Bronquiectasias: Causas, Sintomas e Diagnóstico
Supurações Broncopulmonares: Bronquiectasias, Abscesso Pulmonar e Pneumonia Necrotizante
As bronquiectasias são dilatação e distorção irreversível dos brônquios em decorrência da destruição da parede brônquica, principalmente por infecções de repetição. Sua incidência aumenta com a idade e é mais comum em mulheres.
Causas e Fatores de Risco
A patogenia envolve agressão infecciosa associada à deficiente depuração das secreções brônquicas.
Fatores adquiridos (cerca de 75%)
- Infecção bacteriana, viral e tuberculose (TB)
- Retração fibrótica pós-TB, sobretudo nos ápices pulmonares
- Inflamação e aumento da pressão interna, como na tosse pós-coqueluche
- Infecção pulmonar, corpo estranho e vômitos
Fatores do hospedeiro (cerca de 15%)
- Síndrome de Kartagener
- Deficiência de IgG e IgA
- Fibrose cística
- Deficiência de alfa-1 antitripsina
Fatores desconhecidos (cerca de 10%)
Etiologia
- Congênita: deficiência de elementos da parede brônquica, sequestro pulmonar, formação irregular do broto pulmonar (síndrome de Kartagener)
- Obstrução brônquica: corpo estranho, neoplasia, adenomegalia, DPOC, impactação mucoide na asma
- Pneumonite inflamatória: aspiração de conteúdo gástrico e inalação de gases
- Resposta imunológica exacerbada: aspergilose broncopulmonar alérgica, artrite reumatoide, pós-transplante
- Deficiência imunológica: deficiência de IgA, AIDS, neoplasia
- Deficiência de depuração mucociliar: discinesia ciliar e fibrose cística
- Pós-infecciosa: bactérias, vírus, fungos e protozoários
- Outras: idiopática
Localização
As bronquiectasias ocorrem preferencialmente nos lobos inferiores, especialmente o lobo inferior esquerdo, mas podem ser restritas a determinados segmentos. Geralmente são causadas por aspiração de corpo estranho ou obstrução por tumores ou adenopatias (TB). Aquelas com envolvimento do parênquima pulmonar relacionam-se a causas sistêmicas, como imunodeficiência, fibrose cística e discinesia ciliar.
Classificação
- Morfologia: cilíndrica, cística ou varicosa
- Extensão: localizada ou difusa
- Origem: congênita ou adquirida
Sintomas
Tosse produtiva, expectoração, fadiga, rinossinusite, dispneia, hemoptise e dor torácica.
Achados de Exame Físico
Crepitações, sibilos, roncos e baqueteamento digital.
Formas Clínicas
Doença indolente
Assintomática ou com tosse leve. Na radiografia, identificam-se bronquiectasias de graus menores.
Doença supurativa
Tosse e expectoração crônicas, exacerbações, dispneia, ruídos adventícios à ausculta pulmonar, hipocratismo digital e frequência variável.
Doença com hemoptise
Bronquiectasia seca, frequente nas bronquiectasias pós-TB, com hemoptises recorrentes.
Complicações
Exacerbações infecciosas, empiema, abscessos pulmonares, hemoptise volumosa, pneumotórax e cor pulmonale.
Exacerbação
Caracteriza-se por aumento do volume e purulência do escarro, surgimento ou aumento da dispneia, podendo vir acompanhada de sibilância, hemoptise, adinamia, febre e calafrios.
Critérios de Exacerbação
- Mudança no aspecto da secreção
- Aumento da tosse e da dispneia
- Aumento dos sibilos
- Febre
- Redução da tolerância a exercícios
- Fadiga
- Aumento das alterações na radiografia de tórax
Microbiologia
Predomínio de infecção por Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae. Bactérias multirresistentes podem colonizar, como Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus.
Diagnóstico
O diagnóstico envolve identificar a bronquiectasia, buscar a etiologia e avaliar a gravidade.
Exames para avaliação da etiologia
- Imunoglobulinas e prova para colagenoses
- Pesquisa de anticorpos contra Aspergillus
- Biópsia do epitélio respiratório
- Dosagem de cloro e sódio no suor
- Tomografia de seios da face
- Cultura de escarro
- Avaliação do estado nutricional
- Fator reumatoide, IgE, precipitinas, subclasses de IgG e IgA
- Dosagem de alfa-1 antitripsina e eletrólitos no suor
- Sorologia para HIV
- Fibroscopia
- Teste de função ciliar
- pHmetria esofágica
- Investigação do trato gastrointestinal
Exames de imagem e funcionais
Radiografia de tórax, tomografia computadorizada, broncografia, teste de função pulmonar e broncoscopia.
Sinais indiretos na imagem
- Aumento da trama pulmonar, com perda de definição, fibrose e secreções retidas
- Aglomeração da trama vascular, indicando perda de volume
- Oligoemia pela redução da perfusão da artéria pulmonar
- Sinais de hiperinsuflação compensatória
Pseudobronquiectasia
Dilatação brônquica por processo inflamatório reversível, de forma cilíndrica, com resolução entre 3 meses e 1 ano.
Função Pulmonar
A espirometria evidencia distúrbio ventilatório.