É eticamente correto e vantajoso classificar o comportamento humano?
O que podemos considerar normal e não normal?
Determinados comportamentos e emoções são apenas característicos de uma determinada perturbação?
Classificação e Função
Comunicação: a formulação de um diagnóstico permite uma comunicação mais clara entre profissionais. Ao resumir as principais componentes de uma perturbação, o diagnóstico permite uma compreensão conjunta.
Conexão com outros diagnósticos: a forma como as diferentes categorias de diagnóstico estão organizadas permite obter uma maior compreensão em termos da sua relação e contexto etiológico.
Mais informação: um diagnóstico válido permite-nos gerar hipóteses acerca do caso e a sua evolução, permitindo-nos aceder a vários tipos de informação: o perfil clínico, história do desenvolvimento, história familiar e possível resposta ao tratamento.
Mitos Relacionados com o Diagnóstico
É um mito – há autores a defender que o termo doença mental é falso e muitas vezes mal utilizado em termos políticos e sociais – mito é a ideia de que o que está descrito é um mito; achar que o diagnóstico nos vai moldar a personalidade
É uma classificação redutora – segundo os críticos, ao fazermos um diagnóstico estamos a privar uma pessoa da sua identidade pessoal. Contudo, o diagnóstico apenas pressupõe a partilha de determinadas características nucleares, havendo igualmente muitas diferenças em termos de outras características como a raça, cultura, traços de personalidade e capacidades cognitivas.
É pouco fiável e inválido – apesar de os sistemas de classificação apresentarem muitas limitações, são vários os quadros clínicos que apresentam uma boa validade e fiabilidade (intra-avaliadores).
Estigmatiza e resulta em profecias auto-realizáveis – os dois movimentos estão presentes. Um diagnóstico bem feito pode trazer mais aspetos positivos do que negativos.
Classificação Categorial
Assume que um determinado diagnóstico tem uma causa patofisiológica, psicológica ou cultural.
A causa é habitualmente clara e, pelo menos, um conjunto de sintomas é exclusivo da perturbação.
Por cada perturbação é apenas necessário um conjunto de sintomas específicos para determinar a dificuldade em causa.
Os fatores psicológicos e sociais interagem com os biológicos na formação de uma dificuldade psicológica. Por esta razão, não foi adotado um modelo categorial clássico.
Classificação Dimensional
Neste tipo de classificação são consideradas diferentes cognições, emoções e comportamentos que devem ser quantificados numa escala de 0-10 de severidade.
O objetivo é obter-se um perfil de funcionamento emocional.
Este é um sistema que tem provocado algum descontentamento na área da psicopatologia. Investigadores e clínicos não chegaram ainda a acordo sobre quantas dimensões são necessárias para uma classificação satisfatória.
Dimensão Prototípica
É uma abordagem que combina ambas as dimensões anteriores.
Este é um sistema que identifica determinadas características de uma entidade de forma que possa ser classificada, mas permite igualmente a presença de algumas variações consideradas menos essenciais que não alteram a classificação inicial.
Este é um sistema que apresenta limitações, uma vez que as diferentes categorias tendem para a comorbidade e alguns dos sintomas tendem a pertencer a mais do que uma perturbação.
Diferentes autores defendem que este é o sistema que melhor se adequa ao estado atual do estudo da psicopatologia, havendo igualmente facilidade no seu uso.