Gestão do Capital de Giro: Políticas e Financiamento
Cobertura Política em Gestão do Capital de Giro
As necessidades de financiamento, do ponto de vista da temporalidade, possuem a seguinte classificação:
- Permanente: Recursos necessários em todos os momentos da operação do negócio. Sua ausência significa alterar significativamente a natureza das operações.
- Temporária: Recursos que, pela sua natureza flexível, podem ser reduzidos de acordo com as necessidades sazonais ou decisões da administração.
A política de hedge estabelece os critérios de que o que é permanente deve ser financiado a longo prazo (exigível a longo prazo ou patrimônio líquido), enquanto as necessidades temporárias ou sazonais devem ser supridas com fundos de curto prazo (passivo), como fornecedores, documentos a pagar e empréstimos bancários. Graficamente, esta política é representada como:
Análise de Financiamento sem Sazonalidade
Ao analisar uma empresa que não apresenta sazonalidade em sua produção e ciclos de vendas, o capital de giro necessário também não apresenta sazonalidade. Recomenda-se que o financiamento seja exclusivamente por passivos de longo prazo? Justifique.
Nesta situação, elimina-se uma das características do financiamento de curto prazo, que é a capacidade de dispensá-lo quando a sazonalidade permite. Contudo, se o custo explícito do financiamento de curto prazo for mais barato do que o de longo prazo, ele pode ser vantajoso. O custo mais baixo pode ser determinado por taxas de juros menores ou fontes de financiamento sem custo, como em alguns casos com fornecedores.
Em conclusão, não se pode definir a priori uma regra, mas sim estudar cada caso, decidindo de acordo com parâmetros de retorno e risco, sendo este último determinado pelo risco de liquidez.
Teoria Financeira: Custo de Curto vs. Longo Prazo
O custo explícito compreende a soma total dos custos de uma fonte de financiamento, como taxas de juros, saldos mínimos exigidos e custos de captação urgente. O custo de curto prazo é geralmente menor devido a três razões:
- Taxa de Juros: As taxas exigidas pelos credores são menores no curto prazo, pois o componente de risco aumenta com o tempo.
- Flexibilidade: O financiamento de curto prazo pode ser reduzido ou aumentado conforme as necessidades conjunturais, permitindo à empresa dispensá-lo em períodos de baixa.
- Fontes de Baixo Custo: Existem alternativas, como fornecedores que concedem prazos sem penalidade. Contudo, deve-se atentar aos descontos por pagamento à vista; se o desconto for significativo, o custo de oportunidade de não utilizá-lo torna-se o custo real do crédito.