Teorias Éticas e Questões Fundamentais da Existência
Relativismo
O relativismo sustenta que os princípios de certo e errado dependem do ponto de vista de quem observa a realidade. Esses princípios só podem ser encontrados dentro de cada grupo e servem apenas para esse grupo, tornando impossível o consenso entre diferentes grupos.
Os Sofistas (século V a.C.) ensinavam a arte de falar bem em público (retórica). Suas aulas eram realizadas na praça. Eles defendiam que o importante era o diálogo, e não a questão em si, e acreditavam que não existiam valores universais. Sócrates, por outro lado, acreditava na existência de valores universais.
O relativismo inclui:
- Relativismo Cultural: O critério moral depende da cultura.
- Contextualismo: Só podemos determinar se uma proposta é moralmente certa ou errada se a considerarmos dentro de cada contexto de ação.
- Etnocentrismo: Um determinado grupo ou cultura se coloca no centro e decide o que é certo para todos. (Frequentemente associado a ideologias extremistas, como o Nazismo, no sentido de imposição cultural/moral.)
Por exemplo, em algumas sociedades, tratar mal as mulheres é aceito, pois elas não são consideradas iguais. Em outras sociedades, pensa-se que as mulheres devem ser tratadas bem. Nós consideramos a primeira atitude errada, baseando-nos nos direitos humanos universais.
Ceticismo
O ceticismo sustenta que é realmente impossível distinguir entre o certo e o errado, mantendo-se em dúvida constante. Pirro de Élis, por exemplo, defendia a suspensão do juízo (epokhé) sobre as próprias opiniões. Um exemplo comum é a dúvida sobre a existência de Deus.
Subjetivismo
O subjetivismo defende que as questões morais são subjetivas, sendo impossível chegar a um acordo baseado em razões objetivas.
Segundo Max Weber, o subjetivismo moral se espalhou pelo mundo em um processo chamado de Racionalidade Instrumental (que nos habilita a adaptar os meios adequados para os fins que nos propomos). A Racionalidade Avaliativa é responsável por definir os objetivos finais. A escala de valores é aceita por uma espécie de fé, mas não podemos convencer os outros a compartilhá-la. Por exemplo, o ato de uma criança que rouba comida por necessidade.
Emotivismo
O emotivismo sustenta que os enunciados morais apenas expressam emoções e sentimentos, não aumentando nosso conhecimento objetivo. Declarações morais não podem ser consideradas falsas ou verdadeiras, pois essa classificação se aplica apenas a afirmações lógicas e matemáticas. Elas expressam o que o orador sente.
No século XVII, David Hume afirmou que a maldade ou bondade de um ato é percebida pelo sentimento que manifestamos em relação a ele: se eu sinto que é bom, é bom; se sinto que é mau, é mau. Por exemplo, se alguém arranca uma flor e eu me sinto mal com isso, considero que o ato é errado.
Críticas a Essas Posições
- Não capturam o significado de termos sociais: Quando dizemos que algo é "justo", não estamos apenas expressando uma opinião subjetiva; estamos exigindo que qualquer pessoa ou grupo de pessoas tenha o direito correspondente.
- Não explicam o debate moral: O fato de discutirmos sobre questões morais implica que buscamos razões para convencer os outros.
- Busca por causas psicológicas: Tendência a buscar causas psicologicamente para uma atitude (Ex: Propaganda), em vez de razões morais.
- Substituição de razões: A troca de razões que permite fazer qualquer escolha.
Moral, Imoral e Amoral
- Moral vs. Imoral: A conduta é classificada como moral ou imoral em conexão com um determinado código de conteúdo. Por exemplo, é imoral para um judeu trabalhar no sábado, de acordo com a moral judaica.
- Moral vs. Amoral: Ser amoral significa agir sem ser responsável pelas ações, pois o indivíduo (ou ser) não possui capacidade de discernimento moral. Por exemplo, os animais.
A Questão do Cosmos
Christian Wolff introduziu este termo em sua Cosmologia Geral. Nessa área, a filosofia da ciência e as ciências naturais coexistem e se complementam. A Cosmologia estuda a origem do mundo: De onde vem o mundo?
A Origem do Universo
As principais abordagens sobre a origem do universo incluem:
- Filosofia Grega Pré-Socrática.
- Religião.
- Dedução Copernicana (Século XVII).
- Teorias Científicas (Big Bang / Big Crunch).
Perguntas sem resposta: Qual era o mundo antes do Big Bang? Há vida em outros planetas?
O Sentido da Existência
Esta questão aborda nosso lugar no cosmos e o propósito da vida individual: Qual é o nosso lugar no cosmos? Qual é o sentido da minha vida?
As Dimensões do Sentido
- Sentido como Propósito ou Direção: As ações humanas fazem sentido quando buscam um propósito e são apropriadas para alcançá-lo. Surge a pergunta: os meios são adequados para o propósito? O universo tem um porquê?
- Sentido como Significado e Importância (Linguagem): O sentido refere-se à linguagem, como uma frase que faz sentido quando segue regras gramaticais. Palavras são sinais ("algo que representa algo para alguém"). Coisas e eventos também são sinais. Símbolos são classes de signos que se referem a outro significado, expresso em parte e parcialmente oculto.
- Sentido como Valor: Faz sentido aquilo que vale a pena. A vida é digna de ser vivida? A vida perde o sentido se os atos geram apenas sofrimento ou se não há recompensa.
Problema vs. Mistério
- Problema:
- É uma situação desconhecida que, uma vez identificada, pode ser resolvida aplicando-se a técnica correta.
- Mistério:
- Abre a perspectiva e dá dimensão à existência. Não pode ser resolvido; há respostas diferentes para cada pessoa.