Função renal, hepática e metabólica — guia de exames

Enviado por Comunidade Wikiteka e classificado em Medicina e Ciências da Saúde

Escrito em em português com um tamanho de 7,48 KB

Função renal

O que os rins fazem: Regulam a pressão arterial, filtram o sangue, eliminam toxinas, controlam a quantidade de sal e água no corpo, produzem hormônios importantes para evitar anemia e doenças ósseas. Eliminam excessos de medicamentos e outras substâncias ingeridas.

Como saber se você tem uma doença renal

  • Pressão alta;
  • Inchaço (sobretudo no rosto, pernas e no corpo todo);
  • Sangue na urina;
  • Cólica renal causada por cálculos (pedras);
  • Indícios de infecção urinária: dor, ardor ou dificuldade para urinar, urina mal cheirosa ou turva, aumento da frequência das micções;
  • Palidez cutânea e fraqueza (sem outras justificativas).

Objetivo das provas de função renal

Função renal = avaliar a presença ou ausência de disfunção com estimativa aproximada de sua gravidade. As provas de função renal são divididas em categorias:

  • Provas de função glomerular;
  • Provas de lesão glomerular grave e/ou tubular;
  • Provas de função tubular (mais usadas por médicos).

Provas de função glomerular

Melhor método disponível para estimar a presença de lesão glomerular difusa de grau leve a moderado: taxa de filtração glomerular; clearance de creatinina e uréia.

Parâmetros e volumes renais

  • Fluxo sanguíneo renal: ~1.200 ml/min (~1.700 L/dia).
  • Filtração glomerular: ~120 ml/min (~180 L/dia).
  • Volume urinário: 1.000–2.000 ml/dia (~1% da FG — filtração glomerular).
  • Fração de filtração: 20% (recebe 20% do débito cardíaco).

Provas de lesão glomerular

Uréia plasmática → pode aumentar mais precocemente que a creatinina.

A uréia pode estar aumentada devido a vários fatores; pode estar diminuída em hepatopatia grave.

Tipos de uremia

  • Uremia pré-renal: ICC (insuficiência cardíaca congestiva) grave, hemorragias, dieta rica em proteínas, febre, hemorragia gastrintestinal maciça, etc.
  • Uremia renal: doença renal aguda ou crônica (glomérulonefrite).
  • Uremia pós-renal: obstruções do trato urinário (cálculos).

Hipercreatinemia

  • Pré-renal: doenças e lesões musculares, acidose diabética, uso excessivo de diuréticos, ICC, etc.
  • Renal: doenças renais (lesões glomerulares e tubulares).
  • Pós-renal: obstruções do trato urinário (hipertrofia prostática e compressões dos ureteres).

OBS. 1: Pequeno aumento de creatinina após transplante renal pode indicar rejeição ao órgão.
OBS. 2: Teores diminuídos: sem significado clínico.

Análise da urina e proteínas

Análise da urina 24 h: compara-se a dosagem de creatinina sérica com a dosagem de creatinina urinária → valor mais fidedigno.

Dosagem de proteína: valores maiores que 150 mg/dia → proteinúria renal → doenças renais.

Microalbuminúria: marcador precoce de sobrecarga renal em pacientes hipertensos e diabéticos → >30 mg/24h.

Função hepática

ALT (TGP) — alanina aminotransferase (valores de referência: até 31 U/L mulheres e 37 U/L homens).
AST (TGO) — aspartato aminotransferase (valores de referência: até 31 U/L mulheres e 41 U/L homens).

Índices e outros marcadores

Relação AST/ALT → 0,7 a 1,4; valores alterados podem sugerir doença hepática de origem alcoólica. Outros testes: Gama GT; fosfatase alcalina; bilirrubinas; pré-albumina; ceruloplasmina; transferrina; ferritina, etc.

Enzimas pancreáticas

Amilase → enzima que se eleva rapidamente no sangue; valores de referência: 28 a 100 UI/L.
Lipase → enzima que se eleva rapidamente no sangue quando há agravo pancreático; valor de referência: abaixo de 160 UI/L.

Associar elevações com hematócrito, leucócitos, creatinina, DHL, PCR, IL-6, ALT e AST.

Diabetes mellitus

Glicemia de jejum → >= 126 mg/dL indica diabetes mellitus.

TOTG (teste oral de tolerância à glicose) → administração de 75 g de glicose; curva glicêmica aos 30, 60, 90 e 120 minutos após a administração.

Hemoglobina glicada (HbA1c): valores de 5 a 5,5% (observação: interpretar conforme referência laboratorial e contexto clínico).

Frutosamina → reflete a glicemia média nas últimas 2 a 3 semanas.

Insulina de jejum → meia-vida muito curta; usada para avaliar resistência insulínica.

Peptídeo C

Avalia a resposta secretora das células beta pancreáticas. Valores de referência: 0,5 a 3 ng/mL.

Índices de resistência insulínica

HOMA-IR e QUICKI — usados para avaliação da resistência insulínica; determinar a curva glicêmica conforme necessário.

Observações presentes no texto original sobre valores de referência e interpretação: insulina de jejum e glicemia em jejum são utilizadas para cálculo; algumas comparações entre HOMA2-IR, HOMA-IR e QUICKI ressaltam que o HOMA2-IR é mais preciso e possui maior validade fisiológica; QUICKI costuma ter melhor correlação com o clamp e HOMA-IR pode ser mais adequado em indivíduos insulino-sensíveis.

Explicação — curva glicêmica e insulina

Glicose: não ultrapassar 140 mg/dL e/ou não exceder 20% dos valores iniciais aos 120 min.
Insulina: não exceder 60 mcU/mL ou não exceder o valor de 10× o de jejum; nunca deve exceder 60 mcU/mL (observação do texto original).

Função tireoidiana

  • T4 normal / TSH normal → eutireoidismo.
  • T4 baixo / TSH alto → hipotireoidismo primário.
  • T4 baixo / TSH normal ou baixo → dosar TRH; aumento do TRH sugere hipotireoidismo central (avaliar).
  • T4 alto / TSH baixo → hipertireoidismo.
  • T4 normal / TSH baixo → dosar T3: T3 baixo = doença não tireoidiana; T3 alto = bócio nodular tóxico.

Marcadores e valores de referência adicionais

  • Adiponectina: H: 5,5 a 16,4 µg/mL / M: 11,1 a 23,3 µg/mL.
  • Ácido úrico: H: 3,5 a 7,2 mg/dL / M: 2,6 a 6,0 mg/dL.
  • Cálcio: 8,8 a 10,2 mg/dL.
  • Ceruloplasmina: 27 a 37 mg/dL.
  • Leptina: M: 3,8 ± 1,8 ng/mL / H: 7,4 ± 3,7 ng/mL.
  • Ácidos graxos livres: 0,28 a 0,89 mmol/L.

Vitaminas e minerais: B1, B2, B3, B6, folato, B12, 25‑Vitamina D; eletrólitos e minerais: sódio, potássio, cloreto, fósforo, magnésio, zinco e cobre.

Notas finais

O conteúdo foi reorganizado e corrigido ortograficamente e gramaticalmente, mantendo a totalidade das informações apresentadas no documento original. Recomenda-se interpretar valores e faixas de referência de acordo com o laboratório e o contexto clínico do paciente.