Bioética, tecnologia e responsabilidade ética
As questões de bioética
As descobertas e avanços tecnológicos têm benefícios enormes. É desnecessário dizer o que isso significou para a humanidade. Também em outros campos, essa tecnologia apresenta uma face menos progressiva, que coloca — de forma favorável ou desfavorável — graves dilemas morais. Reforçam-se, assim, questões relativas à legitimidade da experimentação com animais e seres humanos e ao impacto dos avanços da engenharia genética.
Por essa razão, o desenvolvimento da bioética (disciplina encarregada de estudar e responder às questões éticas relacionadas à vida) é sério e necessário. Nós também temos uma maior responsabilidade perante as gerações futuras e para conosco mesmos.
Soluções possíveis — Regresso à natureza
Uma das propostas apontadas por alguns pensadores é o regresso a uma vida mais natural. Se as causas dos males inerentes ao sistema de vida moderno e ao desenvolvimento industrial e tecnológico fossem exclusivamente essas, a única solução seria o retorno a uma situação pré-tecnológica.
Essa opção foi defendida, em certa medida, por Rousseau, cuja concepção dos seres humanos se aproxima do mito do "bom selvagem": para Rousseau, o homem é bom, generoso e livre por natureza, e a civilização o corrompe e escraviza. Embora Rousseau não pregue literalmente um estado de natureza, algumas de suas ideias inspiraram movimentos — por exemplo, o movimento hippie — que defendiam retrocessos no sentido de uma vida mais simples.
Para muitos pensadores, porém, essa alternativa não é viável, pois implicaria abandonar as vantagens e realizações técnicas que beneficiam a sociedade e a saúde pública.
Technoética
A ciência é, em princípio, neutra: seu objetivo é expandir o conhecimento. A tecnologia, entretanto, pode estar a serviço de finalidades eticamente adequadas ou inadequadas; por isso não é intrinsecamente boa nem má. É necessário reconhecer que os técnicos e especialistas que desenvolvem e aplicam tecnologias participam também de uma dimensão ética — a technoética — e, portanto, são responsáveis pelas consequências de seu trabalho.
Segundo Mario Bugno
Segundo Mario Bugno, uma das causas do crescimento tecnológico problemático é a atuação de técnicos que não se sentem moralmente responsáveis pelas consequências técnicas de seus projetos. Esses profissionais devem sentir-se responsáveis por marcas, desenhos ou planos, mesmo quando as finalidades não estão claramente definidas e a sua atuação se limita a simplesmente cumprir ordens.
Esse comportamento pode violar princípios morais e sociais. Bugno afirma que não se pode manipular o mundo como uma peça de barro e, ao mesmo tempo, recusar-se a assumir a responsabilidade pelo que se faz ou pelo que se deixa de fazer. Em particular, é necessária a capacidade e o compromisso dos peritos para reparar os danos causados ou, pelo menos, evitar prejuízos maiores.
Responsabilidades éticas dos técnicos (pontos-chave)
- Responsabilizar-se pelas consequências das escolhas técnicas e dos projetos.
- Consultar princípios morais e normas quando as finalidades não são claramente definidas.
- Assumir reparação ou medidas mitigadoras em caso de danos.
- Participar do debate público e das instâncias de regulação sobre tecnologia e bioética.
Conclusão
A discussão sobre bioética, technoética, responsabilidades técnicas e possíveis soluções (como o regresso a modos de vida menos tecnológicos) exige equilíbrio: reconhecer os benefícios inegáveis da ciência e da tecnologia, ao mesmo tempo em que se define e exige responsabilidade ética, regulação adequada e compromisso reparador por parte dos profissionais envolvidos.