O Simbolismo em Portugal e no Brasil: Guia Completo
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O Simbolismo em Portugal
Com a publicação de Oaristos, de Eugénio de Castro, em 1890, inicia-se oficialmente o Simbolismo português, que perdurou até 1915, época do surgimento da geração Orpheu, que desencadeou a revolução modernista no país, baseada nas conquistas da nova estética.
Conhecidos como adeptos do Nefelibatismo (adaptação portuguesa do Decadentismo e do Simbolismo francês), os poetas simbolistas vivenciaram um momento de intensa agitação social, política e cultural. Com o episódio do Ultimatum inglês, aceleraram-se as manifestações nacionalistas que culminaram na proclamação da República em 1910.
Os principais autores seguem linhas diversas, do esteticismo de Eugénio de Castro ao nacionalismo de António Nobre, atingindo a maturidade estilística com Camilo Pessanha, o mais importante poeta simbolista português.
O Simbolismo no Brasil
Iniciado oficialmente em 1893 com a publicação de Missal e Broquéis, de Cruz e Sousa — o maior representante do movimento ao lado de Alphonsus de Guimarães —, o Simbolismo brasileiro não substituiu os cânones realistas e parnasianos da época.
A ênfase no primitivo e no inconsciente não respondia às questões nacionais imediatas. Contudo, o movimento possuía uma aura de "seita", especialmente no Sul, com sociedades secretas e ritos próprios. O Simbolismo enfrentou forte oposição do Zeitgeist positivista, mas sua influência foi fundamental para a literatura modernista.
Camilo Pessanha (1867-1926)
Autor de apenas um livro, Clepsidra (1922), Camilo Pessanha exerceu grande influência na geração de Orpheu. Passou parte da vida em Macau, onde conheceu o ópio e a poesia chinesa.
Seus poemas caracterizam-se por:
- Forte poder de sugestão e ritmo;
- Imagens insólitas e não lineares;
- Estranhamento entre o "eu" e o mundo;
- Sensibilidade sutil, sem subjetivismo egocêntrico.
Características do Simbolismo
- Misticismo e espiritualismo: Fuga da realidade em direção ao mundo invisível, com uso de vocabulário litúrgico (antífona, missal, incensos).
- Falta de clareza: Valorização da sugestão e do valor sonoro da palavra em detrimento do significado literal.
- Subjetivismo: Valorização do "eu" e da irrealidade.
- Musicalidade: Uso intensivo de recursos fonéticos:
- Aliteração: Repetição de sons consonantais.
- Assonância: Semelhança de sons entre vogais.
- Sinestesia: Mistura de sensações (ex: "som vermelho", "dor amarela").
- Recursos estilísticos: Uso de maiúsculas no meio do verso para destaque e preferência pela cor branca e transparências (comum em Cruz e Sousa).