Resumo das Eras: Pré‑História à Idade Moderna
1. Pré-História
A vasta arqueologia inclui um período que vai desde o surgimento dos seres humanos até a invenção da escrita.
1.1 A origem do homem
A evolução dos hominídeos caracteriza-se pelo corpo mais ereto, pelo aumento da capacidade craniana, pelo domínio do fogo e pelo uso de linguagem.
1.2 A Idade da Pedra
A Idade da Pedra é dividida em dois períodos principais:
- Paleolítico: foram nômades os seres humanos que viviam ao ar livre, predadores que buscavam abrigo em cabanas ou cavernas. Viveram em tribos, dominaram o fogo e surgiram novas crenças, como o culto aos mortos, e expressões artísticas.
- Neolítico: transição de uma sociedade de predadores-caçadores para a agricultura. Surgiu no Médio Oriente. Inovações proeminentes incluem:
- emergência da agricultura e criação de animais domésticos;
- uso de novas técnicas;
- sedentarização do homem.
1.3 A Idade dos Metais
A metalurgia começou entre o Irão e o centro da península da Anatólia, no final do Neolítico. A Era dos Metais pode ser dividida (Idade do Cobre, Idade do Bronze e Idade do Ferro) e é caracterizada por:
- uso de metais para produzir ferramentas agrícolas e armas;
- utilização de animais como meios de transporte, aliada à invenção de dispositivos de tração;
- desenvolvimento de estratificações sociais: diferentes status e acumulação de riqueza;
- surgimento de novas manufaturas e expressões artísticas (arquitetura megalítica, trabalhos com grandes blocos de pedra).
2. Idade Antiga
A Idade Antiga começa com o advento da escrita (c. 3500 a.C.) e termina com a queda do Império Romano do Ocidente (476 d.C.). Neste período distinguem-se duas grandes formas de organização civilizacional.
2.1 A civilização urbana
Desenvolveu-se primeiramente a cidade‑estado. Esse processo ocorreu durante o IV milênio a.C. no Egito e na Mesopotâmia, situando-se em vales e planícies fluviais. Caracteriza‑se por:
- produção agrícola que permitiu a acumulação de excedentes e a troca de produtos;
- sociedade hierarquizada com autoridades, soldados, sacerdotes;
- cultura avançada cuja invenção da escrita contribuiu para a difusão do saber;
- arte oficial ao serviço de reis e faraós.
2.2 As civilizações clássicas
Consideram‑se civilizações clássicas a grega (c. 3000 a.C. – 146 a.C.) e a romana (753 a.C. – 476 d.C.). Foram modelos culturais cuja influência perdurou nas épocas subsequentes. Desenvolveram‑se em torno do Mediterrâneo.
- Na Grécia, a organização política baseou‑se nas pólis independentes (cidades‑estado).
- Em Roma, a organização territorial foi mais centralizada, controlando uma extensa área dividida em províncias.
- No plano político, Atenas destacou‑se pelo estabelecimento da democracia; Roma teve diferentes formas de governo: a República e depois o Império.
- Na sociedade houve distinções entre grupos com direitos diferentes: pessoas livres e escravos.
- Na economia, enfatizou‑se o artesanato e o comércio; Roma desenvolveu uma ampla rede comercial por via marítima e terrestre.
- Na cultura, a civilização grega e a romana deram contribuições significativas: língua, direito romano, arte voltada à busca da beleza e uso da arquitetura.
3. Idade Moderna
No segundo semestre do século XV começou um novo período histórico denominado Idade Moderna. Alguns acontecimentos que marcaram o início foram:
- 1453 – queda de Constantinopla e fim do Império Bizantino, tomada pelos otomanos;
- invenção da imprensa na Europa;
- 1492 – descoberta do Novo Mundo (as Américas).
A Era Moderna terminou no final do século XVIII (1789), com a Revolução Francesa.
3.1 Os descobrimentos geográficos
No início da Idade Moderna iniciou‑se uma série de descobertas geográficas que alargaram o mundo conhecido. Algumas causas dessas expedições foram:
- necessidade dos europeus de encontrar uma nova rota para a Ásia, de onde vinham produtos valiosos como especiarias (as rotas tradicionais pelo Mediterrâneo estavam sob influência do Império Otomano);
- busca por ouro e metais preciosos;
- inovações técnicas: uso disseminado da bússola e do astrolábio; construção de navios mais adequados para navegar o Atlântico (caravela, galeão); desenvolvimento da cartografia (portulanos);
- espírito de aventura e vontade de enriquecer, impulsionado por relatos sobre terras distantes;
- existência de duas monarquias com forte tradição marítima: Portugal e Castela (Espanha).
Durante o século XV, portugueses e espanhóis exploraram novas terras por duas rotas: a rota oriental e a rota ocidental. Portugal, apoiado pelo Infante D. Henrique, realizou viagens de descoberta ao longo da costa africana e para o Oriente através do Oceano Índico. Eventos importantes foram: conquista de Ceuta (1415), chegada ao Cabo da Boa Esperança (1487) e chegada à Índia (1498).
Em 1500, a expedição liderada por Pedro Álvares Cabral encontrou terras a oeste do Cabo Verde — esse lugar ficou conhecido como Brasil.
Castela apoiou a proposta de Cristóvão Colombo, baseada na teoria de que a Terra era redonda e podia ser alcançada navegando para oeste. Em 3 de agosto de 1492, Colombo e seus companheiros partiram de Palos (Huelva). Em 12 de outubro chegaram à ilha Guanahani (atual El Salvador). Mais tarde chegaram a Cuba e à Hispaniola (Haiti/República Dominicana) e encontraram o continente americano então desconhecido para os europeus.
Para definir claramente as áreas de conquista, em 1494 foi assinado o Tratado de Tordesilhas, que dividiu o mundo em dois hemisférios de influência: o Oriente para Portugal e o Ocidente para Castela, traçando uma linha a 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde (o Brasil ficou dentro da esfera portuguesa).
Os descobrimentos geográficos tiveram consequências importantes:
- Econômicas: a chegada do ouro e da prata americanos desencadeou mudanças monetárias e inflação na Europa; novas plantas e produtos americanos foram introduzidos; ampliaram‑se rotas e mercados para produtos europeus; a hegemonia comercial deslocou‑se do Mediterrâneo para o Atlântico.
- Sociais: migração de populações europeias para a América e grande impacto demográfico.
- Culturais: revolução na geografia e no conceito do mundo; transferência de cultura, idioma e religião peninsulares para a América.
3.2 Um tempo de mudanças
Durante a Idade Moderna na Europa ocorreram várias transformações:
- Economia: surgimento do capitalismo mercantil; a burguesia, enriquecida pelo comércio e pela chegada de metais preciosos da América, ganhou influência. Surgiram novas formas de produção, como a indústria doméstica.
- Sociedade: estrutura continuou estratificada, mas houve mudanças: a nobreza manteve privilégios, porém submetida ao poder real; a burguesia tornou‑se um grupo ascendente de apoio à monarquia; os camponeses começaram a libertar‑se das relações feudais de dependência.
- Política: as monarquias da Europa ocidental evoluíram para monarquias autoritárias, baseadas em:
- unificação territorial e dominação sobre a nobreza;
- aumento do poder político dos monarcas, apoiado por uma administração central organizada;
- formação de um exército permanente ao serviço da monarquia;
- controle da justiça e uso da diplomacia para a resolução de conflitos.
- As capitais (Madrid, Paris, Londres) tornaram‑se centros políticos, onde a nobreza e a burguesia ocuparam cargos de direção; os reis concentraram o verdadeiro poder político.
- Cultura e pensamento: o Renascimento e o humanismo trouxeram uma nova visão do mundo, recuperando a antiguidade clássica e colocando o ser humano como centro do interesse intelectual; além disso, debateu‑se o modelo geocêntrico do Universo.
- Religião: surgimento da Reforma Protestante, movimento iniciado pelo monge alemão Martinho Lutero, que provocou a crise da Igreja e a divisão do cristianismo.