxas, mas, em todos os casos, o Estado precisou intervir mais ativamente na economia diante da falha dos mecanismos de mercado. Como exemplos significativos:
- Grã-Bretanha: Rompeu com o livre comércio ao aplicar medidas protecionistas que afetaram a produção doméstica de matérias-primas e produtos alimentares. Houve a quebra do paradigma do padrão-ouro e a consequente desvalorização da libra esterlina, marcando a perda da hegemonia financeira em favor dos EUA.
- Estados Unidos: Implementou o New Deal, uma mudança na direção da política de "não intervenção". O programa focou na ideia de que os problemas residiam no baixo consumo, estimulando a procura. Houve a desvalorização do dólar para estimular exportações e medidas de controle bancário, aumentando a exigência de reservas. No setor agrícola, limitou-se a oferta através de indenizações e subsídios. Na indústria, promoveu-se a cartelização para evitar o excesso de oferta, mantendo salários e reduzindo a jornada de trabalho.
- Suécia: O triunfo dos Social-democratas focou em investimentos públicos para estimular a demanda. Um sistema de produção social permitiu o crescimento moderado dos salários e a acumulação de benefícios empresariais reinvestidos na produção. Instituiu-se um pacto social entre sindicatos, empregadores e trabalhadores, fortalecendo o Estado social.
Desintegração da Europa Central e Oriental
Setor industrial: A política de "substituição de importações" visava incentivar a indústria nacional, dispensando a vantagem comparativa do mercado internacional. Isso envolveu a criação de complexos industriais financiados pelo Estado para a produção de bens de consumo. Os resultados foram altos custos e preços elevados, mantendo-se a dependência tecnológica.
Setor agrícola: Reformas agrárias conduzidas pelo Estado tiveram um caráter anti-oligárquico, distribuindo terras entre camponeses. O resultado foi um setor dual: uma parte voltada para a exportação (financiando a indústria) e outra para a demanda interna. Esta política falhou devido à situação internacional deprimente. A demografia também contribuiu para a deterioração econômica, com o mercado de trabalho saturado, aumento do desemprego e redução das remessas.
A Experiência Soviética
A estrutura econômica soviética apresentava um dualismo entre uma agricultura atrasada e um setor industrial moderno, gerando fragilidade econômica. Após a revolução de 1917, distinguem-se três fases:
- Comunismo de Guerra: Nacionalização de toda a atividade econômica e criação de planos governamentais. A guerra civil sacrificou o planejamento de médio e longo prazo em prol da vitória final.
- Nova Política Econômica (NEP): Focada em revitalizar o sistema produtivo, autorizando o artesanato, o comércio e a agricultura privada. Foi uma fase de recuperação, vista posteriormente pelo Partido Comunista como uma ameaça, levando ao retorno do controle estatal total.
- Planos Quinquenais: A partir de 1928, iniciou-se a coletivização forçada da agricultura para acumular capital e financiar a indústria. Na indústria, criaram-se grandes complexos para gerar economias de escala, com foco crescente na qualificação da mão de obra.