A IgG é a imunoglobulina predominante no sangue, na linfa e nos líquidos cerebrospinal e peritoneal.
A classe IgG em humanos apresenta 4 subclasses: IgG1, IgG2, IgG3 e IgG4.
A IgG corresponde a cerca de 15% das proteínas totais no soro de adultos.
Está distribuída de forma igual entre os espaços intra e extravasculares.
A IgG1, a IgG2 e a IgG4 apresentam a maior meia-vida de todos os isótipos de Ig (de aproximadamente 23 dias), enquanto a IgG3 apresenta uma meia-vida de cerca de 7 dias. Sua persistência no soro faz da IgG a imunoglobulina mais indicada para imunização passiva através da transferência de anticorpos (Ac).
Moléculas de IgG são capazes de causar a aglutinação ou agregação de antígenos (Ag) insolúveis (em forma de partículas), como microrganismos.
A reação entre IgG e Ag multivalentes e solúveis pode gerar precipitados.
O isótipo IgG (com exceção da subclasse IgG2) é a única classe de imunoglobulina capaz de atravessar a placenta, o que possibilita à mãe transferir sua imunidade ao feto.
Enquanto a passagem de IgG pela placenta confere ao feto imunidade contra infecções, ela também pode ser responsável pela doença hemolítica do recém-nascido (eritroblastose fetal).
A IgG é um anticorpo opsonizante.
A IgG tem um papel importante na citotoxicidade dependente de anticorpos e mediada por células (ADCC).
A IgG é capaz de ativar o sistema do complemento, o que leva à lise celular quando o anticorpo está ligado à superfície da célula.
A IgG é um excelente anticorpo para a neutralização de toxinas, como as do tétano e do botulismo, ou para a inativação de venenos (cobra ou escorpião).
Anticorpos do tipo IgG imobilizam várias bactérias móveis e neutralizam vírus.
IgM (Imunoglobulina M)
A IgM é a primeira imunoglobulina produzida após a imunização (estrutura pentamérica, mantida por pontes de sulfeto).
A IgM presente no soro de humanos é encontrada nos espaços intravasculares, com meia-vida de 5 dias.
É encontrada na superfície de células B maduras, junto com a IgD, onde serve como receptor antígeno-específico da célula B. Não consegue atravessar a placenta.
Níveis elevados de IgM indicam uma infecção recente ou uma exposição recente ao antígeno.
As moléculas de IgM são anticorpos aglutinadores, em consequência da sua estrutura pentamérica.
Os anticorpos IgM incluem as chamadas iso-hemaglutininas naturais (os anticorpos naturais contra os antígenos de hemácia dos grupos sanguíneos ABO).
Em função da sua forma pentamérica, a IgM é um excelente anticorpo de fixação e ativação do complemento.
A IgM é ineficiente na neutralização de toxinas e de vírus.
IgA (Imunoglobulina A)
A IgA é a principal Ig presente em secreções externas como saliva, muco, suor e colostro (subclasses IgA1 e IgA2). Meia-vida de 5,5 dias.
É importante na defesa imune primária contra infecções locais em áreas como os tratos respiratório e gastrointestinal.
A IgA não ativa o complemento.
A IgA possui atividade bactericida contra organismos Gram-negativos, mas somente na presença de lisozima.
A IgA secretora é um eficiente anticorpo antiviral que inibe a penetração do vírus em células hospedeiras e também é um eficiente anticorpo aglutinante.
IgD (Imunoglobulina D)
A IgD é coexpressa com a IgM na superfície de células B maduras.
Sua presença serve como marcador da diferenciação de células B em formas mais maduras.
IgE (Imunoglobulina E)
A IgE, ou anticorpo reagínico, possui uma meia-vida de 2 dias. Sua concentração no soro é a mais baixa.
A IgE se liga com alta afinidade a receptores presentes em mastócitos e basófilos.
A IgE não ativa o complemento e não aglutina.
Exerce um papel na proteção contra determinados parasitas (helmintos).
Resposta Imune Primária
A primeira exposição de um indivíduo a um determinado imunógeno é chamada de imunização iniciadora, e a resposta resultante é chamada de resposta primária.