Guia de Dermatoses, Adenomegalias e Dengue na Infância

Medicina e ciências da saúde9,39 KB

DERMATOSES NA INFÂNCIA

DERMATITE SEBORREICA

Caracteriza-se por lesões eritematodescamativas e papulosas, não pruriginosas. Acomete mais frequentemente áreas com maior concentração de glândulas sebáceas: couro cabeludo, face (orelhas, nariz, sobrancelhas), pescoço, axilas e áreas de fraldas. É mais comum entre 4 e 6 semanas de vida.

Tratamento (TTO):

  • 1. Óleo mineral ou óleo de amêndoas (para remover crostas) – 1x ao dia; Ácido salicílico 5% em pomada.
  • 2. Shampoo de sulfeto de selênio (para crianças maiores).
  • 3. Corticoides tópicos de baixa potência por 3 a 5 dias (Desonida creme 0,05% ou Hidrocortisona 1% para lesões cutâneas).

DERMATITE DAS FRALDAS

Apresenta lesões eritematosas papulares. A infecção fúngica secundária é comum em concomitância. Fisiopatologia: Fatores associados incluem o uso de fraldas, contato com fezes/urina, fricção, temperatura, irritantes químicos e micro-organismos.

Tratamento (TTO):

  • 1. Cremes de barreira: óxido de zinco ou dexpantenol.
  • 2. Corticoide tópico de baixa potência (Hidrocortisona – 2 a 3 dias) em caso de hiperemia intensa.
  • 3. Nistatina ou Miconazol 1% (7 a 10 dias) se houver infecção fúngica.

MILIÁRIA

Erupção cutânea relacionada com as glândulas sudoríparas. Apresenta lesões vesiculares de conteúdo claro ou pápulas em grande extensão corporal. É causada por calor excessivo, umidade ou febre. O quadro está relacionado ao aumento do calor e da produção de suor; as lesões geralmente são acompanhadas por coceira.

Tratamento (TTO):

  • 1. Resfriamento da pele.
  • 2. Banhos de amido de milho com moderação.
  • 3. Evitar sol, calor e roupas em excesso.
  • 4. Pasta d’água ou calamina 1-2%.

URTICÁRIA

Manifesta-se como placas e pápulas eritematoedematosas pruriginosas e de duração efêmera. Desaparecem à digitopressão.

Tratamento (TTO):

  • 1. Identificar e eliminar o agente causal (alimentos, corantes, medicamentos, etc.).
  • 2. Anti-histamínicos via oral: Loratadina, Cetirizina, Fexofenadina ou Desloratadina.
  • 3. Corticoide via oral em casos mais graves.
  • 4. Nas emergências (edema de laringe ou broncoespasmo): Adrenalina (1 mg/ml) na dose de 0,01 mg/kg – via subcutânea (até 3x).

PITIRÍASE ALBA

Lesões arredondadas de bordos imprecisos e descamativas. Acomete frequentemente a face, região cervical, tórax e membros. Está relacionada à xerodermia e atopia.

Tratamento: Controle ambiental e hidratação (creme de ureia 5% a 10%).

PITIRÍASE VERSICOLOR

Micose superficial que se apresenta como máculas hipocrômicas, superfícies descamativas e bordos precisos. As áreas de pele mais oleosa são as mais frequentemente atingidas.

Tratamento (TTO):

  • 1. Higiene adequada.
  • 2. Shampoo de sulfeto de selênio até 2 meses após a cura clínica ou shampoo de Ciclopirox olamina.
  • 3. Casos sistêmicos: Cetoconazol (10 dias) ou Itraconazol (5 dias).

IMPETIGO

Apresenta máculas eritematosas, vesículas ou bolhas circundadas por eritema, pústulas e crostas pruriginosas. É a forma clínica mais frequente de piodermite em crianças. Adenomegalia regional e febre podem acompanhar o quadro. Agentes: Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A) e Staphylococcus aureus.

Tratamento (TTO):

  • 1. Higiene das lesões com água e sabão.
  • 2. Permanganato de potássio.
  • 3. Antibioticoterapia tópica: mupirocina, neomicina + bacitracina ou ácido fusídico.
  • 4. Antibioticoterapia oral em casos extensos.

ESCABIOSE

Lesões vésico-papulares; em crianças, são frequentes vesículas, pústulas e nódulos. Causa prurido intenso, principalmente noturno. Localização: Regiões interdigitais, punhos, cotovelos, axilas, periumbilical e nádegas. Agente: Sarcoptes scabiei var. hominis.

Tratamento (TTO):

  • 1. Identificar e tratar contatos.
  • 2. Lavar e expor diariamente roupas de cama; tratar por 2 a 3 noites consecutivas e repetir após 7 dias.
  • 3. Benzoato de benzila 25% (diluir 1:3 ou 1:4).
  • 4. Permetrina 5% para peles sensíveis.

PEDICULOSE

Caracteriza-se por coceira intensa no couro cabeludo, podendo haver infecção secundária e adenopatia satélite.

Tratamento:

  • 1. Identificar e tratar contatos.
  • 2. Lavar e expor diariamente roupas de cama.
  • 3. Não prender cabelos úmidos.
  • 4. Retirar lêndeas (pente fino e vinagre morno).
  • 5. Permetrina.

VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Síndrome do Bebê Sacudido

Causa mais comum de TCE fechado grave em menores de 1 ano (geralmente < 6 meses, podendo ocorrer até os 2 anos). É uma lesão cerebral provocada por sacudidas violentas. A tríade hematoma subdural + hemorragia retiniana + ausência de trauma caracteriza a síndrome.

Síndrome de Munchausen por Procuração

Manifesta-se de três formas: Mentira, Simulação e Indução.

ADENOMEGALIAS NA INFÂNCIA

A criança possui uma quantidade maior de tecido linfático, produzindo uma reação proliferativa mais exuberante.

Exame físico dos gânglios:

  • 1. Verificar tamanho e consistência (dura, mole ou em flutuação) e coalescência.
  • 2. Limites.
  • 3. Mobilidade (móvel ou aderido).
  • 4. Temperatura.
  • 5. Presença de dor.
  • 6. Aspecto da pele sobrejacente.

Palpação: Sempre que encontrar gânglios palpáveis, verificar a presença de esplenomegalia (risco de tumores). Deve-se suspeitar de neoplasias (principalmente hematológicas) quando associadas a febre arrastada, perda ponderal e alterações no hemograma. Gânglios suspeitos: Gânglio maior que 3 cm, aderido à pele ou aos planos profundos, DEVE SER BIOPSIADO. Adenomegalias supraclaviculares e cervicais inferiores devem ser biopsiadas precocemente.

Características clínicas e etiologias:

  • 1. Dor, calor e rubor: Adenite piogênica.
  • 2. Gânglios móveis, pouco dolorosos e elásticos: Viroses sistêmicas, ARJ, toxoplasmose, sífilis, Doença de Chagas, LES, histoplasmose, calazar ou leucoses.
  • 3. Presença de fístula: Adenite piogênica, tuberculose ou paracoccidioidomicose.
  • 4. Consistência aumentada e aderência: Linfoma, metástases ou leucoses.
  • 5. Conglomerados de gânglios: Linfoma, tuberculose, paracoccidioidomicose ou metástases.

DENGUE

Doença infecciosa aguda e não contagiosa. A infecção por um dos 4 sorotipos (infecção primária) gera imunidade vitalícia contra esse sorotipo (homóloga). A imunidade contra outros sorotipos (heteróloga) é transitória, permitindo infecções secundárias.

Fisiopatologia: Picada do inseto -> 2 a 3 dias (multiplicação viral em linfonodos) -> 4 a 5 dias (disseminação sistêmica/viremia/febre). O tropismo pelo tecido muscular causa mialgia devido à resposta imunocelular e produção de citocinas.

Todo caso suspeito deve ser notificado à Vigilância Epidemiológica; formas graves exigem notificação imediata.

Dengue suspeita: Doença febril aguda (máximo 7 dias) com pelo menos dois sintomas: cefaleia, dor retro-orbitária, mialgia, artralgia, prostração ou exantema, com história epidemiológica positiva.

Diagnóstico e Conduta:

  • Grupo A (Sem sangramentos/sinais de alerta): Sorologia e hemograma. TTO: Hidratação oral, analgésicos/antitérmicos (paracetamol ou dipirona) e antieméticos.
  • Grupo B (Com sangramento): Sorologia, hemograma, transaminases, albumina, eletrólitos, glicemia, USG abdominal e raio-X de tórax. TTO: Hidratação oral supervisionada (considerar venosa) e sintomáticos.
  • Grupo C/D (Sinais de alerta ou choque): Mesmos exames do grupo B acrescidos de coagulograma, ureia, creatinina e ecocardiograma. TTO: Internação hospitalar, hidratação venosa vigorosa, controle rigoroso e suporte intensivo.

Prova do laço: Obrigatória em todo paciente suspeito sem sangramento espontâneo. Deve ser precedida por exame minucioso de pele e mucosas. Pode ser a única manifestação hemorrágica na dengue grau I.

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