Fios Cirúrgicos: Tipos, Escolha e Características
Fios cirúrgicos
Os fios cirúrgicos são utilizados para sutura ou ligadura de vasos sanguíneos e para a união de tecidos orgânicos lesados, com a finalidade de facilitar o processo de cicatrização. São usados em todos os tempos cirúrgicos, durante quase todo o procedimento cirúrgico.
Para ser considerado ideal
O fio cirúrgico deve ser:
- Resistente
- Biologicamente inerte
- Fácil de manusear
- Absorvível tão logo tenha completado a sua função na contenção cirúrgica
Escolha do fio
É o cirurgião quem decide o tipo de fio utilizado em cada sutura. Essa decisão deve considerar alguns fatores:
- O tempo necessário de permanência no organismo
- O tipo de tecido a ser suturado
- O estado geral do paciente — a absorção do fio é mais rápida em pacientes idosos, desnutridos, obesos, anêmicos e com infecção
Classificação
Os fios cirúrgicos são classificados em dois tipos:
Absorvíveis
São aqueles que, após serem colocados nos tecidos, sofrem a ação dos líquidos orgânicos, sendo absorvidos após algum tempo.
Os fios absorvíveis podem ser de origem:
Animais
Ex.: categut simples e categut cromado. É fabricado de colágeno puro, retirado da camada serosa do intestino delgado bovino (após processo de limpeza manual e purificação química). O categut simples não é submetido a nenhum tratamento específico para alterar o seu tempo de absorção, sendo indicado para tecido de rápida cicatrização. O categut cromado passa por um processo que aumenta o tempo para ser absorvido, aumentando a segurança na síntese dos tecidos; a absorção total do fio ocorre em aproximadamente seis meses e, nos dois tipos, ocorre por meio de biodegradação proteolítica.
Sintética
Ex.: ácido poliglicólico e poliglactina 910. São constituídos por polímeros dos ácidos pirúvico, lático e glicólico, que são metabólitos existentes no organismo, e o processo de absorção ocorre por meio de hidrólise.
Não absorvíveis
São aqueles que não são absorvidos pelo organismo, permanecendo envolvidos por tecido fibroso quando utilizados em estruturas internas. Quando utilizados em suturas da pele, necessitam ser removidos manualmente.
Podem ser de quatro origens:
Origem animal
Ex.: seda cirúrgica. É composta de filamentos de seda pura, extraída do casulo do bicho-da-seda. É revestida por fina camada de silicone, o que impede a infiltração de líquidos em sua estrutura e facilita o deslizamento pelos tecidos.
Origem vegetal
Ex.: algodão e linho cirúrgico. O algodão é extraído da celulose da fibra do fruto do algodoeiro. Tem a vantagem de ser resistente, minimamente traumatizante e de fácil aquisição. O linho cirúrgico é obtido das fibras do caule do linho e possui as mesmas características do fio de algodão.
Origem sintética
Ex.: náilon, perlon, poliéster, polipropileno. O náilon pertence ao grupo das poliamidas e é bastante resistente e flexível. O perlon é composto à base do mesmo material e causa pouca reação tissular. O poliéster é obtido do ácido tereftálico e etilenoglicol, revestido de silicone; é altamente resistente e produz reação tissular mínima. O polipropileno é bastante tolerado pelo organismo e fácil de ser removido.
Origem mineral
Ex.: aço cirúrgico. Consiste em um fio de grande resistência à tração e produz baixa reação tissular. Observação: existem também clipes cirúrgicos indicados para neurocirurgia.
Características gerais
Apresentação: Fios absorvíveis e não absorvíveis, com ou sem agulha, sendo as agulhas traumáticas ou atraumáticas.
Diâmetro: A numeração varia de 1 a 5, e de 0 a 12-0. Quanto maior o número de zeros, menor o diâmetro do fio.