Sistemas Políticos e a Grécia Antiga: Conceitos e História
Conceitos de Sistemas Políticos
Ambivalência: Definição e Contexto
Ambivalência é um estado de ter, simultaneamente, sentimentos conflitantes em relação a uma pessoa ou coisa. De outro modo, é a experiência de ter pensamentos e emoções simultaneamente positivas e negativas para alguém ou alguma coisa. Um exemplo comum de ambivalência é o sentimento de amor e ódio pela mesma pessoa. A palavra "ambivalente" deriva do prefixo latino ambi, que significa "dois", e valentia, que é derivado do latim, significando "força". O termo foi proposto pelo psicanalista Eugen Bleuler (Vortrag über Ambivalenz, 1910) e foi depois redefinido por Freud. É comum utilizar a palavra "ambivalente" para descrever a falta de sentimentos para uma questão ou circunstância, mas a palavra mais específica e convencionalmente aceita para usar neste caso seria "indiferente". Uma boa maneira de lembrar a utilização correta é a de recordar que o prefixo ambi significa "ambos"; por isso, se você é "ambivalente", você tem sentimentos positivos e negativos para algo, ou tem sentimentos de ambos os lados de uma questão. A ambivalência é vivida como psicologicamente desagradável quando os aspectos positivos e negativos de um assunto estão presentes na mente de uma pessoa ao mesmo tempo. Este estado pode levar à evasão ou à deliberada tentativa de resolver a ambivalência. Quando a situação não requer uma decisão a ser tomada, as pessoas sentem menos desconforto, mesmo quando se sentem ambivalentes.
Autoritarismo: Definição e Características
O autoritarismo descreve uma forma de governo caracterizada pela ênfase na autoridade do Estado em uma república ou união. É um sistema político controlado por legisladores não eleitos que usualmente permitem algum grau de liberdade individual. Pode ser definido como um comportamento em que uma instituição ou pessoa se excede no exercício da autoridade de que lhe foi investida. Pode ser caracterizado pelo uso do abuso de poder e da autoridade, confundindo-se com o despotismo. Nas relações humanas, o autoritarismo pode se manifestar desde a vida nacional, onde um déspota ou ditador age sobre milhões de cidadãos, até a vida familiar, onde existe a dominação de uma pessoa sobre outra através do poder financeiro, econômico ou pelo terror e coação.
Autoritarismo vs. Totalitarismo: Principais Diferenças
A distinção entre regime autoritário e totalitário é que, no primeiro, o Governo não procura controlar a vida privada de seus cidadãos a ponto de torná-los, compulsoriamente, "reeducados" para passar o resto de suas vidas sob o regime. Nos regimes autoritários da América Latina, havia forte repressão vinda de cima, contra os elementos considerados "dissidentes", mas a população civil era normalmente deixada em paz. Nesse particular, o autoritarismo de Estado prefere alienar a população, fornecendo-lhe diversões públicas que as distraiam das preocupações políticas. Foi o caso do Brasil, que, durante o período 1964-1985, teve no futebol o centro de suas atenções, especialmente a partir da eleição indireta do presidente militar Emílio Garrastazu Médici, que assentou como ponto de honra obter o tricampeonato mundial na Copa do Mundo de 1970, vitoriosamente alcançado. A alienação imposta pelo autoritarismo por meio do esporte levou a oposição a parodiar Karl Marx, dizendo que "o futebol é o ópio do povo". No totalitarismo, o Governo tende a endeusar-se, implantando uma verdadeira ditadura de partido único, confundindo o Partido com o Estado.
Hitler tentou imitar o modelo comunista, com a instituição das "juventudes hitleristas", mas não com o mesmo êxito.
Nos regimes totalitários, toda a iniciativa pessoal dos cidadãos deve ser canalizada para o Estado, que não reconhece a existência de nada que não seja ele mesmo. Esta concepção de governo foi criticada, pelo método de ser levada às últimas consequências, na ficção de George Orwell, que no seu romance 1984, idealizou o regime totalitário do Grande Irmão, que proibia aos seus cidadãos até mesmo o direito de ter amor conjugal uns pelos outros, pois somente se podia amar ao Grande Irmão.
Grécia Antiga: Períodos, Sociedade e Democracia
Períodos da História Grega Antiga
- Pré-Homérico (2000-1100 a.C.): Época de ocupação do território da Grécia. Desenvolvimento das civilizações Micênica e Cretense. Invasão dos Dórios no final deste período, provocando a dispersão dos povos da região e a ruralização.
- Homérico (1100-700 a.C.): Conclusão do processo de ruralização das comunidades gentílicas. Nos genos havia a coletivização da produção e dos bens. No final deste período, com o crescimento populacional, ocorreu a desintegração dos genos.
- Arcaico (700-500 a.C.): Surgimento das pólis (cidades-estados) com a formação de uma elite social, econômica e militar que passa a governar as cidades. Neste período, ocorreu a divisão do trabalho e o processo de urbanização. Surge o alfabeto fonético grego e um significativo desenvolvimento literário e artístico.
- Clássico (500-338 a.C.): Época de grande desenvolvimento econômico, cultural, social e político da Grécia Antiga. Período de grande fortalecimento das cidades-estados gregas como, por exemplo, Esparta, Atenas, Tebas, Corinto e Siracusa. Foi também uma época marcada por conflitos externos como, por exemplo, as Guerras Médicas (entre gregos e persas no século V). Ocorreu também, neste período, a Guerra do Peloponeso (entre Atenas e Esparta).
- Helenístico (338-146 a.C.): Fase marcada pelo enfraquecimento militar grego e a conquista macedônica na região. A cultura grega espalha-se pela região, fundindo-se com outras (helenismo).
Formas de Escravidão na Grécia Antiga
A mão de obra escrava era muito utilizada no meio doméstico. Eles faziam os serviços de limpeza, preparavam a alimentação e até cuidavam dos filhos de seu proprietário. Esses escravos que atuavam dentro do lar possuíam uma condição de vida muito melhor que os outros. A forma mais comum de escravidão era através da captura em guerras. Várias cidades gregas transformavam o prisioneiro em escravo. Esses eram vendidos como mercadorias para famílias ou produtores rurais. Em Esparta, por exemplo, cidade voltada para as guerras, o número de escravos era tão grande que a lei permitia aos soldados em formação matarem os escravos nas ruas. Além de ser uma forma de treinar o futuro soldado, controlava o excesso de escravos na cidade (fator de risco de revoltas). Em algumas cidades-estado gregas, havia a escravidão por dívidas. Ou seja, uma pessoa devia um valor para outra e, como não podia pagar, tornava-se escrava do credor por um determinado tempo. Em Atenas, este tipo de escravidão foi extinto somente no século VI a.C., após as reformas sociais promovidas pelo legislador Sólon.
Democracia na Grécia Antiga
Embora Atenas tenha sido o berço da democracia, nem todos podiam participar nesta cidade. Mulheres, estrangeiros, escravos e crianças não participavam das decisões políticas da cidade. Portanto, esta forma antiga de democracia era bem limitada.
Democracia na Atualidade
Embora estejam notavelmente disseminadas no mundo de hoje e seja difícil encontrar argumentos doutrinários contrários a elas que mereçam consenso, em muitas áreas do mundo as ideias democráticas não são postas em prática pelos sistemas políticos.
Atualmente, a democracia é exercida, na maioria dos países, de forma mais participativa. É uma forma de governo do povo e para o povo.