Thomas Hobbes: do estado de natureza ao Leviatã (resumo)

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Resumo

O texto apresenta o pensamento político de Hobbes, desde a condição de natureza, marcada pela guerra de todos contra todos, até à necessidade de um poder soberano absoluto. Explica as leis de natureza, a formação do Estado por aquisição ou por instituição e a figura do Leviatã como homem artificial. O estudante fica a perceber por que razão Hobbes defende a obediência política como garantia da paz.

Pontos-chave

  • Na condição de natureza cada indivíduo é juiz, júri e executor em causa própria, e a vida é solitária, pobre, brutal e curta.
  • Hobbes assume a igualdade natural entre os homens, o forte desejo de autopreservação e a benevolência limitada.
  • Pelo direito de todos a todas as coisas, a condição de natureza é um estado de conflito permanente, a guerra de todos contra todos.
  • As leis de natureza são princípios racionais que visam a paz, como procurar a paz, renunciar ao direito a todas as coisas e cumprir os pactos.
  • O Estado pode formar-se por aquisição (pela força) ou por instituição (por acordo mútuo).
  • O poder soberano deve ser absoluto e indivisível, pois a divisão levaria à paralisia ou à guerra civil.
  • O Leviatã é o homem artificial, cuja alma é a soberania, e a legitimidade provém da capacidade de proteger os que obedecem.

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Introdução: O Pensamento Político de Hobbes

  • Objetivo: Demonstrar a relação recíproca entre a obediência política e a paz.
  • Descobrir os princípios racionais para a criação da comunidade política, visando evitar sua autodestruição.
  • Defende que só os governos absolutos conseguem evitar a guerra civil.

4. A Condição de Natureza: Vida sem Governo

Como seria a vida na condição de natureza?

  • Cada indivíduo é juiz, júri e executor em causa própria (o juízo é privado).
  • Ausência de um poder que impeça a rapina e a vingança: a vida é solitária, pobre, obscena, brutal e curta.
  • Não existe segurança para uma vida confortável, sociável e civilizada.

Há fortes razões para evitar a condição de natureza, o que implica a necessidade de todos se submeterem a uma autoridade pública mutuamente reconhecida.

4.1 Pressupostos Empíricos da Condição de Natureza

Hobbes presume que:

  • Existe igualdade; ninguém é indestrutível.
  • Ninguém pode esperar ser capaz de dominar os outros; ninguém pode evitar a morte.
  • O desejo de preservar a sua própria vida é muito forte na maioria dos indivíduos.
  • A benevolência é limitada.
  • Todos tendem a ser parciais nos seus juízos.
  • Todos têm elevadas opiniões acerca de si próprios. (p. 109)

4.2 Pressupostos Normativos da Condição de Natureza

Hobbes presume que cada pessoa tem direito à liberdade de se preservar a si própria e pode fazer tudo o que considera necessário a essa autopreservação: cada um acaba por ter direito a todas as coisas.

5. O Estado de Natureza como Guerra de Todos contra Todos

Devido ao direito de cada um a todas as coisas, a condição de natureza é uma condição de permanente conflito, especialmente quando os recursos são escassos. As pessoas temem que os outros possam atacá-las e podem atacar primeiro, como manobra de antecipação. Haverá discussões e disputas acerca de todos os assuntos.

As Leis de Natureza

As leis de natureza são princípios racionais que visam a autopreservação e a paz:

  • Procurar a paz.
  • Renunciar ao direito a todas as coisas (com direito à legítima defesa, se os outros não o fizerem).
  • Cumprir os pactos celebrados para viver em paz.
  • Repartição de bens.

8. O Poder Soberano como Poder Absoluto

a) Como se Forma o Estado?

O poder superior / soberano pode provir de uma conquista ou de uma instituição:

  • Quando o poder soberano é adquirido através da força natural e um homem leva os outros a submeter-se a ele, estamos perante um Estado por aquisição / conquista.
  • Quando o poder soberano é adquirido através de um acordo mútuo entre os homens, estamos perante o Estado político ou Estado por instituição.

b) O que o Estado Acrescenta às Leis de Natureza?

A motivação fundamental dos indivíduos é sempre a mesma: o medo. Por conseguinte, a legitimidade política não provém da forma como o poder é adquirido, mas do facto de o governo conseguir proteger efetivamente aqueles que consentiram em obedecer-lhe:

  • Se a segurança for assegurada, então a autoridade do governo é absoluta e total: acumulação de todos os poderes nas mãos do soberano – legislativo, executivo, judicial, cobrança de impostos, fazer a guerra, etc.
  • Se o poder soberano fosse dividido, os diferentes órgãos do poder discordariam e o Estado ficaria paralisado ou cairia na guerra civil.

9. O Leviatã: O Deus Mortal

O Leviatã é o “homem artificial” – criado pelo homem, por imitação da natureza:

  • Tem maior estatura e força do que o homem natural.
  • A sua alma é a soberania.
  • Ele é o Estado / Cidade (civitas) – nele consiste a “essência do Estado”.
  • Trata-se de um homem ou de uma assembleia de homens que representam todos os indivíduos do Estado.
  • Todos os indivíduos submetem as suas vontades e decisões à vontade e às decisões do soberano: cada um considera-se como autor dos atos desse soberano em tudo o que disser respeito à paz e segurança comuns.

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Perguntas frequentes

O que é a condição de natureza segundo Hobbes?

É a situação em que não existe um poder comum que controle os indivíduos. Nela, cada pessoa julga e age por si, e a vida é solitária, pobre, brutal e curta.

Quais são as duas formas de formação do Estado?

O Estado pode formar-se por aquisição ou conquista, quando um homem impõe a sua força aos outros, ou por instituição, quando os homens acordam mutuamente submeter-se a um poder.

Porque defende Hobbes um poder soberano absoluto?

Porque, se o poder fosse dividido, os seus órgãos discordariam e o Estado ficaria paralisado ou cairia na guerra civil. A motivação dos indivíduos é o medo, e só um poder total garante a segurança.

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1. Qual é o objetivo central do pensamento político de Hobbes segundo o texto?
2. Como descreve Hobbes a vida na condição de natureza?
3. Qual é o fundamento do direito de cada um a todas as coisas?
4. Segundo o texto, o que acontece se o poder soberano for dividido?
5. O que é o Leviatã na obra de Hobbes?
6. Qual é a motivação fundamental dos indivíduos segundo o texto?

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