Vias de Administração e Liberação de Fármacos
1. Liberação Sustentada
Exemplo: Sistema matricial insolúvel de metilcelulose (matriz porosa) que apresenta liberação do fármaco adsorvido por entre seus poros.
2. Liberação Controlada
Exemplo: Sistema de bomba osmótica
3. Liberação Repetida
Comprimido com duas camadas separadas por uma membrana de polímero. A primeira camada possui a primeira dose e a segunda camada apresenta a segunda.
4. Liberação Retardada
Comprimidos com revestimento gastro-resistente que liberam o seu conteúdo no intestino.
Vantagens das Formas de Liberação Prolongada
- Reduzem a frequência de administração
- Menor flutuação dos níveis plasmáticos do fármaco
- Redução dos efeitos colaterais
- Maior adesão do paciente ao tratamento
- Redução dos custos do tratamento
Via Oral
Vantagens
- Principal via de administração de fármacos
- Mais segura
- Mais econômica
- Superdosagem pode ser revertida mais facilmente (lavagem gástrica, carvão ativado, êmese)
- Elevação mais gradual das concentrações plasmáticas
Desvantagens
- Limitação da absorção de alguns fármacos devido às suas características físicas (destruição do fármaco pelo pH baixo e por enzimas digestivas)
- Requer cooperação
- Indução de êmese
- Efeito de primeira passagem: metabolização pelo fígado antes da chegada à circulação sistêmica
Via Retal
- Indicada para pacientes vomitando, inconscientes e incapazes de utilizar a via oral
- Absorção errática
- Efeito de primeira passagem: 50% ganha a veia hemorroidal superior, caindo na circulação portal e sendo levada diretamente ao fígado
- Muito utilizada para efeitos locais
Via Sublingual
- Fármacos chegam mais rapidamente à corrente sanguínea (veia cava superior)
- Não sofre metabolismo de primeira passagem
- Fármacos lipossolúveis
- Fármacos potentes
- Sabor não desagradável
Vias Parenterais de Administração
Via Intravenosa
Vantagens
- Fármaco administrado por essa via não sofre absorção, pois já cai diretamente na corrente sanguínea (efeito mais rápido). Biodisponibilidade de 100%.
- Liberação do fármaco é muito mais precisa e acurada
- Possibilidade de administração de substâncias irritantes aos tecidos
- Via preferida em emergências quando se necessita de efeitos rápidos
- Útil para a administração de fármacos que não poderiam ser administrados por outras vias
Desvantagens
- Maior custo, dificuldade na aplicação e necessidade de pessoa treinada
- Podem ser alcançadas rapidamente concentrações tóxicas
- Não há possibilidade de remoção do fármaco após a administração
- Fármacos em veículos oleosos ou que precipitam componentes do sangue não podem ser administrados por essa via
Via Subcutânea
- Não podem ser administradas substâncias irritantes
- Absorção lenta, através dos capilares, de forma contínua e segura
- Usada para administração de vacinas, anticoagulantes e hipoglicemiantes
- Acréscimo de vasoconstritor aumenta a permanência do fármaco no tecido (ex: lidocaína + epinefrina)
- Pode ser utilizada para a implantação de pellets
Via Intramuscular
Via muito utilizada devido à absorção rápida.
- Podem ser administradas preparações de depósito
- Absorção pode ser modulada por calor local, massagem e exercício
- O músculo escolhido:
- Deve ser bem desenvolvido
- Deve ter facilidade de acesso
- Não deve possuir vasos de grande calibre
- Não deve ter nervos superficiais no seu trajeto
Via Intra-arterial
- Via de administração muito rara
- Realizada quando se quer que o fármaco tenha ação direta em determinados tecidos
- Administração de agentes diagnósticos e de agentes quimioterápicos para alguns tipos de câncer
- Deve ser realizada com cautela e por especialistas
Via Intratecal
- Injeção realizada diretamente no espaço subaracnoide
- Indicada para fármacos que têm dificuldade de atravessar a barreira hematoencefálica
- É feita quando se deseja efeito rápido no Sistema Nervoso Central (SNC) e na medula espinhal
Via Inalatória
- Fármacos voláteis podem ser absorvidos através do epitélio pulmonar e das mucosas do trato respiratório
- Acesso rápido à circulação, pois a superfície pulmonar é grande
- Bastante utilizada para os anestésicos e gases terapêuticos
- Não sofre efeito de primeira passagem
- Utilizada quando se deseja efeito local
- Absorção de peptídeos
Via Cutânea
- Bastante utilizada quando se deseja um efeito local sobre a pele
- Administração tópica de loções, pomadas e afins pode levar a efeitos sistêmicos quando a integridade da pele estiver danificada (escoriações, queimaduras)
- Adesivos para absorção transdérmica contendo estrógenos para a terapia de reposição, escopolamina, nitroglicerina
Sprays Nasais
- Hormônios peptídicos como o hormônio antidiurético e o hormônio liberador das gonadotrofinas são administrados por essa via
- A absorção ocorre através da mucosa que recobre o tecido linfoide nasal
Colírios
- Aplicação no saco conjuntival
- Utilizado para obter efeito local sem absorção sistêmica
- Exemplo: Colírios para o tratamento do glaucoma
Conceitos Fundamentais
Farmacocinética: Estuda como as concentrações dos fármacos nos fluidos ou tecidos biológicos variam em função do tempo. Leva em consideração parâmetros como a absorção, a distribuição, a metabolização e a eliminação de um fármaco.
Farmacodinâmica: Estuda o mecanismo de ação dos fármacos, preocupando-se com as relações entre a concentração do fármaco no seu local de ação e a amplitude do efeito obtido.
Absorção: Passagem de um fármaco do seu local de administração para o plasma. A absorção é importante para todas as vias de administração, exceto para a intravenosa.
Biodisponibilidade: Fração de um fármaco que chega à circulação sistêmica na forma do fármaco intacto, levando em consideração tanto a absorção quanto a degradação metabólica local.