Classificação e Mediadores da Resposta Inflamatória
Tipos de Inflamação Crônica
- Atrofiante ou Hipotrofiante: Inflamação crônica com tendência à involução (redução de volume e função do tecido), proliferação ou não de tecido conjuntivo fibroso e metaplasia escamosa.
- Necrosante: Quando atinge grande parte do foco inflamatório por ação do agente agressor (primária) ou em consequência da reação inflamatória (secundária).
- Gangrenosa: Tecidos inflamados e necrosados que sofrem a ação de agentes exógenos.
Inflamação Proliferativa ou "Produtiva"
- Hipertrofiante ou hiperplasiante: Inflamação crônica de mucosas, com proliferação conjuntivo-vascular e/ou parenquimatosa (ex.: dermatite verrugosa).
- Esclerosante: Inflamação crônica de parênquimas com produção excessiva de colágeno antes do fim do processo inflamatório, resultando em alterações profundas na morfofisiologia do órgão.
- Granulomatosa: Inflamação crônica com formação de granulomas, permitindo diagnóstico mesmo sem identificar o agente causal.
Classificação por Distribuição
- Focal: Atinge um único ou poucos pontos, de 1 mm a poucos cm de diâmetro.
- Multifocal: Atinge vários pequenos pontos de forma esparsa.
- Extensiva local: Considerável área do órgão atingida por agravamento de lesões focais.
- Difusa: Todo o órgão é atingido, podendo apresentar variações localizadas na intensidade.
Classificação por Intensidade
- Leve: Função do tecido/órgão alterada levemente, sem comprometer o organismo.
- Moderada: Função alterada de modo a comprometer razoavelmente o organismo, sem risco de vida.
- Grave: Função muito alterada, comprometendo seriamente o organismo como um todo (risco de vida).
Mediadores Bioquímicos
Substâncias endógenas ou exógenas que, uma vez ativadas, desencadeiam, mantêm e amplificam os processos da resposta inflamatória. Condições para enquadramento: serem isolados do foco inflamatório; provocarem reação inflamatória ao serem injetados; e impedirem a inflamação quando bloqueados.
Mediadores Exógenos
Fatores solúveis produzidos e liberados por bactérias, vírus e protozoários que determinam fenômenos inflamatórios, principalmente a quimiotaxia.
Mediadores Endógenos
Incluem cininas, fragmentos de clivagem do sistema complemento, fatores do sistema de coagulação, aminas vasoativas, componentes lisossômicos, linfocinas, prostaglandinas e tromboxanos.
Principais Mediadores por Ação
- Aumento da permeabilidade vascular: Vasoativas (histamina e serotonina - ação rápida e precoce); cininas (ação duradoura); prostaglandinas (ação tardia).
- Quimiotaxia: Fragmentos do complemento, enzimas e toxinas bacterianas.
- Dor: Bradicinina e prostaglandinas.
- Lise Tissular: Lisozimas e linfotoxinas.
Mediadores de Ação Rápida
Liberados imediatamente após o estímulo agressor, atuam nos vasos e envolvem as aminas vasoativas (histamina e serotonina).
- Histamina: Presente em basófilos, plaquetas e mastócitos. Provoca contração das células endoteliais venulares, aumentando a permeabilidade vascular e causando vasodilatação.
- Serotonina: Presente nas plaquetas, mucosa intestinal e SNC, possui provável ação vasodilatadora e aumenta a permeabilidade vascular.
Mediadores de Ação Prolongada
Liberados tardiamente, atuam nos vasos e nos mecanismos de quimiotaxia celular, contribuindo para a exsudação celular. Dividem-se em cininas (plasmina e bradicinina), sistema complemento e sistema de coagulação (fibrinopéptidos).
- Plasmina: Digere proteínas teciduais (fibrina, protrombina, globulina), incrementa a permeabilidade vascular, libera cininas e atua sobre o complemento.
- Bradicinina: Ativado no interstício, possui ação vasodilatadora em pequenas artérias e arteríolas, aumenta a permeabilidade vascular e atua em terminações nervosas, podendo provocar dor.
- Complemento: Aumenta a permeabilidade vascular (via histamina ou ação direta) e possui atividade quimiotática, auxiliando na exsudação de neutrófilos.
- Fibrinopéptidos: Produto da transformação do fibrinogênio em fibrina; possuem ação quimiotática sobre leucócitos e podem aumentar a permeabilidade vascular.