Conceitos de Macro e Microeconomia: Gaps e Mercados
Hiato Deflacionário
O hiato deflacionário (ou gap recessivo) ocorre quando a função da demanda agregada é inferior ao produto nacional de pleno emprego. O hiato é igual à distância vertical entre o ponto da linha de 45º do produto nacional de pleno emprego e a curva da demanda agregada. Para alcançar o pleno emprego, a demanda agregada deve mover-se para cima em um montante exatamente igual à diferença de deflação.
Conclusão sobre Gastos Públicos
Como regra de política fiscal, para alcançar o pleno emprego, o produto nacional dos gastos públicos deve ser acrescido do montante do diferencial deflacionário. Quando o governo decide aumentar a despesa pública em um montante igual a essa diferença, o processo multiplicador entra em operação, resultando em um aumento do produto nacional superior ao aumento das despesas, eliminando o hiato e alcançando o pleno emprego.
Hiato do Produto Nacional (PN)
O hiato do produto nacional é definido como o volume em que o produto nacional é inferior ao produto nacional de pleno emprego. Note que o aumento nos gastos públicos utiliza o multiplicador simples. Para que o aumento do produto nacional seja igual ao hiato, é necessário que o aumento da despesa pública não seja acompanhado por um aumento nos impostos; caso contrário, o consumo e a demanda de investimento caem. Se o imposto sobe, o consumo cai em 80% do aumento e a poupança em 20%. A forma viável de financiar esses gastos é através de empréstimos governamentais via emissão de títulos.
Hiato Inflacionário
Quando a procura está acima do produto nacional de pleno emprego, a demanda supera a capacidade produtiva do país. Não havendo oferta agregada excedente, os preços sobem, caracterizando uma situação de inflação. A política fiscal adequada seria reduzir a despesa pública para causar uma queda na demanda e atingir o pleno emprego. O excesso de demanda pode ser eliminado reduzindo a despesa pública em montante igual ao hiato inflacionário, que é a distância vertical entre a linha de 45º e a demanda agregada.
Importância da Elasticidade
Os impostos são instrumentos para financiar o Estado. A elasticidade da oferta e da procura determina quem suportará o encargo fiscal. Três situações podem ocorrer:
- Demanda elástica e oferta inelástica: Os consumidores reduzem drasticamente as compras se o preço sobe. Se a oferta é inelástica (ex: alto custo de armazenamento), os produtores/vendedores pagarão a totalidade do imposto, reduzindo seus lucros.
- Demanda inelástica e oferta elástica: Os consumidores não conseguem sair do mercado e mantêm o consumo. Nesta situação, os consumidores enfrentam o ônus do imposto.
- Demanda e oferta elásticas: O ônus é dividido:
- Se as elasticidades forem iguais, divide-se 50% para cada.
- Se a demanda for mais elástica, o produtor paga mais.
- Se a oferta for mais elástica, o consumidor paga mais.
Proposições de Keynes
- A: É possível atingir o equilíbrio econômico com uma elevada taxa de desemprego.
- B: O desemprego ocorre porque a demanda por bens e serviços é inferior à oferta. Se as pessoas não consomem tudo o que é produzido, os produtores param de produzir, gerando desemprego de capital e mão de obra.
- C: Para acabar com o desemprego, deve-se garantir que a demanda seja suficiente para igualar a oferta de pleno emprego, utilizando 100% dos fatores de produção.
Produto Nacional Bruto (PNB)
O investimento privado anual em máquinas e equipamentos compõe o produto nacional. Para evitar a superestimação, deve-se considerar o desgaste (depreciação ou amortização). Definições importantes:
- Investimento Privado Bruto: Custo de produção de novos equipamentos e instalações, incluindo estoques.
- Investimento Privado Líquido: Investimento bruto deduzido da depreciação.
- Produto Nacional (Despesa): Consumo privado + consumo do governo + investimento privado bruto + exportações - importações.
- Produto Nacional Líquido: PNB menos a depreciação.
Utilidade Marginal
Definida como a satisfação adicional ao consumir uma unidade extra de um bem. Segundo a Lei da Utilidade Marginal Decrescente, à medida que aumentamos o consumo, a utilidade adicional diminui. Características:
- É positiva até o ponto de saturação (utilidade total máxima).
- É decrescente, pois a utilidade total cresce cada vez menos.
- É zero no ponto de saturação e torna-se negativa após ele.
Para o vendedor, é vital entender que, próximo ao ponto de saturação, o preço deve diminuir para atrair o consumidor, especialmente em mercados de oferta inelástica.
Escassez e Escolha
As necessidades humanas são ilimitadas, mas os fatores de produção são finitos, gerando o problema da escassez. A Curva de Possibilidades de Produção define o que pode ser produzido com a terra, capital e trabalho disponíveis em uma economia.
Teoria da Oferta e Demanda
- Teoria da Demanda: Analisa o comportamento dos consumidores; a quantidade demandada aumenta quando o preço diminui (ceteris paribus).
- Teoria da Oferta: Mostra o comportamento dos produtores; se o preço aumenta, o produtor dispõe-se a produzir mais.
Custos a Curto Prazo
No curto prazo, capital e terra são constantes, variando apenas o fator trabalho. Tipos de custos:
- Custos Fixos: Gerados pelo capital e terra, independentemente da produção.
- Custos Variáveis: Ocorrem ao iniciar a produção.
- Custo Total: Soma dos custos fixos e variáveis.
- Custo Marginal: Aumento no custo total ao produzir uma unidade a mais.
- Custo Médio: Custo total por unidade de fator variável.
Consequências dos Mercados no Curto Prazo
Aspectos Positivos: Incentiva a produção do que o consumidor deseja, estimula a qualificação profissional e o uso cuidadoso de recursos escassos através do sistema de preços e liberdade econômica.
Aspectos Negativos: Para os pobres, a liberdade é limitada pela falta de recursos. O mercado pode sofrer crises de inflação e instabilidade. Sem controle, podem surgir monopólios e danos ambientais. O governo deve intervir para prover bens que a iniciativa privada não produz e mitigar efeitos adversos.
Tipos de Monopólio
Do ponto de vista socioeconômico, existem cinco classes:
- Monopólio Fiscal: Criado pelo Estado para arrecadar impostos (ex: combustíveis). Tratados internacionais (como os da CEE) tendem a proibir essas práticas para garantir a livre concorrência.
- Monopólio Social: Criado por municípios para prestar serviços essenciais (ex: transporte urbano) a preços baixos, visando segurança e mobilidade.
- Monopólio de Lucro: O monopólio natural típico que busca o lucro máximo. Frequentemente proibido por leis que protegem a livre concorrência.
- Formas Larvais de Monopólio: Quando empresas tentam burlar a lei. Considera-se domínio de mercado quando uma empresa (ou holding) controla mais de 30% do setor.
- Monopólios Operados pelo Estado: Serviços de interesse público realizados por empresas sob concessão e controle estatal de preços e produção.